Rio de Janeiro, segunda-feira, 20 de maio de 2013 - 02h05min
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24/11/1985 - BONSUCESSO 0 x 1 BANGU

FICHA TÉCNICA
Competição:
Campeonato Carioca
Local:
Estádio Teixeira de Castro
Renda:
Cr$ 19 milhões 715 mil
Público:
1.383 pagantes
Árbitro:
Roberto Costa
Auxiliares:
Reinaldo Farias e Edílson Falcão
Júnior, Zé Paulo, Osmar, Serjão e Felipe (Lima); Lazinho, Mário e Naldo; Paulinho, Galocha e Carlos Alberto (Zé Roberto).
Técnico: Denílson
Gilmar, Márcio, Jair, Oliveira e Baby; Israel, Mário e Fernando Macaé; Marinho, Cláudio Adão e Ado.
Técnico: Moisés
Bangu 1 x 0: Marinho, aos 41min do 2º tempo

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Mais uma jogada ensaiada. E Marinho decidiu
Fonte: Jornal do Brasil

Em meio a um clima de tensão, o Bangu venceu o Bonsucesso quase no fim e ficou a uma vitória só das finais. Houve invasão de campo e tentativa de agressão ao juiz. Não faltou sequer um conselheiro do Bonsucesso conclamando a torcida a acabar com o jogo

O Bonsucesso resistiu o quanto pôde. Teve um excelente goleiro (Júnior), ameaçou em contra-ataques, levou três bolas na trave e cometeu uma falha decisiva no final. E falha, diante do craque, é irrecuperável, principalmente quando ele se chama Marinho e está em estado de graça. Conseqüência: com a vitória de 1 a 0 o Bangu deu um passo decisivo para a conquista do segundo turno do campeonato.

Há oito dias, contra o Vasco, o Bangu venceu em jogada ensaiada. Ontem, no acanhado Teixeira de Castro, não poderia ser diferente. Falta pela meia-esquerda, aos 41 minutos do segundo tempo. Mário preferiu abrir o jogo para a direita, em vez de bater direto. A bola encobriu a defesa, que tentou adotar a tática do impedimento, mas pelo menos dois zagueiros esqueceram de sair a tempo. Esperto, Marinho dominou, ajeitou a bola e chutou forte, colocando entre o goleiro e a trave. Alívio do lado banguense, tristeza no Bonsucesso.


Vitória sofrida

O Bangu, mesmo não jogando bem, produziu ontem o suficiente para vencer com certa tranqüilidade. Mas perdeu gols fáceis, sobretudo com Cláudio Adão, cuja infelicidade nas conclusões levou Moisés a concluir que o atacante era vítima de alguma “urucubaca”. Por errar demais, o Bangu, que quase sempre adiantava seus zagueiros, correu alguns riscos. Por pouco o centroavante Galocha não complicava a situação do líder do returno. Gilmar fez pelo menos dois milagres no primeiro tempo.

Mas o Bangu voltou a mostrar que continua com estrela. Moisés, sempre otimista, já considerava que dificilmente sairia do zero. O astro Marinho foi outro que chegou a sentir que a vitória não seria mais alcançada. Ele próprio não fazia boa partida, bem marcado pelo improvisado lateral Felipe, na verdade jogador de meio-campo.

Como a sorte parece mesmo ter-se instalado em Moça Bonita, ela começou a ajudar no final. Felipe se contundiu e teve de ser substituído pelo pesado Lima. Marinho começou a melhorar. O ponta-esquerda Carlos Alberto, peça importante dos contra-ataques, também não resistiu até o final. Zé Roberto, aquele mesmo que já esteve no Fluminense e no Flamengo, acabava de entrar, para tocar bola, quando saiu gol.

A vitória fez justiça ao Bangu, que carimbou a trave três vezes – Macaé e Adão no primeiro tempo, Ado no segundo. E por pouco ela não era ampliada nos últimos quatro minutos, disputados após a paralisação de 10 minutos provocada pelos sócios e conselheiros do Bonsucesso. Cláudio Adão voltou a perder um gol incrível e Ado preferiu chutar direto, quando não tinha mais fôlego para concluir um contra-ataque e Marinho estava mais bem colocado pelo centro.

Felizmente, para o Bangu, Marinho estava em campo. Um momento de descuido adversário e o ponta desequilibrou. Ao final, o craque saltou e deu um murro no ar: era o alívio e a felicidade de quem via chegar mais perto a chance de disputar a final.


