TIM
E OS 11 HOMENS DE OURO
O
Bangu juntou a fome com a vontade de comer e,
com muita malandragem, surpreende todo mundo
| |
O
Bangu tem por que vibrar. Cada gol vale
uma recompensa. É justo. |
Em
campo, um time de velhas raposas. Sentado no
banco, um técnico que conhece todas as
malandragens do futebol. Como patrono, um bicheiro
que, se não admite subornar juízes,
pelo menos garante que “de nossa equipe
ninguém rouba”.
Com esta receita, o Bangu vem deslumbrando o
Brasil. Tem três pontos ganhos em dois
jogos e divide a liderança do grupo J
com ninguém menos que o Flamengo, deixando
para trás forças respeitáveis
como o Palmeiras e o Santa Cruz. Justo o Bangu,
que na opinião de muita gente era o candidato
mais sério à lanterninha da chave.
O Bangu de Caio Cambalhota, Moisés, Tobias,
Ademir Vicente, Carlos Roberto e Dé –
um grupo de jogadores malditos como há
muito não se via reunido numa mesma equipe.
Só mesmo um técnico como Tim para
domar essa verdadeira fauna. Ele assumiu o cargo
contra o Palmeiras e deixou o Parque Antártica
com uma surpreendente vitória. Domingo,
em Moça Bonita, não passou de
um empate frente ao Santa Cruz – mas os
pernambucanos deixaram o campo comemorando o
resultado e o erro do juiz Hélio Cosso,
que deixou de marcar um pênalti claro
em Luisão aos 42 do 2º tempo. O
mesmo Luisão que fez os dois primeiros
gols do time contra o Palmeiras e deu o passe
para o terceiro, consagrando-se como a grande
figura do jogo.
Mas quem conheceu esse crioulo alto, meio corcunda
e todo desengonçado? Ninguém?
Pouco importa. Importa, isso sim, que Luisão
vem fazendo gols, que Moisés, Tobias,
Dé e os outros malditos vêm jogando
a bola que o Bangu precisa para se tornar, de
novo, um time respeitável no Rio e no
resto do país – projeto no qual
o bicheiro Castor de Andrade está investindo
todo seu prestígio, carisma e –
dizem – sua fortuna. Fora de campo, ele
se encarrega do que é essencial e acessório
para o Bangu chegar lá.
- Ou você já viu, alguma vez na
vida, um clube que se preocupa em mandar ovos
para a sua família no domingo de Páscoa?
A declaração admirada é
de Carlos Roberto. Mas seria ingenuidade imaginar
que só o apoio de Castor explica a boa
fase do clube. Não por coincidência,
Tim está lá no banco liderando
o grupo, impondo a lei e o respeito num território
eternamente sob tensão e povoado de “bandidos”
– tudo no bom sentido, claro. Afinal,
como diz bem Caio Cambalhota, “no Bangu,
o mais bobo conserta relógio no escuro
com luva de boxe”.
Semana passada, quando cometeu esta frase manjadíssima
pela malandragem carioca, Caio certamente estava
pensando em si mesmo. Mas, a definição
cai como uma luva para Carlos Roberto, Dé,
Moisés, Tobias, Ademir Vicente –
os mais expressivos representantes destes 11
homens de ouro do Bangu.
Repórter:
Aristélio Andrade.
Fonte: Revista Placar, nº 520, de 18/04/1980.
|