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Moça Bonita 17 de janeiro de 1982


Vágner tenta o cabeceio na pequena área, em mais um lance de pressão banguense. O ponta-esquerda Marcelo – com a camisa 11, observa de perto o lance.

A tradicional revista Placar, antes do Campeonato Brasileiro de 1982, colocava o Bangu como uma “zebra”, enquanto o Cruzeiro aparecia como uma equipe que “pode surpreender”.

Mas na mesma edição 608, de 15 de janeiro, nos prognósticos dos jogos da Loteria Esportiva, a situação favorecia aos banguenses na estreia do Campeonato:

“O Bangu dispensou alguns jogadores, como o goleiro Tobias, o meia Ademir Vicente e o avante Dé. Mas contratou o ponta-de-lança Vágner, ex-América/MG e ainda procura se reforçar. No Cruzeiro a situação não podia estar pior. O técnico Didi, inconformado com a briga dos cartolas, pediu demissão. Orlando Fantoni pode voltar, mas não terá nenhum reforço. Aqui está a maior surpresa do teste. Caindo aos pedaços, o Cruzeiro não suportará o entusiasmo dos pupilos de Castor de Andrade. Assim também quer a nossa zebrinha”.

E foi isso mesmo que aconteceu em Moça Bonita, no dia 17 de janeiro de 1982, deu zebra. Ou melhor, deu Bangu!

Mais de 6 mil torcedores foram ao estádio ver a estreia do alvirrubro no Campeonato Brasileiro. E, depois de um primeiro tempo sem gols, o Bangu acordou e marcou três gols nos 45 minutos finais.

Após o intervalo, o Bangu se lançou imediatamente à frente e, em um minuto, conseguiu marcar. Numa jogada pessoal, Lira ficou livre à frente de Luís Antônio, mas demorou a chutar e foi perseguido pelo goleiro até junto à linha de fundo. Ali, conseguiu driblá-lo e cruzou à meia altura. A bola foi rebatida pela defesa e caiu na altura da marca do pênalti para Rubens Feijão emendar com o gol vazio: 1 a 0.

O segundo gol não demorou e aconteceu aos 8 minutos, quando Tecão escorou de cabeça, sem qualquer marcação, um córner cobrado por Pedrinho.

O terceiro gol poderia ter saído aos 22 minutos se o juiz Oscar Scolfaro não interpretasse de forma equivocada a cobrança de um pênalti de Rubens Feijão. Para o árbitro, com a tradicional e hoje comum “paradinha”, o gol não valeria. Mandou voltar. No “repeteco”, Feijão acabou isolando a bola.      

O lance fez o Bangu se motivar ainda mais e em três minutos voltou a marcar, na jogada mais bonita da partida. Rubens Feijão fez um lançamento longo a Vagner pela esquerda, nas costas dos zagueiros. O centroavante partiu livre e da intermediária encobriu a Luís Antônio, que saiu da área ao seu encontro. A bola foi morrer dentro do gol e a torcida banguense aplaudiu a jogada demoradamente.


Bola na área do Bangu e é Mococa – o camisa 5 – quem se esforça para livrar o perigo.

Campeonato Brasileiro 1982 (Grupo E)
     
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