Rio de Janeiro, domingo, 28 de maio de 2017 - 07h23min
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ATENÇÃO BANGUENSES: A TAÇA SUMIU!

Foto: Márcia Feitosa (Jornal dos Sports)
SURPRESA - Nélio Manfrenatti teve de se contentar com a Taça Rio, pois a conquistada em 66 desapareceu. Será que foi derretida?

Para espanto de muitos torcedores, o Bangu tem o mesmo número de pontos ganhos que o Flamengo e só está na segunda colocação do Campeonato Estadual em razão do saldo de gols. Desse modo, mais do que nunca, sonha com a conquista do seu terceiro título na história da competição.

O último deles, em 1966, foi épico, conquistado após uma brilhante vitória por 3 a 0 sobre o Flamengo. O jogo nem chegou ao fim, devido a uma pancadaria provocada pelo polêmico atacante Almir Pernambuquinho.

Nélio Manfrenatti, 63 anos, torcedor fanático do Bangu, estava no Maracanã naquela tarde histórica. E, para reviver um pouco da emoção, foi convidado pelo JORNAL DOS SPORTS para rever a taça de 1966. Mas, chegando à sede social do clube, teve uma desagradável surpresa: o troféu desapareceu. E pior, ninguém sabe onde está.

"Assumi a presidência há pouco tempo e a história dessa taça é um mistério. Talvez Rubinho (o ex-presidente Rubens Lopes) saiba alguma coisa", respondeu o atual presidente, João Paulo Giancristóforo, questionado sobre o desaparecimento.

Rubinho deu sua versão: "Essa taça sumiu do Bangu há muito tempo e ninguém sabe onde está. Com certeza, algum torcedor muito zeloso a levou para casa e ficou com ela."

Foi levantada a hipótese, não confirmada, de a taça ter ficado com a família do falecido patrono Castor de Andrade, que durante anos comandou o clube.

Decepcionado, Nélio se contentou em posar ao lado de outros troféus conquistados pelo Bangu, com destaque para a Copa Rio, segundo turno do Estadual de 1987.

"Não faz mal, não. Este ano, o Bangu será campeão de novo e essa taça não vai sumir. Nem que eu tenha que tomar conta dela pessoalmente."


Fonte: Jornal dos Sports (Repórter: Paulo Rocha), 28/01/2003.


Nota de esclarecimento:


Trabalhei como Diretor de Patrimônio Histórico do Bangu por três anos (entre 1999 e 2001), e presenciei a construção desta sala onde hoje ficam os troféus do clube e a sua inauguração em 17 de abril de 2000. A taça do Campeonato Carioca de 1966 não foi entregue ao final da partida contra o Flamengo, justamente porque não se sabia se o título ia ou não ser confirmado após a paralização do jogo aos 26 minutos do segundo tempo por conflito generalizado. Nenhum jornal do dia seguinte tem a foto da taça, que ao que parece era muito semelhante à do Torneio da Integração de 1976 (ver foto na galeria de times), segundo foto de 1967 no churrasco de comemoração do Bangu, onde a taça estava sendo exibida ao lado da Taça Semana da Marinha, conquistada no jogo contra o Fluminense (a última partida antes da final contra o Flamengo). Porém, na falência do Bangu em 1971, esta taça desapareceu. Assim como a de 1933. Por isso, o Sr. Djalma Antônio de Carvalho, atual Vice-Presidente de Patrimônio Histórico, está tentando empossar uma grandiosa taça que temos lá como a taça de 1966, colocando a faixa de campeão nela. O que eu considero muito sensato. O presidente atual, Sr. João Paulo Giancristófaro não pode simplesmente passar a responsabilidade para o Sr. Rubens Lopes da Costa Filho, e este não pode repassá-la ao falecido Sr. Castor Gonçalves de Andrade e Silva. O apagar das luzes de 1971, na gestão do presidente José Augusto Salgado de Carvalho, que herdou as crises anteriores de Elias José Gaze e Orlando Lopes, levou junto à taça.

O Sr. Nélio Manfrenatti pertence à família do Sr. Delton de Oliveira Manfrenatti, que na administração do presidente Sérgio Saraiva (de 1977 a 1979), foi vice-presidente do clube. Talvez ele saiba algo também.

O próprio Jornal dos Sports já havia feito matéria sobre o desaparecimento da Taça no ano de 1985, entrevistando inclusive o advogado do clube na época, Sr. Humberto Gaze, e o presidente Sr. Rui Esteves das Dores Filho.

O desaparecimento das taças de 1933, 1966 e do Torneio de Nova York 1960 é um verdadeiro mistério, assim como o desaparecimento do grande lustre que iluminava o salão nobre do Bangu Atlético Clube. Objetos gigantescos como estes só desaparecem (ou são roubados) quando há descaso da administração do clube ou em caso de completa falência financeira, como a que arrasou o nosso querido Bangu no fatídico ano de 1971. Na época, o clube chegou a fechar as portas, porém parece que teve alguém que conseguiu abri-las e levar o que lhe interessava.

Gostaria que a torcida banguense isentasse de qualquer culpa a diretoria atual, pois ela nada tem a ver com o caso. Esta é a minha versão, em resposta à matéria do Jornal dos Sports.


Carlos Molinari Rodrigues Severino

     
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