SEMIFINAL
QUE VALE POR UMA VITÓRIA
Quando
o Bangu Atlético Clube entrar em campo
hoje para enfrentar o Volta Redonda, às
17h, em Moça Bonita, seus dirigentes
estarão com um olho no gramado e outro
na arquibancada. O clube espera muito do departamento
de futebol e dos torcedores para voltar a
ter força. A meta é se classificar
para as semifinais do Estadual, conquistando
nova cota de televisionamento (R$ 200 mil)
que garantirá a tranqüilidade
no orçamento, chegando a 2004, ano
do centenário, em situação
melhor.
Com as finanças equilibradas, o clube
pretende atrair sócios e investir na
infra-estrutura. Caso o time não se
acerte em campo, será necessário
vender os jogadores para pagar as contas.
Só o departamento de futebol recebe
em dia. O clube investe em categorias de base
tanto para reforçar seus próprios
times quanto para negociar atletas.
Rubens Lopes deixou a presidência para
assumir a vice-presidência de coordenação-geral
da federação (Ferj). Em seu
lugar, João Paulo Giancristoforo comandará
o Bangu, estando à frente no centenário,
em 17 de abril de 2004.
— Vou dar continuação
ao trabalho dos outros presidentes. Nosso
maior objetivo é fazer o clube crescer.
Para isso, precisamos de mais sócios
e receita. O Bangu deve ter 500 sócios
pagantes, pouco para tanta tradição.
Uma das nossas estratégias é
usar o centenário para mobilizar os
torcedores — diz Giancristoforo.
Outro exemplo do aumento da força política
está no Tribunal de Justiça
Desportiva, presidido pelo Sérgio Saraiva,
ex-presidente do Bangu.
O clube precisa investir mas não tem
dinheiro. Por isso, conta com parceiros como
o fenômeno Ronaldinho, que empresta
sua marca; empresas de marketing esportivo,
que negociam jogadores; e da prefeitura, que
reformará a sua sede social.
O Estádio Proletário Guilherme
da Silveira, com capacidade para 15 mil torcedores,
seria modernizado para abrigar o Pan 2007
mas a prefeitura preferiu construir outro,
no Engenho de Dentro.
A situação do clube
ORÇAMENTO: O clube fez um
planejamento de 90 dias (janeiro, fevereiro
e março) contando com a cota inicial
de TV do Campeonato Estadual (R$ 170 mil),
bilheteria e cota da Copa do Brasil, ainda
não divulgada.
COTA EXTRA: Para equilibrar as contas, o clube
precisa chegar às semifinais do campeonato
estadual e garantir nova cota de TV, de R$
200 mil.
JOGADORES: O clube tem 27 jogadores; 15 deles
vieram das categorias de base.
Clube se prepara para centenário
| Foto:
O Globo On Line |
| |
| Danilo
Soares, 10 anos, artilheiro da categoria
mirim: investimento |
O
Bangu já está se preparando
para comemorar o seu centenário, que
será completado no dia 17 de abril
de 2004. A logomarca comemorativa foi aprovada
pelo conselho deliberativo por unanimidade
no mês passado e leva a assinatura de
Clécio Régis.
Ainda não há um calendário
oficial de eventos mas a expectativa é
de que a data seja marcada por uniformes,
livro, selo, flâmula, distintivos, chaveiros,
medalhas, diplomas, postais, CDs, bonés,
documentário, camisetas, bandeiras
e coreto no carnaval 2004 (no Largo da Igreja)
em homenagem ao clube.
— Sabemos que o clube está em
dificuldades financeiras. Por isso, não
cobrei nada pelo meu trabalho. A concepção
foi do Grêmio Literário José
Mauro Vasconcelos. Vamos procurar apoio e
patrocínio para garantir a festa —
afirma Clécio Régis.
O objetivo é mobilizar o bairro em
função do clube, incluindo o
Grêmio Literário José
Mauro Vasconcelos, que também participará
das comemorações.
— Tivemos a idéia de fazer o
coreto de carnaval homenageando o clube. Também
queremos fazer uma exposição
e um baile com a orquestra Tabajara. O Bangu
surgiu em função da fábrica
e queremos aproveitar as festividades para
provar que a primeira bola do Brasil veio
para os jardins da empresa — diz Benê
Venuto, historiador e presidente do grêmio
literário.
Os arquivos do grupo serão fundamentais
para que o clube consiga contar a sua história.
O livro comemorativo terá a coordenação
do ex-presidente Rubens Lopes:
— Deixar a presidência do Bangu
às vésperas do centenário
é uma prova de que estou desprendido
da vaidade. Agora, só ajudarei o clube
e escreverei o livro comemorativo. Minha idéia
é dar espaço para todos os ex-presidentes.
Não sei ainda que forma terá
o livro, mas quero mostrar que o clube é
um pioneiro e reforçar a sua identificação
com o bairro.
Entre as histórias que Lopes pretende
recontar, figuram a tentativa de comprovação
de que a primeira bola a vir para o Brasil
foi para a fábrica. Outro orgulho do
clube já foi reconhecido: ser o primeiro
a aceitar atletas negros. O ex-presidente
ainda enumera outras inovações.
— O Bangu foi o primeiro clube do mundo
a usar propaganda na camisa, da Fábrica
Bangu. Foi também o primeiro no Brasil
a usar propaganda estática no estádio
e venceu o primeiro campeonato estadual em
1933 — afirma o ex-presidente do clube.
Outra boa lembrança vai ser a conquista
do título estadual de 1966.
Fonte:
Jornal O Globo - Bairros: Zona Oeste (Repórter:
Cláudio Motta), 02/02/2003.