Rio de Janeiro, quinta-feira, 21 de setembro de 2017 - 18h27min
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Maracanã 7 de setembro de 1983


Goleiro Abelha no chão, Arturzinho completa para as redes e marca o sexto gol do Bangu naquele feriado histórico.

“O torcedor do Flamengo tão cedo não esquecerá a tarde de ontem” - escreveu o Jornal do Brasil. “É uma data memorável” - exultava o jogador Arturzinho. Sentimentos opostos, é claro. Mas para sempre os banguenses vão se lembrar do feriado da Independência de 1983.

Aquele 7 de setembro foi um dia atípico, realmente. Pela manhã, a 34ª Delegacia Policial registrou sete arrombamentos e saques a supermercados, bares e mercearias em Bangu e em bairros adjacentes. A tropa de choque do 14º batalhão da PM foi chamada para evitar que os supermercados Guanabara, Maracanã, Rainha e Leão fossem alvos dos arruaceiros. O Supermercado Rio, que ficava na Rua Figueiredo Camargo, foi saqueado.

Assustados pelo clima agitado das ruas da Zona Oeste, cabisbaixos pelo dia chuvoso e frio e desanimados pela campanha irregular que Bangu e Flamengo realizavam no 1º Turno do Campeonato Carioca, pouco mais de 5 mil pessoas foram ao Maracanã prestigiar o encontro entre os dois times. O Flamengo, campeão brasileiro de 1983, sentia a ausência de Zico - vendido para a Udinese -, mas mantinha a base que levantou o caneco  quatro meses antes.

Quando o juiz Pedro Carlos Bregalda - um gordinho simpático que diziam, torcia para o Bangu -, apitou o início da partida parecia mais uma tarde normal no Maracanã. O Flamengo pressionou procurando o primeiro gol e o time do técnico Moisés estava acuado. Aos 25, Andrade tentou por cobertura e o goleiro Toinho conseguiu espalmar. Aos 34, com Toinho já batido, o atacante rubro-negro Baltazar só não fez o gol porque chutou fraco e o zagueiro Tecão tirou em cima da linha.

Quando o Bangu - “um time cheio de baixinhos, mas todos muito bons de bola”, na definição do Jornal dos Sports – foi ao ataque, conseguiu um pênalti: Júnior derrubou Mário dentro da área aos 43 minutos. Arturzinho pegou a bola e chutou forte, no meio do gol, para vencer o goleiro Abelha, reserva rubro-negro. Uma vantagem mínima providencial para o time ir tranquilo para o vestiário.

“Não houve o pênalti! Naquele lance o time se desnorteou e perdeu toda a disciplina tática” - reclamava o técnico José Roberto Francalacci, do Flamengo.

Moisés sabia que o Flamengo iria buscar o empate no 2º tempo e aproveitou a velocidade de sua equipe para enfileirar contra-ataques. Uma curiosidade: o Bangu voltou de uniformes novos para a etapa final, já que os jogadores tinham deixado o campo totalmente enlameados ao final do 1º tempo.

Deu sorte. Aos 11 minutos, Mozer quis “enfeitar” bem em frente ao ponta Marinho. Craque do jeito que era, o banguense roubou a bola, foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para Fernando Macaé ampliar a vantagem.

Cinco minutos depois, a partida já estava decidida. Após escanteio, o ataque do Bangu faz linha de passe na área do Flamengo. Arturzinho ajeita de cabeça e Marinho aparece para concluir para as redes: 3 a 0. A banda do Tutu, contratada por Castor de Andrade, tocava forte, fazendo um animado Carnaval nas arquibancadas vazias.

Aos 26 minutos, o Flamengo descontou com o lateral Júnior, que chegou a driblar o goleiro Toinho antes de marcar. Não era uma reação. Era apenas um gol de honra. Dois minutos depois, Arturzinho fez um gol de placa: 4 a 1!

“Jogada sensacional de Artur, que partiu de trás, em velocidade, surpreendendo toda a defesa do Flamengo, que se preparava para aplicar a tática do impedimento. Artur, da intermediária, viu Abelha sair da área para fechar o ângulo e o encobriu. Um gol antológico” - definiu o Jornal dos Sports.


Gol do Bangu! É hora de comemorar!
Mococa, Mário, Gilson Paulino e Marinho se juntam a Arturzinho na alegria!

O Flamengo já era! A partir de então, o Bangu ainda alcançou o quinto gol, com o baixinho Arturzinho completando de cabeça um cruzamento de Marinho, aos 30 minutos.

Aos 42, o goleiro Toinho falhou num escanteio e soltou a bola nos pés de Robertinho, que diminuiu para o Fla: 5 a 2.

Para que todos se lembrassem que aquela tarde era mesma do Bangu e do seu mágico camisa 8, Ado acelerou um contra-ataque e finalizou rasteiro, o goleiro Abelha pegou e largou a bola justamente nos pés de Arturzinho, que atirou para o gol vazio: 6 a 2, aos 44 minutos.

“Levando-se em conta os gols que os atacantes banguenses perderam, os rubro-negros devem agradecer a Deus, porque o resultado justo teria sido uns 8 ou 9 a 2” - escreveu indignado o cronista Mário Neto, no Jornal dos Sports.

Um massacre como aquele gerou reações insanas dos flamenguistas. Quando a delegação estava indo para o ônibus do clube, o lateral Leandro trocou socos com um torcedor que o insultara. Por outro lado, no vestiário banguense, Castor de Andrade ampliava o “bicho” de 50 para 100 mil cruzeiros para cada um. Grana suficiente para fazer uma boa “feira” nos supermercados da Zona Oeste, isso se a polícia garantisse a abertura dos estabelecimentos no dia seguinte...

“Minha experiência diz que isso é um processo de direito”, dizia o Governador Leonel Brizola, sem saber que os saques estavam sendo orquestrados por uma nova facção criminosa do Rio: a Falange Vermelha.


Policiais vigiam um grupo de saqueadores detidos durante o ataque a um supermercado em Padre Miguel na noite de 7 de setembro de 1983.

Campeonato Carioca 1983
     
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