BANGU ATLÉTICO CLUBE: 99 ANOS
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Foto:
Grêmio Literário José Mauro
de Vasconcelos
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Os
negros Manoel Maia (Em pé, ao centro)
e Alfredo Guedes de Melo (sentado à esquerda),
no time do Bangu que checgou na quinta colocação
do primeiro Campeonato Carioca da história,
em 1906
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O
Bangu e as origens do futebol no Brasil
Fonte:
Lance! (Coluna Papo com Assaf - Roberto Assaf)
O Bangu Atlético
Clube completa 99 anos na próxima quinta-feira.
No momento em que pesquisadores começam a buscar
provas de que a prática do futebol no país
foi introduzida pelos britânicos que chegaram
ao bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro na última
década do século 19, para trabalhar
na Companhia Progresso Industrial do Brasil - a Fábrica
Bangu.
Conta o excelente "Visão do Jogo",
do historiador José Moraes dos Santos Neto,
publicado em 2002, que jesuítas do Colégio
São Luís, de Itu, interior paulista,
estabeleceram naquela escola entre 1880 e 1890 um
punhado de práticas esportivas, entre as quais
o futebol. Mas ressalta que era uma atividade distinta
daquela que viria a ganhar popularidade no Brasil.
"Padres e alunos jogavam juntos. Mas não
praticavam o chamado association football, que pressupõe
a formação de dois times e a existência
de um conjunto de regras, mas sim um bater bola na
parede, chamado de bate bola", conta Santos Neto.
O autor ressalta em seguida, sem precisar o mês,
que em 1894 o futebol praticado no São Luis
"deixou de ser uma brincadeira de chutes na parede
e se aproximou do jogo que conhecemos".
Pois em 1891, quatro entusiastas do tal association
football - Andrew Procter, Thomas Donohue, Thomas
Hellowell e William French - deixaram a Pat Brothers,
sediada em Southampton, para reforçar o quadro
de empregados da Fábrica Bangu. Em abril de
1894, o escocês Donohue viajou ao Reino Unido
e retornou das férias com bolas e chuteiras
na bagagem. Donohue teria promovido peladas em terreno
próximo aos prédios da Fábrica
Bangu, seis meses antes que Charles Miller voltasse
da Inglaterra.
Miller foi o paulista filho de ingleses que voltou
da pátria de seus pais em outubro de 1894,
trazendo, a exemplo de Donohue, bolas e chuteiras,
introduzindo o futebol entre nós, de acordo
com a história oficial que está em todas
as enciclopédias - a história que Santos
Neto começou a desmistificar e que outros pesquisadores
estão procurando provar, via Bangu, que é
tão somente parte importante da introdução
do futebol no Brasil.
Ferreira, o estraga-prazeres
A pelada que Procter, Donohue, Hellowell e French
começaram a jogar todos os domingos logo transformou-se
no principal lazer dos britânicos, naquele mundão
de Bangu de fim de século. Em 1897, tomou corpo
entre a colônia a possibilidade de se fundar
um clube para a prática do futebol. Restava
apenas assinar a ata, mera formalidade. Mas o secretário
da fábrica, Eduardo Gomes Ferreira, abortou
a iniciativa, alegando que jogos, e não importava
de que natureza, eram nocivos à sociedade.
Pois não fosse o tal Ferreira e o Bangu teria
sido o primeiro clube fundado no Brasil para a prática
do futebol.
Donohue e os companheiros, entretanto, não
desanimaram. Trataram de ir aos poucos semeando o
gosto pelo chamado esporte bretão entre os
operários.
No começo de 1904, Ferreira saiu enfim de cena
e a nova administração da fábrica
resolveu apoiar os britânicos. A 17 de abril
daquele ano, era criado o "The Bangu Athletic
Club". João Ferrer, o secretário
que substituíra o intransigente Ferreira, foi
aclamado presidente honorário. As cores adotadas
foram o vermelho e o branco, em homenagem a São
Jorge, padroeiro da Inglaterra.
A luta contra o preconceito
Dois fatos importantes na história do Bangu:
o clube tomou parte na fundação da primeira
liga de futebol do Rio, em 21 de maio de 1905. E foi
o primeiro clube no Brasil a escalar um jogador negro,
Francisco Carregal. O ato só foi definitivamente
reconhecido 96 anos depois, em 24 de maio de 2001,
quando a Assembléia Legislativa do Estado concedeu
ao alvirubro a Medalha Tiradentes, "por sua luta
contra a discriminação racial".
1933 - Pioneiro - primeiro campeão
O Bangu foi o primeiro campeão profissional
do Rio, em 1933. No jogo do título, 4 a 0 no
Fluminense, nas Laranjeiras.
