ATENÇÃO
BANGUENSES: A TAÇA SUMIU!
| Foto:
Márcia Feitosa (Jornal dos Sports) |
| |
| SURPRESA
- Nélio Manfrenatti teve de se
contentar com a Taça Rio, pois
a conquistada em 66 desapareceu. Será
que foi derretida? |
Para
espanto de muitos torcedores, o Bangu tem
o mesmo número de pontos ganhos que
o Flamengo e só está na segunda
colocação do Campeonato Estadual
em razão do saldo de gols. Desse modo,
mais do que nunca, sonha com a conquista do
seu terceiro título na história
da competição.
O último deles, em 1966, foi épico,
conquistado após uma brilhante vitória
por 3 a 0 sobre o Flamengo. O jogo nem chegou
ao fim, devido a uma pancadaria provocada
pelo polêmico atacante Almir Pernambuquinho.
Nélio Manfrenatti, 63 anos, torcedor
fanático do Bangu, estava no Maracanã
naquela tarde histórica. E, para reviver
um pouco da emoção, foi convidado
pelo JORNAL DOS SPORTS para rever a taça
de 1966. Mas, chegando à sede social
do clube, teve uma desagradável surpresa:
o troféu desapareceu. E pior, ninguém
sabe onde está.
"Assumi a presidência há
pouco tempo e a história dessa taça
é um mistério. Talvez Rubinho
(o ex-presidente Rubens Lopes) saiba alguma
coisa", respondeu o atual presidente,
João Paulo Giancristóforo, questionado
sobre o desaparecimento.
Rubinho deu sua versão: "Essa
taça sumiu do Bangu há muito
tempo e ninguém sabe onde está.
Com certeza, algum torcedor muito zeloso a
levou para casa e ficou com ela."
Foi levantada a hipótese, não
confirmada, de a taça ter ficado com
a família do falecido patrono Castor
de Andrade, que durante anos comandou o clube.
Decepcionado, Nélio se contentou em
posar ao lado de outros troféus conquistados
pelo Bangu, com destaque para a Copa Rio,
segundo turno do Estadual de 1987.
"Não faz mal, não. Este
ano, o Bangu será campeão de
novo e essa taça não vai sumir.
Nem que eu tenha que tomar conta dela pessoalmente."
Fonte:
Jornal dos Sports (Repórter: Paulo
Rocha), 28/01/2003.
Nota de esclarecimento:
Trabalhei como Diretor de Patrimônio
Histórico do Bangu por três anos
(entre 1999 e 2001), e presenciei a construção
desta sala onde hoje ficam os troféus
do clube e a sua inauguração
em 17 de abril de 2000. A taça do Campeonato
Carioca de 1966 não foi entregue ao
final da partida contra o Flamengo, justamente
porque não se sabia se o título
ia ou não ser confirmado após
a paralização do jogo aos 26
minutos do segundo tempo por conflito generalizado.
Nenhum jornal do dia seguinte tem a foto da
taça, que ao que parece era muito semelhante
à do Torneio da Integração
de 1976 (ver foto na galeria de times), segundo
foto de 1967 no churrasco de comemoração
do Bangu, onde a taça estava sendo
exibida ao lado da Taça Semana da Marinha,
conquistada no jogo contra o Fluminense (a
última partida antes da final contra
o Flamengo). Porém, na falência
do Bangu em 1971, esta taça desapareceu.
Assim como a de 1933. Por isso, o Sr. Djalma
Antônio de Carvalho, atual Vice-Presidente
de Patrimônio Histórico, está
tentando empossar uma grandiosa taça
que temos lá como a taça de
1966, colocando a faixa de campeão
nela. O que eu considero muito sensato. O
presidente atual, Sr. João Paulo Giancristófaro
não pode simplesmente passar a responsabilidade
para o Sr. Rubens Lopes da Costa Filho, e
este não pode repassá-la ao
falecido Sr. Castor Gonçalves de Andrade
e Silva. O apagar das luzes de 1971, na gestão
do presidente José Augusto Salgado
de Carvalho, que herdou as crises anteriores
de Elias José Gaze e Orlando Lopes,
levou junto à taça.
O Sr. Nélio Manfrenatti pertence à
família do Sr. Delton de Oliveira Manfrenatti,
que na administração do presidente
Sérgio Saraiva (de 1977 a 1979), foi
vice-presidente do clube. Talvez ele saiba
algo também.
O próprio Jornal dos Sports já
havia feito matéria sobre o desaparecimento
da Taça no ano de 1985, entrevistando
inclusive o advogado do clube na época,
Sr. Humberto Gaze, e o presidente Sr. Rui
Esteves das Dores Filho.
O desaparecimento das taças de 1933,
1966 e do Torneio de Nova York 1960 é
um verdadeiro mistério, assim como
o desaparecimento do grande lustre que iluminava
o salão nobre do Bangu Atlético
Clube. Objetos gigantescos como estes só
desaparecem (ou são roubados) quando
há descaso da administração
do clube ou em caso de completa falência
financeira, como a que arrasou o nosso querido
Bangu no fatídico ano de 1971. Na época,
o clube chegou a fechar as portas, porém
parece que teve alguém que conseguiu
abri-las e levar o que lhe interessava.
Gostaria que a torcida banguense isentasse
de qualquer culpa a diretoria atual, pois
ela nada tem a ver com o caso. Esta é
a minha versão, em resposta à
matéria do Jornal dos Sports.
Carlos Molinari Rodrigues Severino