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Moça Bonita 25 de setembro de 1992


O baixinho Gilson, ponta-direita do Bangu, auxilia na marcação,
tentando roubar uma bola do meia Júnior, do Fla.

Foi bonito ver pelas ruas do bairro de Bangu a romaria de torcedores indo numa sexta-feira à tarde para o estádio de Moça Bonita. Gente que veio de longe: um torcedor de Paranaguá (PR) queria ver o Flamengo, o campeão brasileiro de 1992, dar uma “surra” no Bangu.

Não seria tão fácil assim. O técnico alvirrubro, Moisés, estava com um elenco jovem nas mãos, porém vinha conseguindo ótimos resultados, como a vitória sobre o Fluminense, nas Laranjeiras. Abusado como sempre, Moisés dizia que iria “fechar o caixão do Flamengo” naquela tarde.

Tanto Flamengo (com 11 pontos) quanto o Bangu (com 10) corriam atrás do Vasco – líder invicto do 1º turno do Campeonato Carioca.

Na época, não havia transmissão pela televisão e quem não estava entre os mais de 4 mil torcedores que pagaram ingresso, tinham que ouvir pelo rádio as emoções do jogo.

Para surpresa do Fla, o Bangu começou melhor. Logo aos 14 minutos, o ponta-esquerda Jean marcou um gol para os donos da casa. O árbitro Jorge Emiliano dos Santos, o popular “Margarida”, resolveu anular o gol alegando impedimento de Dionísio no lance. Foi um caos! Castor de Andrade e Moisés invadiram o campo para protestar. Seguranças de Castor tentaram agredir o bandeirinha César Felisberto, a polícia demorou a conter o tumulto e o jogo ficou 8 minutos paralisado.

Até mesmo Júnior, o capitão do Flamengo, achava que o gol deveria ter sido validado: “Era até preferível que o Margarida validasse o gol. Estávamos melhor e correríamos atrás e ele não faria média depois” – declarou ao Jornal do Brasil.

Aos 35 minutos, enfim, não houve como o juiz salvar o Flamengo. Júnior Baiano colocou a mão na bola próximo à área. O lateral-esquerdo Luisinho cobrou de forma perfeita, o goleiro Gilmar saltou, mas a bola balançou as redes: 1 a 0. Com a vantagem mínima e as sociais em festa, os banguenses foram para o vestiário ouvir as instruções do técnico Moisés.

Porém, logo no início do 2º tempo, Margarida viu um empurrão de Pestana em Júlio César dentro da área. Pênalti que Zinho cobrou e empatou: 1 a 1.

Mas a tarde era mesma do Bangu. Aos 13 minutos, Dionísio veio com a bola desde a intermediária. Ao chegar dentro da área do Fla arriscou o chute. A bola desviou em Marquinhos e enganou o goleiro Gilmar. Um gol de pura sorte: 2 a 1.

Com maior aproveitamento dos contra-ataques, o Bangu chegou ao terceiro gol aos 38 minutos. Gilson lançou para André Biquinho chutar forte, o goleiro Gilmar bateu roupa para frente. Erro imperdoável. Dionísio veio na corrida e estufou as redes do Fla.

O desengonçado atacante do Bangu, de apenas 21 anos, morador da Vila Kennedy, fazia seu nome naquela tarde. Logo, logo iria se transferir para o futebol finlandês, onde se tornaria o maior ídolo esportivo do país nórdico.


Dois gols no Flamengo, campeão brasileiro, foram as credenciais de Dionísio para ir jogar fora do país.

Para que o jogo ainda ganhasse em emoção, após uma cobrança de falta para a área do Bangu, o volante Januário – de peito – acabou marcou um gol contra as suas próprias redes, diminuindo a desvantagem do Flamengo. Faltavam apenas três minutos (e os acréscimos) para o Bangu segurar o belíssimo resultado de 3 a 2 e pular para a vice-liderança da Taça Guanabara.

Numa época politicamente conturbada no país, com o presidente Fernando Collor de Melo às vésperas de sofrer um impeachment, o técnico Moisés se saiu com essa ao ser perguntado sobre o que tinha achado da arbitragem da partida: “O bandeirinha César Felisberto deve pertencer ao esquema do PC Farias e do Collor (presidente)” – ironizou.

Campeonato Carioca 1992
     
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