Maria
Pimenta largou a profissão para
criar os filhos, mas voltou há
três anos: O jornalismo
está no sangue, diz
Atração
do Bangu 1 x 1 Olaria de ontem foi a repórter
Maria Pimenta, rompendo os preconceitos na
'latinha'
Em Moça Bonita, quem fala mais alto
é Maria Pimenta. Óculos escuros,
maquiagem em cima do lance e latinha
em punho, a única mulher entre os marmanjos
da imprensa a cobrir o empate de 1 a 1 entre
Bangu e Olaria, em Moça Bonita, pela
Série C do Brasileirão, dá
aula àquelas que temem lutar por seus
objetivos.
Sou apaixonada por futebol. Com 5 anos,
meu pai, Gilberto Gonçalves, já
me levava aos jogos. Sou formada há
20 anos e o jornalismo está no meu
sangue, garante.
Enquanto os jogadores de Bangu e Olaria travavam
um duelo de categoria duvidosa em campo, fora
dele, Maria Pimenta, repórter da FM
Bangu 97.7, uma rádio comunitária,
dava olé no preconceito.
Ele existe, mas jornalismo esportivo
não é só para homem,
não. A mulher tem de ocupar seu espaço.
É o que decidi fazer há três
anos, afirma a repórter, formada
há 20 anos e cuja idade não
revela.
Aos 32 minutos, Celso faz o gol Olaria. Acionada
da tribuna pelo locutor Luís Henrique,
ela revive o lance. É Luís,
a defesa do Bangu bobeou, Celso subiu de cabeça
e o goleiro Peterson nada pôde fazer.
Olaria 1 a 0!, destaca a trepidante
Maria Pimenta.
Casada há 25 anos, ela faz o que mais
gosta. Interrompi a carreira quando
nasceram meus filhos, Lorena, 24 anos, e Leonardo,
23. Tive de me dedicar à família,
conta.
O Bangu vai ao ataque e, aos 36 minutos, Rogério
decreta o empate. Maria Pimenta entra de novo
em ação. É o empate
do Bangu! Centro de Salles, Rogério
cabeceou, a bola bateu na trave e entrou!
1 a 1, Luís!
Intervalo de jogo. Após as entrevistas,
ela revela-se dublê de repórter
e doméstica. A casa dá
mais trabalho. Eu me considero uma guerreira.
A nossa tem 12 cômodos e eu é
que faço a faxina. Sem falar na Tande
(pastora alemã) e no Petruchio (peixe),
pois também cuido deles, revela.
Além das transmissões dos jogos,
em Moça Bonita, diariamente pela manhã
ela faz um programa de esportes na rádio.
Nascida em Bangu, Maria Pimenta fala das agruras
da profissão, sem perder a pose.
Já fui até atropelada
por um câmera de TV, que levou meu fone.
Às vezes, me chamam de Maria Padilha,
mas já falei que não tenho cara
de pomba-gira, diverte-se ela.
Mas Maria Pimenta se impõe como profissional:
Nunca fui destratada por jogador, técnico
ou juiz. Eles me respeitam até mais
do que às pessoas próximas de
mim, ressalta.
Sobre os impropérios que vêm
das arquibancadas, Maria Pimenta não
se importa.
Ah! Já me chamaram de tudo: piranha,
galinha, mas aqui, no campo, sou como um homem.
Não estou nem aí, porque faço
rádio com amor. E ainda quero cobrir
uma Copa do Mundo, vibra a trepidante
de Moça Bonita.
Fonte:
O Dia (Repórter: José Luiz de
Pinho), 25/09/2003.