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O PRÍNCIPE DE BANGU
Rubens Feijão a explosão de mais um ídolo

Foto: Revista Placar fevereiro/1982

Ele é o grande nome do time que é a maior surpresa nesta Taça de Ouro. Uma estrela que já rivaliza com Zico, Cláudio Adão e Roberto Dinamite

Zico, sem dúvida o maior ídolo do futebol brasileiro, está enfrentando uma inesperada concorrência. Justamente em seu Estado, no subúrbio de Bangu, há algum tempo ele divide o entusiasmo dos torcedores com um pretinho magro (68 kg), alto (1,82 m), que tem marcado sua participação na Taça de Ouro com dribles mágicos, chutes mortíferos e gols maravilhosos.

É Rubens Feijão, 24 anos, o novo príncipe de Bangu. Título, aliás, que se justifica plenamente diante da atual situação da sua equipe, até há pouco tempo famosa apenas pelas atitudes do seu patrono, o célebre bicheiro Castor de Andrade - ele, sim, o Rei do bairro.

Foto: Revista Placar fevereiro/1982
Com Pelé, seu maior incentivador

Agora, o time ganhou o respeito dos adversários, tanto que lidera com folga o seu grupo na Taça de Ouro, e já há quem o compare ao grande Bangu do início da década de 60.

O maior responsável por tal transformação é justamente esse ponta-de-lança esguio, de pernas longas, criativo e corajoso, capaz de dar a confiança e a personalidade que faltavam ao Bangu.

Como reconhece o próprio Castor de Andrade:

- Feijão mostrou que, além da sabedoria e picardia, é imprescindível que haja também a juventude, criatividade e força de vontade para se ter uma equipe de respeito.

O recado tem endereço certo. No ano passado, seu time modificou o equilíbrio de forças no futebol carioca e chegou a ameaçar o reinado dos papões da cidade. Era o tempo das velhas raposas - Moisés, René, Marco Antônio, Carlos Roberto, Tobias, Alcino, Dé e Ademir Vicente -, primeira parte de uma estratégia armada para vigorar o Bangu, atrair a torcida e ganhar respeito dos adversários. Mas os resultados provavam que só a malandragem era insuficiente para compensar os músculos cansados. O exemplo marcante aconteceu num jogo contra o Vasco, quando o Bangu ganhava de 2 x 1 e foi perder de 3 x 2 no final.

Naquela noite, Rubens Feijão sentiu, dentro de sua ainda conturbada cabeça, os riscos de se repetirem os traumas vividos nos quase sete anos de Santos. Jovem e imaturo, ele sofria na carne a responsabilidade de ser um dos "meninos da Vila":

- Era um tormento chegar à Vila Belmiro - lembra. - Nos xingavam, nos chamavam de mascarados, peladeiros, e a gente não podia encarar a massa furiosa.

Dessa vez, porém, foi diferente. Castor de Andrade percebeu que apenas a catimba não levaria seu time longe e fez uma limpa no clube. Sobreviveram apenas os que aceitaram as novas regras: aplicação total nos treinamentos e cumprimento dos horários estabelecidos pela comissão técnica.

Foto: Revista Placar fevereiro/1982
O início nos juvenis do Taubaté

Foi a partir daí que Rubens Feijão tornou-se modelo para os companheiros.
No momento em que viu Carlos Roberto, Tobias, Ademir Vicente, veteranos que formavam na liderança do grupo, passarem cabisbaixos no departamento técnico para acertar suas transferências, ele decidiu dar sua cota extra de sacrifício:

- Procurei aperfeiçoar cada vez mais minhas virtudes. Mantinha minha conduta pessoal e profissional, cuidava para não escorregar nas noites do Rio de Janeiro, não me iludir com as mulheres de Copacabana. Senti que, para vencer no Bangu, onde o doutor Castor nos trata como filhos e não como empregados, era imprescindível estar atento a esses riscos.

Deu certo. Hoje, Rubens Feijão é o maior ídolo dos fiéis torcedores bangüenses e, principalmente, de Castor de Andrade, que, além de lhe dar dinheiro por fora, lhe agradece com estalados beijinhos no rosto, bem ao estilo de um capo da Máfia.

- É o meu "príncipe de ébano" -exulta Castor. - Feijão leva porrada e nem parece sentir as canelas. Dá uma esfregada com as mãos e sua vingança são os gols.

Foto: Revista Placar fevereiro/1982
Cresceu com os meninos do Santos

Outra medida prática do patrono Castor foi aumentar de 50 para 100 litros a cota gratuita de gasolina para o jogador se deslocar diariamente de Copacabana para Bangu - são 100 km de ida e volta.

Na verdade, Castor adotou Feijão por uma razão especial. No final de 1980, ele recebeu propostas milionárias do Las Palmas, da Espanha, e de um clube árabe, mas preferiu renovar com o Bangu até dezembro de 1983. E não se arrepende:

- No Bangu, há generosidade. Premia-se os que cumprem suas obrigações e deveres.Aqui sou tratado como um ídolo. Os meninos me cercam, pedem autógrafos, me cumprimentam como se eu fosse Zico, Roberto Dinamite ou Cláudio Adão. No Bangu eu sinto que estou nascendo para o futebol.


Repórter: Hideki Takizawa.
Fonte: Revista Placar, fevereiro de 1982.
          Revista gentilmente cedida por Leonardo Cesar (leoicet@terra.com.br).

     
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