SURGIU
UM ÍDOLO NO BANGU: MIRANDINHA
Nos
5 a 1 sobre a Ponte, Mirandinha revelou que
tem coragem, fome de gols e uma tremenda vontade
de vencer
| Foto:
Revista Placar |
| |
| Mirandinha
fez três gols e quer reviver o
grande Paulo Borges |
A
bola esticada por Carlos Roberto cai junto
aos pés de Odirlei, mas o mulato Mirandinha
sabe que este é um daqueles momentos
decisivos na vida. Ganhar o lance perdido
significará ganhar respeito, passar
do anonimato às manchetes.
Então, um grito de espanto toma conta
da torcida do Bangu. No chão, o lateral-esquerdo
da Ponte nem mesmo consegue xingar Mirandinha
- está espantado com o sangue que mancha
seu meião.
- Foi meu cartão de visitas, o cartão
de visitas do Mirandinha. Era eu ou ele, era
ele ou minha carreira. Sobrou ele -, conta
Mirandinha a dezenas de torcedores.
Gláucio Rodrigues, eis o seu nome.
O apelido foi ganho nos tempos de juvenil
da Caldense, de onde surgiu para o Bangu.
"Sou parecido com o Mirandinha que jogou
no São Paulo e se arrebentou todo",
explica. "Por isso, entro com tudo em
bola dividida." E sentencia:
- Sou Mirandinha mas não quero ficar
inutilizado. Na área, sou o rei das
divididas.
AINDA
VÃO FALAR MUITO DO ARTILHEIRO
E rei dos gols. Pelo menos contra a Ponte,
marcou três e virou herói. Nascido
em Poços de Caldas, esse menino -humilde
fora de campo - transformou-se em dono da
festa. O poderoso Castor de Andrade, presidente
do clube, profetizava, eufórico:
- Até que enfim! Ele correspondeu aos
meus apelos. Aí nasce um artilheiro
igual ao Paulo Borges em 66.
Mirandinha, 23 anos, já se imagina
posando de faixa no peito, diante de um Maracanã
duro de gente. Como Paulo Borges, o sorriso
artilheiro do campeão carioca de 66,
e que também tinha um estilo semelhante
de jogo. Mirandinha descreve:
- Eu gosto de ser lançado em velocidade,
fechando em diagonal para o gol.
Centroavante de ofício, contenta-se
em atuar na ponta-direita, já que o
titular da camisa 9 é o veteraníssimo
gigante Alcino. Mas a sua própria camisa
contém uma mística especial,
é a 7 de Paulo Borges. Feito um corisco,
ele parte da lateral para o gol arrastando
adversários, empurrando a bola, sem
ver obstáculos. Fica o alerta: qualquer
Odirlei que ousar enfrentá-lo sabe
dos riscos, sabe que terá pela frente
um jogador disposto a tudo. A tal ponto que
fez uma promessa, que não revela, a
Nossa Senhora Aparecida, ano passado. Uma
semana depois, ganhou um Chevette de Castor
de Andrade. Motivo:
- Foi aquele gol que marquei contra o Flamengo,
diante de Rondinelli e Luís Pereira...
Mineiro, matreiro e desconfiado. Mas igualmente
ambicioso. Comprado por três milhões,
ele jura que vai colocar seu nome entre os
grandes ídolos do futebol carioca.
Contra a Ponte, deu provas: dois gols de oportunismo,
e um deslumbrante terceiro gol, ao mergulhar
de peixinho num centro alçado por Marco
Antônio. "Espero que tenha sido
apenas o começo.
Está alegre, o Mirandinha. E mais alegre
fica ao ser afogado pelos abraços experientes
de Moisés, Tobias, Carlos Roberto,
Marco Antônio. Ele, Mirandinha, que
acaba de sair do anonimato...
Repórter:
Hideki Takizawa. Fotógrafo: Ignácio
Ferreira.
Fonte: Revista Placar, 23/01/1981.
Revista
gentilmente cedida por Leonardo Cesar (leoicet@terra.com.br).