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Moça Bonita 7 de março de 1990
No dia em que Castor de Andrade ia preso, o Bangu vencia o Flamengo em Moça Bonita.

Era um dia-chave para o Bangu. À noite, enfrentaria o invicto Flamengo, em Moça Bonita, pelo 1º Turno do Campeonato Carioca e estrearia Paulo Lumumba como seu novo treinador. Porém, não era esse o assunto que dominava as rodas de conversas no bairro.

A decretação de uma nova prisão para Castor de Andrade – condenado por ser o dono de um Cassino clandestino em Xerém, estourado pela polícia em 1988 – e o fato de ter se apresentado voluntariamente, inclusive ganhando um abraço do delegado na entrada da Polinter, eram as manchetes do dia.

O patrono do Bangu Atlético Clube e principal financiador da equipe montada para 1990 não estaria na tribuna de Moça Bonita para o jogo, nem iria ao vestiário para pagar seus polpudos “bichos” em caso de vitória. Por sua vez, a chegada de Castor na Polinter, vestindo um terno dos mais elegantes, fez a alegria dos outros presos. A exemplo do que já fizera outras vezes, sempre que passava alguma “temporada” por lá, Castor providenciava comida diferenciada, frutas e biscoitos. Naquele dia, os presos almoçaram arroz, feijão, costeleta frita, ensopado de quiabo, bife e batatas fritas. Até os policiais comeram do “bom e do melhor”.

À tarde, uma Kombi levou colchão, almofadas, armário, ventilador, televisão e até um videocassete para a sela do “doutor” na avenida Marechal Floriano. Seria mais interessante levar um rádio, afinal a partida entre Bangu x Flamengo não seria transmitida ao vivo pela TV Manchete, a detentora dos direitos do Campeonato Carioca à época.

Em campo, os banguenses não sentiram a ausência do “doutor Castor”. Logo aos 15 minutos, Macula invadiu a área e o goleiro Zé Carlos saiu a seus pés. Na dividida, a bola sobrou limpa para o meia Julinho chutar com o gol aberto: 1 a 0.

Para azar do Bangu, o Flamengo tinha Renato Gaúcho no auge da forma.

Aos 44 minutos, ele cobrou um escanteio com perfeição, a bola fez uma curva e venceu o goleiro Wagner, um belo gol olímpico num momento importante do jogo.

Porém, na volta para o 2º tempo, o Bangu não demonstrou abatimento. O ponta Gilson teve a chance de colocar o time novamente em vantagem, mas desperdiçou. Do lado de lá, Gaúcho também perdia um “gol feito” para o Fla.

Aos 24 minutos, Julinho entra trombando na defesa rubro-negra, Leandro falha e a bola sobra para o atacante Cláudio José ajeitar e mandar para as redes: 2 a 1. A bandinha do Tutu tocou mais alto e abafou a numerosa torcida do Flamengo.

Quando Válter Senra apitou o final do jogo, os jogadores comemoraram a primeira vitória sob o comando de Paulo Lumumba e a quebra da invencibilidade do Flamengo, mas também lamentavam que o “doutor” não tivesse assistindo a melhor atuação do time no Campeonato. Ao menos, os esforços de Julinho, Macula, Cláudio José e companhia deram a Castor uma das raras alegrias naquele conturbado mês de março de 1990.

Com o passar dos dias e o prolongamento da prisão de Castor, a alegria dos jogadores também acabaria e os jornais noticiariam atrasos de salário em Moça Bonita, algo inimaginável desde que o Patrono reassumiu o comando do clube dez anos antes.  Logo, logo, nem os músicos da bandinha – sem cachê – acompanhariam o time pelos estádios do Rio. Sem a “grana” farta do jogo do bicho, as vitórias do Bangu sobre o Flamengo também iriam escassear...

Campeonato Carioca 1990 – 1º Turno
     
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