Estréia trágica
O Bangu disputou sua primeira partida em 24 de julho
de 1904, em Niterói, e perdeu de 5 a 0 para
o Rio Cricket local. E o Bangu também participou
do primeiro Campeonato Carioca da história
em 1906. Estreou em 20 de maio, derrotando o Football
& Athletic por 3 a 1, num campo que Ferrer mandou
fazer, à Rua Estevão. O clube terminou
a competição em quinto e penúltimo
lugar, com seis pontos ganhos, a 12 do campeão,
o Fluminense. No Bangu, destacavam-se outros dois
jogadores negros, Manoel Maia e Alfredo Guedes de
Mello.
1966 - Última festa - Baile no Maracanã
O Bangu ganhou seu último título carioca
em 1966, no dia 18 de dezembro, derrotando o Flamengo
por 3 a 0 no Maracanã.
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Bangu,
há 99 anos passarela de craques
Fonte:
Jornal dos Sports (Eduardo Balbino)
A um ano do centenário,
clube de Moça Bonita está distante dos
seus tempos de glória
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Foto:
Banco de dados JS - 15/11/1933
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Hoje
é dia de festa na Zona Oeste do Rio. O Bangu,
tradicional clube do subúrbio carioca, completa
99 anos de existência. Porém, as glórias,
como os títulos cariocas de 1933 e 1966 e o
vice-campeonato brasileiro de 1985, ficaram no passado
e a perspectiva de um futuro melhor é pequena.
Prestes a completar um século de vida, o Bangu
é um dos que sofrem com a estrutura do futebol
brasileiro e jogadores como Domingos e Ademir da Guia,
Zizinho, Zózimo e Marinho, que já fizeram
história com a camisa alvirrubra, são
realidades cada vez mais distantes de Moça
Bonita, para a tristeza da pequena, porém fiel
torcida.
A bagunça do nosso futebol atinge em cheio
os clubes de baixo investimento do Rio de Janeiro
e afeta diretamente a captação de recursos
e o planejamento de suas diretorias. O Campeonato
Brasileiro da Série C, por exemplo, não
tem data para começar e o Bangu está
com seu departamento de futebol parado, pois não
recebe informações da CBF. Não
sabemos nada sobre a Série C. Precisamos de
alguma notícia para manter os jogadores em
atividade, disse o técnico Tita.
No entanto, a falta de informações quanto
à participação em um nova competição
oficial deixa todos no clube sem saber o que fazer:
A Segunda Divisão demorou para ser definida,
imagine a Terceira Divisão. Estamos há
um mês e meio parados e esperando o que vai
acontecer, acrescentou.
A última partida oficial do clube foi contra
o Olaria, no dia 1 de março (*),
em Moça Bonita, pela última rodada do
Campeonato Estadual. O Bangu terminou em sexto lugar,
o que lhe garantiu uma vaga na Copa do Brasil de 2004.
Apesar das dificuldades, o sonho de completar 100
anos de vida está cada vez mais perto. A torcida
espera por dias melhores, pois como diz o hino do
clube, o Bangu tem também a sua história
e sua glória.
(*)
A última partida oficial do Bangu foi realizada
dia 12/03, pela Copa do Brasil, contra o Gama-DF.
Início foi na fábrica de tecidos
Fundado em 17 de abril de 1904 por funcionários
ingleses da Companhia Progresso Industrial, uma fábrica
de tecidos da Zona Oeste, o Bangu tem sua história
marcada por traços de pioneirismo. Segundo
historiadores, o clube foi responsável pela
democratização do futebol brasileiro,
numa época em que a elite dominava o esporte.
Tanto funcionários quanto diretores ingleses
da empresa atuavam pelo time principal. O Bangu chegou
ao seu primeiro título estadual em 1933. Em
66, sob o comando do paraguaio Alfredo González,
o Bangu ficou novamente com o título carioca.
Vários craques desfilaram em Moça Bonita:
Domingos da Guia, considerado por muitos o melhor
zagueiro-central do nosso futebol, e seu filho, Ademir
da Guia. Além deles, Mendonça (zagueiro),
Nívio, Décio Esteves, Vermelho, Alaíne,
Zizinho, Zózimo, Mauro Galvão, entre
outros, fazem parte da sua história.
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Palavra
do presidente
Fonte:
Bangu A. C. (J.C.Pires - Assessor de Comunicação)
Festa maior será
no ano do centenário
Ao completar 99 anos de existência, lutas
e glórias, parabenizamos a todos os banguenses
pelo apoio, dedicação e trabalho para
o engrandecimento de nosso clube. Este ano não
nos foi possível maiores comemorações,
face a algumas dificuldades, somadas à lamentável
e triste ocorrência do falecimento, nesta data,
do pai do Vice-Presidente de Esportes Rogério
Melo, o que inibiu completamente as comemorações
desta data. Esperamos que no ano de 2004, a festa
do centenário venha a ser a festa do século.
Saudações banguenses,
João Paulo Giancristoforo,
Presidente