Gilmar garante com defesas milagrosas

Gilmar – Fez duas defesas milagrosas no primeiro tempo, nos poucos momentos em que foi exigido. Nota 8.
Márcio – Procurou apoiar sempre e se descuidou na marcação. Permitiu vários contra-ataques às suas costas. Nota 6.
Jair – Atuação segura e firme, mesmo sendo incomodado algumas vezes pelo centroavante Galocha. Nota 7.
Oliveira – Não perdeu uma antecipação, excelente pelo alto e ainda cobriu bem a Baby. Nota 7.
Baby – Teve campo para avançar e aproveitou. Só que errou quase todos os cruzamentos. Nota 6.
Israel – Cobriu com perfeição a entrada da área e protegeu os avanços dos laterais com ótima noção de colocação. Nota 7.
Mário – O condutor do time. Comandou o toque de bola e orientou a movimentação dos companheiros. Nota 7.
Fernando Macaé – Um jogador muito útil ao time pelo fôlego, aliado à luta e à velocidade. Nota 7.
Marinho – Mesmo bem marcado e pouco inspirado, fez em uma oportunidade o que os outros por várias vezes não conseguiram: o gol. Nota 8.
Cláudio Adão – Pesado, com pouca mobilidade, perdeu alguns gols certos, que poderiam ter tranqüilizado o Bangu. Nota 5.
Ado – Rápido nos contra-ataques, ajudou a marcação no meio-campo e, no final, aliviou por várias vezes a defesa, apelando até para os chutões. Nota 7.

No Bonsucesso, o maior destaque foi o goleiro Júnior, com importantes defesas e ótimo reflexo. O veterano Paulino, que atua com liberdade, mostrou bom toque de bola e o centroavante Galocha, do tipo tanque, andou rondando o campo adversário em algumas jogadas. O ponta-esquerda Carlos Alberto e o lateral-esquerdo Felipe mostraram boa técnica.


Alegria supera até calor e falta d´água

Se o Bangu passou vários apertos em campo, no vestiário foi ainda pior: pouco espaço, apenas quatro chuveiros e um calor insuportável. Mas nada disso tirou a alegria da equipe, que conquistou uma das suas mais importantes vitórias no campeonato.

- Está na hora do Bangu, não é possível que a gente vá morrer na praia novamente. O “seu” Castor dá todas as condições para a conquista do título e nós ainda continuamos devendo uma retribuição a ele. Hoje, achei que não daria mais. Afinal, havíamos perdido tantos gols, que já não acreditava mais na vitória. Quando peguei a bola livre, ainda pensei em procurar um companheiro de frente. Mas fui para o tudo ou nada. Chutei com o lado do pé – contou Marinho, que demorou mais de meia-hora para conseguir tomar seu banho, tantos eram os cumprimentos, pedidos de autógrafos e entrevistas.

O técnico Moisés foi o primeiro a deixar o vestiário. Saiu tenso, fumando muito. Considerou o jogo de ontem o mais difícil do campeonato, parecido com o do Goytacaz, em Campos. Anunciou a volta de Arturzinho no meio-campo contra o Botafogo. O time que jogou se reapresenta amanhã. Haverá treinos em dois horários em Moça Bonita. Os reservas mais Arturzinho treinarão hoje à tarde.


Outra vez, um jogo que quase não acaba

O público, pequeno, dava impressão de que não criaria problemas no jogo, em Teixeira de Castro. É bem verdade que alguns torcedores com camisa do Flamengo levaram cascudos dos banguenses e sofreram arranhões, mas sem maiores conseqüências. No final, veio a confusão. Mais uma vez provocada por quem não joga.

Foi um gol rápido o de Marinho e a defesa falhou na tática do impedimento. Os jogadores do Bonsucesso aceitaram e poucos ergueram os braços, mais por instinto do que por convicção. Alguns conselheiros do Bonsucesso, no entanto, entraram em campo, procurando agredir o juiz Roberto Costa e o bandeirinha Reinaldo Farias.

Em meio ao tumulto que se formou a partir daí, destacava-se a figura do conselheiro João Correia, que ficou na tranqüilidade das cadeiras conclamando a torcida, através de um potente megafone, a acabar com o jogo. E muitos realmente tentaram. Uma pedrada atingiu a cabeça do meio-campo Naldo, do time da casa, que sofreu um ferimento e sangrou. A torcida, instigada, quase provoca um conflito de conseqüências mais sérias.

O juiz Roberto Costa, que no cômputo geral esteve razoável, conseguiu levar o jogo até o final. Mas ficou mais de uma hora no estádio, sem poder sair. Protegido por mais de 100 policiais, conseguiu escapar num camburão da PM.

     
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