SEU
ZIZINHO - MEU PAI
Castor de Andrade
| Foto:
Revista Bangu e suas glórias |
| |
| Euzébio
Gonçalves de Andrade e Silva
(Seu Zizinho) ao lado de sua esposa
Dª Carmem Medeiros da Silva |
Recebi
uma incumbência do editor da Revista
para falar sobre alguém que é
tudo em minha vida: meu pai. O que se deve
falar de um pai?
Contar que ele é bom, que sempre cuidou
de todos nós, que nunca mediu esforços
para nos dar tudo?
Dizer que nos ensinou o caminho da vida, orientando
a mim e aos meus?
Ou será que tenho de escrever as mesmas
palavras que todo e qualquer filho escreve
sobre seus pais, dizendo que ele é
o maior amigo, é a voz que nos guia,
é a mão que nos ampara, é
o calor que nos aquece, é a lágrima
que chora por nós, é o riso
que se escancara na nossa boca?
Não quero dizer nada disto do meu pai.
Nem desejo falar que ele é ótimo,
ou que é maravilhoso.
Não teria palavras para contar o que
é meu pai, para mim, para os meus.
Também não é minha obrigação
escrever sobre meu pai.
Nem dizer que ele estará vivo sempre,
eternamente, no amor que nos legou, nas palavras
que ainda nos diz, nestes seus quase 81 anos
de vida.
Quero contar algo de meu pai mas sinto que
teria que falar antes de uma santa mulher,
d. Carmem. Dela seria até mais fácil
porque eu resumiria tudo numa palavra de três
letras e um acento: MÃE.
Falar de meu pai, porém, é muito
difícil. Lembrar dele como o homem
do trem?
Recordar-me dele como o homem das terras,
das fazendas?
Lembrar dele, pelo que me contam, correndo
atrás da bola no "Dramático"
de Realengo?
Ou será que poderia só fazê-lo
como homem do nosso Bangu?
Ninguém perseguiu tanto um campeonato
como o meu pai.
"Seu"
Zizinho - 2
Em 1966 ele conseguiu. O Bangu foi campeão.
O Bangu de meu pai.
O Bangu de doutor Silveirinha. Um outro pai
do nosso Bangu.
Um filho tão querido que todos avocam
para si a sua paternidade.
"Seu"
Zizinho - 3
É porem, como já disse um dia
doutor Silveirinha, um Bangu intransferível.
Por isso é que eu, Antenorzinho, Vivi,
Toninho, Paulinho Franchini, Ruy, outros e
outros diretores, a torcida inteira, a comunidade
toda, por isso mesmo é que estamos
juntos nesta luta para que o Bangu seja sempre
o Bangu do inesquecível Guilherme da
Silveira, de seu filho, doutor Silveirinha,
de meu pai, "seu" Zizinho.
Não será de mais ninguém,
me perdôem.
Não que não haja gente capaz
como os três: os dois Silveira e meu
pai. Há, sim. Apenas não haverá
maiores banguenses que eles.
É devido a tudo que disse acima que
não posso falar sobre meu pai.
Não me vejo capaz de fazê-lo.
Meu pai é história viva deste
mundo alvi-rubro que é o Bangu. Parte
de sua história, como da família
Silveira. Meu pai só me ensinou a amar
o Bangu. Mais nada.
O Bangu me ensinou, porém, a amar -
ainda mais -o pai que Deus me deu: "seu"
Zizinho.
"Seu"
Zizinho - 4
É, sim. Meu pai. Um grande amor. O
maior amor. Tão grande quanto o amor
que ele sempre dedicou ao Bangu. Um amor maior
do que se possa imaginar. Um amor que nunca
despertou ciúmes em D. Carmem, minha
mãe, que nunca se importava de saber
que o velho Zizinho tinha - e ainda tem -
uma mania, fora dela, dos filhos, da família:
o BANGU!
Sobre o que é um pai, eu li, não
me lembro onde, uma frase de um pensador indú
que dizia assim: "não se fala
do pai, se ama..."
Eu também.
Castor
Primavera - 1981
Fonte: Revista Bangu e Suas Glórias
- Ano I - Novembro de 1981