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Maracanã 23 de novembro de 1983


E agora, Bangu? A fabulosa equipe de Toinho, Fernandes, Tecão, Gilson Paulino, Mococa e Lima; Marinho, Arturzinho, Fernando Macaé, Mário e Ado, perdia uma partida-chave para o Flamengo e se complicava na Taça Rio.

O Bangu poderia ter ganho a Taça Rio de 1983 com uma rodada de antecipação. Para isso, tinha que vencer o Flamengo, no Maracanã, para abrir 4 pontos na tabela. E, ganhando a Taça Rio, entraria também na decisão contra o Fluminense, com um ponto de vantagem por ser o time de melhor campanha em todo o Campeonato Carioca.

Por isso, naquela quarta-feira, 23 de novembro de 1983, o bairro acordou em festa. Os jornais estampavam as flâmulas feitas por antecipação, com os dizeres: “Bangu Campeão da Taça Rio 83” nas mãos do volante Mococa.

Havia um clima de “já ganhou!” em Moça Bonita. Mas o adversário era o poderoso Flamengo, o bicampeão brasileiro da época. No 1º turno, o Bangu goleara o rubro-negro por 6 a 2. Mesmo sem Zico – vendido para a Udinese – havia um clima de revanche no ar.

Até porque, se o Bangu tinha 16 pontos, o Flamengo vinha logo atrás com 14 e a vitória também era fundamental para as pretensões rubro-negras no Carioca de 1983.

Mas, em Bangu, ninguém pensava no Flamengo. Até porque, mesmo com nomes como Raul, Leandro, Júnior, Adílio, o Fla tinha perdido para o Campo Grande por 1 a 0 no final de semana. Então, não seria páreo para os comandados de Moisés.

Era agora ou nunca: o Bangu ia ganhar o 2º turno do Campeonato Carioca.

No dia do jogo, Mário previa até uma goleada alvirrubra: “Se o Bangu marcar um gol no início, as coisas podem ficar fáceis e pode ser até que se repita a goleada do 1º turno”.

Moisés, então, estava confiante. No último treino, permitiu até que um grupo de pagode animasse os jogadores, batucando na lateral do campo. Afinal, dizia o Xerife: “Qual a novidade que eles podem apresentar? Podem escalar o presidente do clube ou trazer o Zico de volta que o Bangu vai ser o mesmo de sempre”.

À noite, no Maracanã, o feitiço virou contra o feiticeiro. Ao contrário do que Mário previa, foi o Fla quem fez 1 a 0 logo aos 7 minutos de jogo. No final, o rubro-negro venceu por 3 a 1... A Taça Rio estava aberta entre os dois clubes. Pior para o Bangu...


Na semana do jogo, a tradicional revista Placar perguntava “O Mengo morrerá no Bangu?”

Torcida volta triste para o subúrbio

Bangu amanheceu em festa, dormiu triste. Logo cedo, as ruas do bairro estavam enfeitadas com as bandeiras do clube. O vermelho e branco predominavam, dando colorido à manhã cinzenta. Nos botequins, nas portas dos supermercados e nas saídas dos colégios, o assunto era um só: o jogo entre Bangu e Flamengo.

E foi neste clima de festa, com muito samba, cerveja e alegria, que os torcedores do Bangu se preparam para o jogo da noite. Júlia Paixão, uma entusiasmada senhora de 67 anos, acordou cedo, preparou com carinho o arroz com feijão que seu marido, Augusto Paixão, 69 anos, tanto gosta e começou a pensar no jogo.

- Estamos casados há 49 anos e já acompanhamos o Bangu por vários lugares. O Bangu é a minha paixão, depois do meu marido. Este time é muito bom e, mesmo que não vença hoje, conquistará o título do Campeonato – afirmou Júlia.

Logo depois do almoço, dona Júlia passou a calça de linho branco que seu Augusto usaria para ir ao jogo. A calça foi uma exigência do marido, que não admite assistir às partidas do Bangu mal vestido.

- Ela capricha porque sabe que eu gosto de uma boa calça de linho, principalmente branca, como manda o figurino. Para assistir às partidas do Bangu, eu sempre vou muito bem vestido – explicou Alberto.

À tarde, o movimento no posto de gasolina do Castor, na rua Francisco Real, uma das mais agitadas do bairro, ficou mais intenso. O posto fechou às 15 horas, quando os torcedores já ocupavam toda a sua área. Dentro do escritório, Tião, chefe da Banluta, oferecia ovos cozidos. Do outro lado, os torcedores pegavam, em pequenos copos plásticos, a cerveja distribuída por determinação de Castor de Andrade.

Alberto e Júlia chegaram caminhando lentamente e logo se juntaram ao grupo onde estava Aci Teixeira, de 49 anos, a Cica, chefe da Bancica. Abraços, beijos e longos cumprimentos, gestos comuns entre os banguenses, marcaram o primeiro encontro entre os três. Alberto, ensaiando uns passos de samba, recordou os dois times que conquistaram títulos para o Bangu, em 33 e 66.

- Aquele time de 33 era fogo. Tinha o Sá Pinto, que jogava uma bola para ninguém botar defeito. Ô rapaz esperto! E ainda jogavam o Ladislau e o Plácido, que eram muito bons. Em 66 o Bangu tinha um estilista no meio-campo, que era o Ocimar. Negro esperto. Sabia onde jogar uma bola, sempre enganava os adversários – comentou Alberto.

Quando os ônibus começaram a chegar, às 19h, o samba estava animado, mulatas com shorts insinuantes dançavam animadamente. Os torcedores mais eufóricos ansiavam pela hora de sair para o Maracanã.

- Quero chegar logo no “Maraca” para continuar a beber. Nem me importo se o Bangu vai vencer o jogo. Já está na final. Eu quero é beber – dizia José de Freitas, funcionário de uma empresa, que nem foi trabalhar.

Às 19h45min não havia mais ônibus no posto do Castor. Todas as facções da torcida (Bangarcia, Banchopp, Banluta, Bancica, Bancachaça, Bangola, Força Jovem, Pequenos Banguenses, Castorzinhos de Ipanema e Bansheik) já haviam seguido para o estádio.

A chegada ao Maracanã também foi festiva. As bandeiras não pararam de ser agitadas, a banda do Tutu - sempre animada - puxava todos os sambas-enredo e os torcedores gritavam incessantemente “Bangu, Bangu, Bangu”. Um coro que cresceu com a entrada do time em campo e diminuiu – quase parou – quando o Flamengo fez os dois gols logo no início do jogo, com Edmar, aos 7 minutos e Tita, aos 18. Aumentou outra vez com o gol de Mário, aos 44.

Mas, no 2º tempo, com o gol de Júnior, aos 20 minutos, os torcedores guardaram as bandeiras. Aquela não era a noite do título...

A frase

 

No fundo foi até bom, porque vários jogadores do Bangu nunca tinham participado de uma decisão. Agora eles já passaram por essa experiência e certamente não cometerão os mesmos erros”.

 

Mário Marques,
camisa 10 do Bangu

Campeonato Carioca - Taça Rio 1983
     
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