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PAULINHO CRICIÚMA, SONHO ORIENTAL

Um dos artilheiros do Campeonato Carioca, o meia do Bangu não se empolga com a boa fase. Só pensa em voltar para a Coréia do Sul.

Que jogador brasileiro não sonha fazer fortuna no eldorado europeu? Paulinho Criciúma, em termos, é uma rara exceção. De seus planos faz parte, naturalmente, uma longa temporada no exterior em busca de dólares. Joga seu desejo, porém, no outro lado do mundo. Seus delírios milionários são povoados por milenares imagens orientais. Ele não vê a hora de voltar ao futebol da Coréia do Sul.

Paulo Roberto Rocha, 25 anos, 1,80m e 78kg, meia-esquerda do Bangu, até o início de 1985 tinha uma história comum. Há exatamente uma década, ele começou a carreira em Criciúma, Santa Catarina. Depois, transferiu-se para o América de São José do Rio Preto.

Tudo começou a mudar num fevereiro, há três anos, quando desembarcou em Moça Bonita. No mês seguinte, o Bangu fez uma excursão à Coréia do Sul e ele marcou quatro gols que encantaram os dirigentes do Posco, o time de uma companhia de ferro e aço de Seul, capital do país.

Tanto os coreanos insistiram que a diretoria do Bangu decidiu emprestá-lo. Foi uma guinada de 180 graus na vida do artilheiro. No começo, sem entender o idioma, sentia-se solitário. Começou, então, a anotar num caderno escolar suas impressões sobre o exotismo dos orientais.

Algumas vezes, chegou mesmo a se assustar com o comportamento das pessoas. Como no dia que viu um zagueiro de seu time ser esbofeteado, sem reagir, pelo auxiliar técnico. Isto porque havia marcado um gol contra.

Em outra ocasião, numa tarde de muito calor, foi ao correio de calção e camiseta. Pouco acostumados com pessoas peludas, os coreanos olhavam-no, assustados, como a um homem das cavernas ressuscitado. Mais afoita, gritando histericamente, uma funcionária da agência chegou a pular o balcão para arrancar-lhe um punhado de pêlos do peito e da barba. "Quase morri de vergonha", recorda. Mesmo assim, Paulinho Criciúma aprendeu a gostar do país. Ganhou dinheiro para comprar dois imóveis no Brasil e aprendeu a falar coreano. Por isso quer voltar. "Os métodos dos técnicos de lá já não são tão rígidos."

Solteiro, ele não planeja criar raízes por aqui. Nem aproveitar a boa fase - até a semana passada, era um dos artilheiros do campeonato, com nove gols, atrás apenas da dupla Roberto e Romário, do Vasco, com treze cada. "Só quero voltar para a Coréia", confessa. "Amo aquele país e sua mística".

Fonte: Revista Placar nº 887 - 1º de junho de 1987.

     
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