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ALADIM, ex-jogador do Bangu
10/11/08
 

...o meu time que está jogando assim, ainda conta com Ladeira e o ponta-esquerda Aladim...

Assim terminava a música que enaltecia os campeões de 1966. O ponta-esquerda Aladim era um menino de 20 anos que durante o campeonato roubou a posição do titular Zé Carlos e se eternizou na história do Bangu.

Nascido em Barra Mansa, em 1946, Aladim Luciano chegou ao alvirrubro levado por um olheiro chamado Belmiro, em 1962. Começou nos Juvenis, treinado por Moacir Bueno e em 1963, estreou entre os profissionais numa partida do Torneio Início contra o América, no Maracanã.

Daí permaneceu no clube até 1970, passando pelas mãos de vários treinadores: Tim, Martim Francisco, Plácido Monsores, Daniel Pinto e o campeão de 1966, Alfredo González.

Escalou os degraus da profissão aceitando tranqüilamente a camisa 11 quando o argentino Alfredo González o chamou para ser o ponta-esquerda do time principal do Bangu. Chutando de curva, com violência, e voltando sempre para ajudar o meio-campo, Aladim logo construiu uma fama que lhe assegurou lugar entre os grandes jogadores do futebol carioca. Campeão em 66, ele ainda foi, aos 20 anos, titular da Seleção Carioca por três anos seguidos, completando um ataque no qual formavam Jairzinho, Gérson, Roberto e Afonsinho. Paulo César Caju era apenas o seu reserva.

Deslumbrado, Aladim não teve tempo e nem juízo para aproveitar a fase e fazer um pé-de-meia. Afinal, tinha passado de 10 cruzeiros mensais para 180, e mesmo sabedor que seu companheiro de clube, Paulo Borges, ganhava mil, ele não ligava.

“O Castor era ótimo, arrumava dinheiro pra todo mundo. Só que eu não era puxa-saco, e, além disso, ele tinha os seus favoritos, os caras da badalação. Eu era um capiau, só fui a Copacabana algumas vezes. Um dia quiseram que eu experimentasse drogas, nunca mais voltei lá”.

Do grande time que o Bangu foi desmontando aos poucos, Aladim foi dos últimos a sair, em setembro de 1970. Foi para o Corinthians, seguindo Paulo Borges, “ganhando bem menos”...

Pelo Bangu, foram 194 jogos (81 vitórias, 51 empates e 62 derrotas), marcando 61 gols. Destaca, além da final contra o Flamengo, três jogos marcantes na conquista de 1966: a derrota para o Fla no 1º turno por 1 x 2, a dramática vitória sobre o América por 3 x 2 com direito a invasão de campo de Castor de Andrade para ameaçar o juiz e a goleada de 3 x 0 sobre o Botafogo.

Do time campeão, Aladim faz questão de lembrar um por um, mas diz que só mantém contato mesmo com Ari Clemente e Cabralzinho.

Sua carreira foi além de Bangu e Corinthians, jogou também no Coritiba e no Colorado e por isso, mora até hoje na capital paranaense, onde é dono de padaria no bairro Bacacheri e nas últimas eleições, conseguiu ser reeleito vereador pelo PV.

Esteve no Rio recentemente, tentando ajudar o seu companheiro de partido, Fernando Gabeira, a se eleger prefeito da cidade e conseqüentemente, visitou o bairro que lhe projetou para o mundo do futebol.

E como será que o vereador Aladim Luciano vê o atual momento do Bangu Atlético Clube?

“Com tristeza. Alguém com a destreza de um Castor de Andrade ou de um Silveirinha poderia adotar novamente o clube para sair deste marasmo. Quer um exemplo? Carlinhos Maracanã”.


Histórias de Aladim...

“Sinto saudade daqueles tempos de Bangu. O ‘homem’ era bom demais. Premiava as vitórias com bicho gordo. E às vezes até nos surpreendia, como um dia aconteceu em Porto Alegre.

Nenhum gaúcho acreditava que pudéssemos tirar ponto do Inter. Mas fomos lá e empatamos em 2 x 2 (26/4/1967, Torneio Roberto Gomes Pedrosa). O Castor se emocionou mais que todos e, de volta ao hotel, reuniu a turma e falou:

- Moçada, hoje quem paga sou eu! Me acompanhem!

Chegamos à melhor boate da cidade e ele foi logo falando para a dona:

- Por favor, peça para todos os homens que estão aqui se retirarem e feche a casa. Quero diversão da boa para os meus meninos.

E ficamos lá até o sol raiar.”

“O Castor foi o maior mão-aberta que eu conheci. Se um jogador estava precisando de dinheiro emprestado, era só chegar nele. E o engraçado é que ele ficava louco de raiva quando o cara ia pagar:

- Por acaso eu lhe pedi para devolver? – dizia.

Ganhei muito dinheiro do Castor porque um dia descobri que ele dava tanto para quem ia pedir quanto para quem só acompanhava o necessitado. Sabe como é, sempre havia os que tinham medo de chegar no ‘homem’. E eu vivia me oferecendo:

- Alguém aí está a fim de dar uma mordida no Castor?”

“O Bangu tinha um técnico muito velho, que já enxergava pouco. Não vou dizer o nome dele por respeito (Plácido Monsores). Nessa época, chegou ao clube um atacante chamado Araras. E o Parada logo invocou com ele.

No primeiro jogo do novato, o Parada passava no banco e reclamava:

- Esse Araras não joga nada. É muito ruim.

Só que era o Parada que não estava jogando nada. Mas o nosso técnico, mal das vistas, acreditava. O jogo estava difícil, e lá pelas tantas o Parada erra um gol certo. E o velho, cheio de raiva, se levanta do banco:

- Mas esse Araras é mesmo uma m...

Só não o substituiu porque foi avisado a tempo.”

“Em 1967 o Bangu excursionou aos Estados Unidos. Foram 54 dias. No início, tudo era bom, tudo era novidade. Mas, no fim, não dava mais para agüentar a saudade.

Nosso técnico, Martim Francisco, era o que mais sentia saudade da família. E muitas vezes, ali pelas 11 horas da noite, ele procurava um grupo de jogadores para conversar e beber uísque.

Era uma festa. Até que um dia um dos malandros descobriu que isso acontecia quando Martim recebia carta da família. Lia, chorava e ia bater papo regado a uísque.

E o nosso técnico passou a se comover com o interesse da turma, que todos os dias lhe perguntava:

- Como é, chefe, tem recebido notícias da família?”

Carlos Molinari
Pesquisador da história do Bangu Atlético Clube.
     
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