Rio de Janeiro, sexta-feira, 12 de março de 2010 - 03h32min
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08/10/1978 - BANGU 1 x 1 VASCO

FICHA TÉCNICA
Competição:
Campeonato Carioca (1º Turno)
Local:
São Januário (RJ)
Público:
10.729
Árbitro:
Arnaldo César Coelho
Leão, Orlando, Abel, Gaúcho e Paulo César; Guina, Paulo Roberto e Garcia; Wilsinho (Paulinho), Roberto Dinamite e Ramón.
Técnico: Orlando Fantoni.
Luiz Alberto, Haroldo, Sérgio Cosme, Marco Antônio e Belisário; Edinho, Serginho e Mauro; Cláudio (Adeir), Jair Pereira e Jorge Nunes.
Técnico: Melquisedeque dos Santos.
Sérgio Cosme (Bangu)
Bangu 1 x 0: Serginho, aos 8min do 1º tempo
Bangu 1 x 1: Wilsinho, aos 12min do 1º tempo

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Erros levam Vasco ao empate
Fonte: Jornal do Brasil

Mesmo enfrentando um adversário que desde os 26 minutos do primeiro tempo jogou apenas com dez jogadores - o zagueiro Sérgio Cosme foi expulso por ter feito uma simples obstrução em Wilsinho -, o Vasco não conseguiu ir além de um empate de 1 a 1 com o Bangu, ontem à tarde, em São Januário. Os erros da equipe, principalmente no meio-campo, além da excelente atuação do goleiro Luiz Alberto, levaram-no ao resultado que agora o afasta de qualquer chance de conquistar o primeiro turno.

O Bangu marcou logo aos 8 minutos, num chute de Serginho, que tocou em Orlando e enganou Leão, evidenciando a má estrutura do meio-campo, que não dava proteção à zaga e também errava na armação de jogadas de ataque, insistindo em cruzamentos altos para Roberto, que atravessa péssima fase. Ficou também evidente a fragilidade da defesa, embora a entrada de Abel lhe desse maior consistência, porque o ataque do Bangu é praticamente inofensivo e sua equipe entrou em campo com a nítida intenção de jogar para perder de pouco.

Aproveitando a timidez do adversário, o Vasco conseguiu se impor e Wilsinho empatou aos 12 minutos, aproveitando cabeçada de Roberto (centro de Ramón), que Luiz Alberto não conseguiu segurar firme. Insistindo nos erros e desprezando a jogada de linha de fundo - Wilsinho foi vaiado pela torcida por sua ineficiência durante todo o primeiro tempo - o time dirigido por Orlando Fantoni, quando encontrava um caminho para o gol, era contido pelas defesas de Luiz Alberto.

Na melhor chance de gol do Vasco durante o primeiro tempo, aos 37 minutos, quando o Bangu já tinha sido prejudicado pelo critério rigoroso de Arnaldo César Coelho na expulsão de Sérgio Cosme - ele apenas colocou seu corpo para impedir que Wilsinho chegasse à linha de fundo - o atacante Roberto furou num centro rasteiro de Garcia, chegando a cair bisonhamente. Era a imagem do time do Vasco, impotente para superar a tática defensiva do adversário.


Desespero

No segundo tempo, depois de um leve equilíbrio nos minutos iniciais, o Vasco voltou a se impor, mas perdeu todas as chances que criou - aos 18, 20, 26, 32, 35, 38, 43 e 44 minutos - porque Luiz Alberto a esta altura fazia defesas consideradas impossíveis. Os atacantes se desesperavam à medida em que o tempo passava e o estado de espírito mostrado em campo era sentido também entre os dirigentes e a Comissão Técnica que, desde os 20 minutos, já estavam fora do banco de reservas, torcendo e passeando nervosamente perto da linha de fundo.

