1924
- REVOLUÇÃO NO FUTEBOL CARIOCA
Em
1924, ocorre a segunda cisão da história
do futebol carioca. Os desentendimentos, aliás,
começaram no ano anterior, mais precisamente
em 5 de novembro, quando Ernesto Loureiro
Filho, do Andaraí, clube que também
abrigava negro e mulatos em seu time, foi
eleito vice-presidente da Liga Metropolitana
de Desportos Terrestres (LMDT).
Há algum tempo, os principais clubes
já vinham formalizando protestos contra
os estatutos da entidade, que davam direito
de voto a agremiações secundárias,
como Modesto e Independência. Estes,
quase sempre, alegavam Bangu, Botafogo, Flamengo,
Fluminense e América, é que
decidiam as questões importantes pertinentes
ao futebol, embora muitos não possuíssem
sequer departamento deste esporte.
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| Américo
Pastor, grande atacante banguense. Irmão
do 1º secretário Guilherme
Pastor |
A
obrigatoriedade da partida eliminatória
entre o último colocado da Primeira
Divisão e o campeão da Segunda,
que voltara a ocorrer em 1923, também
ajudou a alimentar a polêmica. Naquele
ano, o Botafogo segurou a lanterna, e só
escapou do rebaixamento após vencer
o Vila Isabel por 3 a 1, nas Laranjeiras.
Diante dos fatos, os cinco grandes propõem
mudanças radicais, não só
na política de administração
da Liga, bem como na fórmula de disputa
do campeonato. Uma Assembléia Geral
foi convocada para 20 de fevereiro. Os 36
filiados compareceram e decidiram, por 21
a 15, que tudo deveria continuar como estava.
Foi então que o dirigente Mário
Polo, do Fluminense, falando em nome da coligação
formada pelos cinco grandes, anunciou o rompimento
com a LMDT e a criação de uma
nova entidade, a Associação
Metropolitana de Esportes Athléticos,
a ser presidida pelo presidente tricolor,
Arnaldo Guinle.
A AMEA é logo reconhecida pela CBD.
O Vasco e outros menores, que possuíam
"atletas de profissão duvidosa",
foram excluídos. Como era preciso manter
aparências e evitar que a nova entidade
fosse rotulada de preconceituosa, seus membros
abriram vaga para o Bangu, um clube de subúrbio,
mas cujos jogadores tinham ocupação
definida. Para todos os efeitos, eram todos
operários da fábrica, e não
levavam a vida "batendo bola", como
faziam, comprovadamente, por exemplo, os atletas
do Vasco.
Disputaram o campeonato da AMEA seus oito
filiados: América, Bangu, Botafogo,
Sport Club Brasil, Flamengo, Fluminense, Helênico
e São Cristóvão.
Fonte:
Apud. ASSAF, Roberto & MARTINS, Clóvis.
Campeonato Carioca 96 anos de História
(1902 - 1997). Rio de Janeiro. Irradiação
Cultural, 1997.
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| O
1º time banguense no campo das
Laranjeiras. Da esquerda para a direita:
John Hartley, Oswaldo Corrêa (Coquinho),
Luiz Antônio da Guia, Gabriel
Machado, Anchyses Carrilho, Antenor
Vicente Corrêa, Bernardino Granado
Coutinho (Dininho), Frederico Pinheiro,
Idílio Guerra, Antenor Ferreira
(Nonô) e Américo Pastor.
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Depois
desta confusão envolvendo os clubes,
o clima dentro do Bangu era um pouco tenso.
Na Assembléia Geral dos sócios,
James Schofield foi reeleito, assim como o
secretário Guilherme Pastor. O problema
seria o cargo de vice-presidente. De início,
o escocês e introdutor do futebol no
Brasil, Thomas Donohoe, foi eleito para o
posto, mas recusou. Em uma segunda votação
foi escolhido o Dr. Miguel José Pedro,
que era presidente da Liga Metropolitana de
Desportos Terrestres. Como o Bangu estava
se desligando desta entidade para entrar na
Associação Metropolitana de
Esportes Athléticos, o secretário
achou melhor impedir a posse de Miguel Pedro,
entrando em seu lugar o ex-presidente Ary
Azevedo Franco. Os outros cargos ficaram assim
distribuídos: 2º secretário:
Gustavo Martins; tesoureiro: Valente Rodrigues,
Ground Committee: Cândido Souza, Luiz
Antônio da Guia, Carlos Salino, Francisco
Pereira e Quirino Assunção;
Conselho Fiscal: Gentil Gonçalves,
Márcio Franco e José Villas
Boas.
| Equipe
de basquete do Bangu, que participou
do 1º Campeonato Carioca da categoria. |
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Fila do alto, da esquerda para a direita:
Carregal, Nequinho e Deco. Fila de baixo:
Roberto e Heitor. |
O
grande desfalque do Bangu para a temporada
de 1924 foi a saída do jogador de meio-campo
Brilhante (Alfredo Brilhante da Costa) para
o Vasco da Gama. Como se não bastasse
a ausência deste fenomenal atleta, o
Bangu também perdeu Waldemiro Silva,
jogador que estava desde 1920 no 1º quadro
e que foi brutalmente assassinado em 25 de
fevereiro de 1924.
Foi
neste ano que a AMEA criou os campeonatos
de basquete, vôlei e tênis. O
Bangu disputou todos os três certames.
Com exceção do tênis,
foi a primeira vez que o clube criou equipes
para estes esportes, obtendo os seguintes
desempenhos: Basquete (4 vitórias e
12 derrotas); Tênis (7 vitórias
e 9 derrotas); Vôlei (4 vitórias
e 6 derrotas). Praticamente, os mesmos atletas
que jogavam basquete, atuavam também
na equipe de vôlei. Nestes tempos pioneiros
isso era muito comum.
No Torneio Início, realizado nas Laranjeiras,
em 27 de abril, o Bangu estreou empatando
com o Flamengo por 1 a 1, gol de Américo
Pastor, mas perdeu no maior número
de escanteios, o critério de desempate
utilizado na época, por 4 a 2.
Curiosidades:
" O jogo entre Bangu e Fluminense, no
dia 4 de maio, na Rua Ferrer, foi a mais empolgante
da história dos Campeonatos Carioca.
No primeiro tempo, Nilo fez 1 a 0 para os
tricolores. Dininho empatou logo em seguida.
Mas, o mesmo Nilo marcou mais duas vezes,
deixando o placar em 3 a 1. Começa,
então, uma reação histórica
do Bangu, marcando três gols relâmpagos,
com Nonô, Anchyses e Antenor, deixando
os alvirrubros na frente por 4 a 3. No último
minuto do 1º tempo, Nilo volta a empatar:
4 a 4. Na etapa final, Moura Costa faz 5 a
4 para o Fluminense. Mas o Bangu não
desiste e Anchyses empata o jogo: 5 a 5.
Infelizmente este não era o nosso dia,
mas sim o do atacante tricolor Nilo, que marcou
6 a 5 para sua equipe, fechando o placar.
" Em 29 de junho, o Bangu vencia o América
por 2 a 1, em Campos Sales, quando o jogo
foi suspenso a doze minutos do final, por
invasão do campo dos torcedores revoltados
com o resultado. A partida foi dada como encerrada
e o Bangu ganhou os dois pontos.
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Veja os jogos do Bangu no ano de 1924.