O
boné, os óculos escuros,
o cordão de ouro, o sorriso
meio de lado, características
do mais conhecido atleta que passou
pelo Bangu em todos os tempos. Em
qualquer lugar do Brasil que você
vá, se você fala em Bangu,
as pessoas lembram logo de Marinho
e de Castor de Andrade. Marinho, ou
Mário José dos Reis
Emiliano, é um ícone,
um retrato perfeito do Bangu dos anos
80.
Aos 51 anos, este mineiro de Belo
Horizonte, é o atual técnico
dos juvenis do Ceres. Parece pouca
coisa comparado a tudo que ele fez
nos gramados. Mas é assim que
ele se sente bem, trabalhando com
futebol, com a garotada, promovendo
talentos.
Marinho chegou a Moça Bonita
em 1983, numa troca por Dreyfuss,
Vilmar e mais 40 mil cruzeiro com
o América de São José
do Rio Preto. Permaneceu no clube
até 1987 e no ano seguinte
foi atuar no Botafogo. Voltou em 1989,
em 1990, em 1993, em 1994, em 1997,
sempre voltou, mas nunca mais foi
o mesmo ponta-direita brilhante dos
anos 80.
E qual o melhor momento de um jogador
que fez 82 gols pelo clube e participou
de 235 partidas (116v, 72e, 47d)?
"Ah, essa é fácil,
os dias que antecederam a partida
contra o Coritiba, a expectativa do
jogo, e é claro, a convocação
para a Seleção Brasileira
em 1986". E qual o jogo mais
marcante? Resposta fácil para
Marinho:
"A final contra o Coritiba. Chamei
o jogo pra mim. Toda hora estava na
cara do gol. Só não
fiz o gol. Aliás, fiz, mas...
vocês sabem como é, né?"
O gol anulado, o gol do título
que não veio, o gol mais difícil
da história do Maracanã,
driblando o intransponível
Rafael e colocando a bola por baixo
das pernas do zagueirão Gomes,
o gol que Romualdo Arppi Filho fez
questão de anular mesmo com
o assistente correndo para o meio
para validá-lo.
Uma pergunta difícil para o
grande Marinho é sobre qual
seu melhor amigo dos tempos de Bangu,
afinal ele fez inúmeros amigos.
Aliás, por onde passa, Marinho
sempre faz mais um amigo.
Já tive o privilégio
de assistir a um jogo dos infantis,
Bangu x Fluminense, ao lado dele,
nas sociais de Moça Bonita,
na época em que fui diretor
do clube. Conversamos muito sobre
inúmeros assuntos, mas não
podíamos imaginar a fase negra
que se aproximava do time.
Uma última pergunta, Marinho...
E o Bangu de hoje?
"Bangu de hoje? Ainda não
dá pra ver. Torço muito
para que melhore. Sou banguense e
agradeço muito ao Bangu, que
precisa melhorar muito e espero que
volte à primeira divisão
logo".
Carlos
Molinari
Pesquisador da história do Bangu
Atlético Clube.