O vice-presidente de futebol, Luís Henrique, chegou a ficar atrás do gol de Luiz Alberto, embora não tomasse nenhuma atitude para coagir o goleiro ou mesmo o juiz. O nervosismo geral era evidenciado pelo time, que procurava decidir a partida usando de espírito de luta e entusiasmo, enquanto o Bangu se concentrava em sua defesa e rebatia para qualquer lado as bolas que sobravam em sua área, com Luiz Alberto e Jair Pereira coordenando as tentativas de fazer o tempo passar.

O mérito do Vasco foi superar com entusiasmo e valentia a atuação medíocre de alguns jogadores, especialmente Roberto, Wilsinho e Guina. Fantoni, no vestiário tenso e silencioso, anunciou para quarta-feira diante do América, a volta de Helinho no lugar de Wilsinho. No vestiário do Bangu, o empate foi comemorado como uma vitória.


A vingança de Luiz Alberto

- Futebol tem surpresas como a de hoje (ontem); demos mais de 20 chutes e o goleiro do Bangu defendeu todos. A única bola que foi para o nosso gol entrou. É inacreditável, nunca vi isso em toda minha vida de treinador.

O desabafo ao mesmo tempo irônico e sofrido do técnico Orlando Fantoni pode muito bem ser encarado como um elogio a Luiz Alberto, mas não faz justiça a uma das mais perfeitas atuações de um goleiro nos últimos anos. À exceção do gol do Vasco, marcado por Wilsinho quando já estava caído, depois de defender um cabeçada de Roberto da pequena área, Luiz Alberto defendeu rigorosamente tudo. Mostrando noção exata da posição, ele neutralizou o ataque do Vasco com defesas difíceis, tanto em chutes frontais como em cruzamentos perigosos.

As declarações de Fantoni também podem ser encaradas como uma crítica a Leão, embora o goleiro possa defender-se no gol do Bangu. O que o treinador não quis mesmo comentar era a ironia que envolveu o jogo: o Vasco desistiu de comprar o passe do humilde goleiro do Bangu, que custaria menos de Cr$ 1 milhão, para contratar por Cr$ 6 milhões e 200 mil - somando-se o passe às luvas - o melhor que há na posição no Brasil.

Em cada ataque considerado fulminante do Vasco, em chutes que os torcedores comemoravam o gol com antecedência, Luiz Alberto conseguia uma forma de espalmar, fosse com a consciência de um goleiro tranquilo e experiente, que sabe por onde devolver uma bola sem que o atacante adversário receba o rebote ou apenas no puro reflexo, contando então com uma dose considerável de sorte. De qualquer forma, a medida em que o Vasco não conseguia marcar, sua torcida ia quase à loucura.

Até que Luiz Alberto não está na que considera sua melhor forma, pois esteve afastado do time por causa de uma contusão. Mas voltou ontem exatamente contra o Vasco, o clube pelo qual - faz questão de dizer - torce desde menino e cuja camisa tanto gostaria de defender.

- O Vasco tentou-me contratar mas as negociações cessaram há dois meses, quando ainda tinha esperanças de sair do Bangu. Então, contrataram Leão, fechando a questão. Gostaria de jogar em um time de mais poderio, apesar dos laços afetivos que me ligam ao Bangu.

Até que o salário de Luiz Alberto, considerando-se as limitações do Bangu, não é dos piores: ganha mensalmente Cr$ 15 mil, sendo o profissional mais bem pago do clube. Sua atuação ontem não chegou a ser uma surpresa, apenas confirmou suas virtudes, já antigas e que o Flamengo desprezou em 1970 quando o liberou, erro que reconheceu há dois anos, tentando contratá-lo de volta. A agilidade e a boa colocação de Luiz Alberto ganharam um poderoso aliado na experiência que o tempo lhe proporcionou.

Ontem, mesmo vivendo a condição de jogador de clube pequeno que sonha jogar por um grande, Luiz Alberto teve seus momentos de ídolo, com as luvas e a camisa disputadas por torcedores vascaínos.

     
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