Rio de Janeiro, segunda-feira, 24 de julho de 2017 - 21h50min
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ERRO DE APITO
Fluminense é campeão com ajuda do juiz

O carioca José Roberto Wright, 41 anos, viu-se, na última quarta-feira, sob os olhares atentos de 90.000 torcedores, diante de uma das mais dramáticas situações a que está sujeito um juiz de futebol - um pênalti no último minuto do jogo, capaz de mudar, no caso, não apenas o resultado da partida como a própria história de todo o campeonato. O tempo normal já se esgotara quando o atacante Cláudio Adão, do Bangu, foi derrubado dentro da área pelo zagueiro Vica, do Fluminense, num pênalti clamoroso que o Maracanã inteiro testemunhou. Se o juiz apitasse a falta, o Bangu teria uma esplêndida chance de empatar o jogo - até aquele instante, perdia por 2 a 1 - e ficar com o título de campeão. Wright, porém, preferiu voltar as costas para o problema e, assim, dar a vitória e o título ao Fluminense.

"Estava de costas para o lance, pois tinha apitado antes o fim do jogo", argumentou Wright, referindo-se a uma cena - a do apito final - que, ao contrário do pênalti não assinalado, ninguém notou no estádio lotado. "Foi um roubo descarado, mas agora não tem mais jeito", lamentava desolado, com as mãos na cabeça, o patrono do Bangu, Castor de Andrade. Castor estava duplamente certo: Wright falhara e sua falha não tinha mais conserto. Em futebol, o juiz tem poder absoluto para determinar o que está certo ou errado dentro das quatro linhas de jogo. Mesmo que se prove posteriormente que sua decisão foi equivocada, ou que o próprio juiz admita o erro, numa raríssima autocrítica, o mal jamais é reparado. O juiz pode até ser punido pelos tribunais esportivos ou pelos cartolas, mas o resultado do jogo é mantido. Em 1973, por exemplo, numa decisão do campeonato paulista, o grande Armando Marques errou a conta na disputa final de pênaltis entre Santos e Portuguesa. Constatada a falha, a solução para contorná-la foi declarar os dois times campeões.

Carreira agitada - Até aquele momento, Wright cumpria uma atuação praticamente sem falhas, confirmando sua condição de juiz competente, reconhecida pela própria FIFA, o órgão que governa o futebol mundial, de cujo quadro internacional de árbitros faz parte. O resultado do jogo era justo prêmio ao futebol superior apresentado pelo Fluminense. Depois de sofrer um gol aos 4 minutos, conseguiu marcar dois, mas a vitória e o título só foram garantidos com a inestimável colaboração de José Roberto Wright.

Embora Wright tenha integrado a equipe de atletismo do Fluminense nos anos 60, seria injusto acusá-lo de agir de má fé na decisão carioca. Nem foi essa a primeira confusão em que se meteu em 14 anos de carreira como juiz. Em 1981, ele encerrou prematuramente um jogo entre Flamengo e Atlético, pela Taça Libertadores da América, o campeonato sul-americano de clubes, ao expulsar cinco jogadores do time mineiro ainda no primeiro tempo. Graças a esse empurrão, o Flamengo acabaria campeão continental e mundial de clubes.

Um ano depois, Wright protagonizaria outro caso ainda mais extravagante. Em combinação com a TV Globo ele apitou o jogo final da Taça Guanabara, entre Flamengo e Vasco, com um gravador escondido sob a camisa. A idéia era mostrar na TV como jogadores e juízes se entendem, ou se desentendem, dentro do gramado. Indignados pelo que consideraram uma invasão de sua privacidade, os atletas das duas equipes fizeram uma denúncia contra o árbitro na Justiça Desportiva. Wright foi suspenso por 40 dias. Pelo menos naquela ocasião ele conseguiu desagradar a todos indistintamente.

Fonte: Revista Veja, 25/12/1985.

     
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