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BUZA FOI O PIOR SOLDADO
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Foto:
Revista Bangu e suas glórias
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O
comandante mandou buscar a ficha do soldado
Hemetério: Duas detenções,
uma prisão em cela comum e uma prisão
em cela separada. Uma ficha pesada.
Na verdade o comandante já sabia que
o soldado Hemetério fora o pior elemento
que passara pelo Quartel da Artilharia, lá
em Campinho, no início de Jacarepaguá.
Hemetério Fernandes de Almeida explicava
sempre a sua conduta não muito simpática
no quartel:
- O Bangu vai jogar e aí não
deixam eu sair. Fujo.
- E quando você está preso?
Também fujo.
O comandante soube que no dia em que ele ficou
em cela separada, um sargento, fanático
torcedor do Bangu, "esqueceu" de
passar a chave na cadeia. Não deu outra:
Hemetério se mandou e lá estava
ele jogando pelo seu amor maior, o Bangu.
Hemetério era filho de Luis Fernandes
de Almeida, um artesão da Casa da Moeda.
Um homem pobre. Um homem humilde, Isto não
impediu que ele criasse os 10 filhos que sobraram
dos 13 que trouxe ao mundo. Criou um dos maiores
pintores, Luíz Fernandes de Almeida,
o mais velho, assistiu a formatura de Adelina,
a mesma Adelina que meteu o guarda sol num
bandeirinha, num jogo em Moça Bonita,
quando este marcou uma falta contra o mano
Hemetério.
Na pobreza de sua juventude Hemetério
só tinha um prazer: o futebol. Sabia
que não haveria problema de campos
de futebol no seu Engenho de Dentro. Quanto
mais no Engenho Novo. Hemetério jogou
no Mackenzie, no Central e terminou sua carreira
no Bangu.
Foi campeão em 1933. Começou
ali em 1929.
Sua característica era a virilidade
como atuava, seu destemor, seus chutes fortes,
com as duas pernas, seus dribles curtos e
seus lançamentos. Não fugia
do pau. Enfrentava tudo, de igual para igual.
Valente como ele só, passados 10 anos
que deixara a bola e era fiscal da Viação
Brasil, recolheu o dinheiro da féria
e, na garage da praça Paris recebeu
o convite de um chefe - ele e os demais fiscais
- para visitarem o Cassino Atlântico,
no seu último dia: o presidente Dutra
mandara fechar todos os cassinos no dia 28
de fevereiro de 43.
Hemetério foi. Na entrada um bêbado
gozou o grupo da Viação Brasil.
Partiu para cima dele. Hemetério, valente
como ele só, pediu que a gerência
retirasse o incômodo cavalheiro. Foi
atendido. Depois, na hora de sair do Cassino,
"Canjica", seu colega de trabalho,
sentiu no ar algo diferente:
- Vamos sair pela porta do fundo, pessoal.
- Menos eu, disse Hemetério.
E todos foram pela porta principal.
Só viram o mesmo bêbado de arma
em punho. Um 38 negro:
- Cadê os valentes?
Todos pararam. Hemetério disse ao cidadão:
- Não tenho medo de homem e muito menos
de quem se esconde por trás de uma
arma. Vou tomar esse revólver.
O tiro pegou na barriga de Hemetério.
Ele caminhou até o agressor e tomou-lhe
a arma. Foi para o hospital. Teve peritonite.
Não havia antibióticos. Morreu
no dia 19 de março de 1943.
Hemetério foi exemplo de fibra no futebol.
Foi exemplo de macho na vida real.
Foi um grande pai para Paulinho, Hélio
e Neide.
Foi um péssimo soldado. E sabia disto.
Hoje, porém, está redimido pela
sua "má conduta".
Luiz Paulo, seu filho mais velho, é
o comandante da Escola de Educação
Física do Exército. O caçula,
Hélio, deixou o Exército no
posto de tenente coronel.
Honraram a memória de Hemetério,
o "praça" que fugia até
da cadeia do quartel de Campinho para jogar
pelo seu amor maior: o Bangu.
O tal soldado Buza, o campeão de 1933.
Texto:
Carlos Lima
Fonte: Revista Bangu e Suas Glórias
- Ano I - Novembro/1981
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9 |
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19 |
| Gols Contra |
27 |
| Saldo de Gols |
-8 |
| Aproveitamento |
31% |
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Artilheiros 2012 |
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1 |
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(Boavista - contra) |
1 |
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(Botafogo - contra) |
1 |
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