Rio de Janeiro, segunda-feira, 24 de julho de 2017 - 21h51min
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BUZA FOI O PIOR SOLDADO

Foto: Revista Bangu e suas glórias

O comandante mandou buscar a ficha do soldado Hemetério: Duas detenções, uma prisão em cela comum e uma prisão em cela separada. Uma ficha pesada.

Na verdade o comandante já sabia que o soldado Hemetério fora o pior elemento que passara pelo Quartel da Artilharia, lá em Campinho, no início de Jacarepaguá.

Hemetério Fernandes de Almeida explicava sempre a sua conduta não muito simpática no quartel:

- O Bangu vai jogar e aí não deixam eu sair. Fujo.

- E quando você está preso?

Também fujo.
 
O comandante soube que no dia em que ele ficou em cela separada, um sargento, fanático torcedor do Bangu, "esqueceu" de passar a chave na cadeia. Não deu outra:

Hemetério se mandou e lá estava ele jogando pelo seu amor maior, o Bangu.

Hemetério era filho de Luis Fernandes de Almeida, um artesão da Casa da Moeda. Um homem pobre. Um homem humilde, Isto não impediu que ele criasse os 10 filhos que sobraram dos 13 que trouxe ao mundo. Criou um dos maiores pintores, Luíz Fernandes de Almeida, o mais velho, assistiu a formatura de Adelina, a mesma Adelina que meteu o guarda sol num bandeirinha, num jogo em Moça Bonita, quando este marcou uma falta contra o mano Hemetério.

Na pobreza de sua juventude Hemetério só tinha um prazer: o futebol. Sabia que não haveria problema de campos de futebol no seu Engenho de Dentro. Quanto mais no Engenho Novo. Hemetério jogou no Mackenzie, no Central e terminou sua carreira no Bangu.

Foi campeão em 1933. Começou ali em 1929.

Sua característica era a virilidade como atuava, seu destemor, seus chutes fortes, com as duas pernas, seus dribles curtos e seus lançamentos. Não fugia do pau. Enfrentava tudo, de igual para igual. Valente como ele só, passados 10 anos que deixara a bola e era fiscal da Viação Brasil, recolheu o dinheiro da féria e, na garage da praça Paris recebeu o convite de um chefe - ele e os demais fiscais - para visitarem o Cassino Atlântico, no seu último dia: o presidente Dutra mandara fechar todos os cassinos no dia 28 de fevereiro de 43.

Hemetério foi. Na entrada um bêbado gozou o grupo da Viação Brasil. Partiu para cima dele. Hemetério, valente como ele só, pediu que a gerência retirasse o incômodo cavalheiro. Foi atendido. Depois, na hora de sair do Cassino, "Canjica", seu colega de trabalho, sentiu no ar algo diferente:

- Vamos sair pela porta do fundo, pessoal.

- Menos eu, disse Hemetério.

E todos foram pela porta principal.

Só viram o mesmo bêbado de arma em punho. Um 38 negro:

- Cadê os valentes?

Todos pararam. Hemetério disse ao cidadão:

- Não tenho medo de homem e muito menos de quem se esconde por trás de uma arma. Vou tomar esse revólver.

O tiro pegou na barriga de Hemetério.

Ele caminhou até o agressor e tomou-lhe a arma. Foi para o hospital. Teve peritonite. Não havia antibióticos. Morreu no dia 19 de março de 1943.

Hemetério foi exemplo de fibra no futebol.

Foi exemplo de macho na vida real.

Foi um grande pai para Paulinho, Hélio e Neide.

Foi um péssimo soldado. E sabia disto.

Hoje, porém, está redimido pela sua "má conduta".

Luiz Paulo, seu filho mais velho, é o comandante da Escola de Educação Física do Exército. O caçula, Hélio, deixou o Exército no posto de tenente coronel.

Honraram a memória de Hemetério, o "praça" que fugia até da cadeia do quartel de Campinho para jogar pelo seu amor maior: o Bangu.

O tal soldado Buza, o campeão de 1933.


Texto: Carlos Lima
Fonte: Revista Bangu e Suas Glórias - Ano I - Novembro/1981

     
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