CAIXA
D'ÁGUA NA CABEÇA
Dívidas
dos clubes de futebol do Rio com a Cedae ultrapassam
R$ 2 milhões
| Foto:
Marcelo Theobald/1-9-2003
(O Globo) |
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| O
GATO TRICOLOR na rua Pinheiro Machado:
o clube acabou multado pela Cedae |
Um
oceano separa Botafogo, Flamengo, Fluminense
e Vasco de Antonina, Cabuçu, Jahu,
Tamoio e Tomazinho, clubes filiados às
ligas amadoras ou que disputam, no máximo,
a terceira divisão estadual. Um lençol
freático os torna iguais entre si,
independentemente do espaço que lhes
é reservado na história do futebol
brasileiro. Juntamente com América,
Americano, Bangu, Bonsucesso, Campo Grande,
Pavunense e São Cristóvão,
todos têm alguma pendência ou
fazem parte da lista de devedores da Companhia
Estadual de Águas e Esgotos (Cedae).
Somados, os débitos computados até
novembro deste ano chegam a R$ 2.205.319,70.
A situação é considerada
grave pela direção da companhia,
pois, caso os clubes pagassem pelos serviços
fornecidos, ajudariam a Cedae a saldar compromissos,
comprar materiais e a atender com mais eficiência
a população dos 62 municípios
onde atua.
- Estamos abertos e receptivos a todos os
inadimplentes interessados em negociar suas
dívidas, facilitando pagamentos dentro
da política estabelecida pela companhia
- disse o diretor comercial da Cedae, Lutero
de Castro Cardoso.
Para companhia, Fla é o maior devedor
| Foto:
Jorge William/12-8-2003
(O Globo) |
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| FUNCIONÁRIA
CARREGA um balde, em agosto, na Gávea:
Fla contesta a dívida |
Os
quatro grandes da capital são os que
mais "bebem água da fonte"
sem pagar. O Flamengo, que em agosto teve
o fornecimento suspenso por inadimplência,
obrigando funcionários e até
jogadores a tomarem banho em casa, é
o número um da lista de devedores.
De acordo com a Cedae, pelo consumo aferido
pelos hidrômetros localizados na Rua
Mário Ribeiro, na Gávea, e na
Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa, o rubro-negro
tem de pagar R$ 635.072,34. O vice de finanças
do clube, Luís Felipe Brandão,
porém, não só contesta
a dívida como sustenta que a companhia
é que deve dinheiro ao Flamengo:
- Achamos o valor que nos vinha sendo cobrado
absurdo e contratamos uma firma para verificar
o consumo. A conclusão foi de que o
Flamengo realmente pagava mais do que devia.
Fomos à Justiça e, hoje, pagamos
R$ 35 mil mensais em juízo, e não
os R$ 60 mil que estávamos acostumados.
Essa firma que nos prestou serviço
ainda entende que a Cedae nos deve dinheiro
por cobranças irregulares.
Na contabilidade da companhia, o débito
do Botafogo é de R$ 299.088,10. Em
dezembro, começarão a ser cobrados
outros R$ 117,5 mil devidos desde maio de
2001 e negociados por administrações
anteriores à do presidente Bebeto de
Freitas. Este reconhece a existência
de uma dívida, não a nega, mas,
sutilmente, dá a entender que pagará
quando puder:
- Temos de encontrar um solução
para resolver esse problema, mas o prazo é
o nosso.
Em agosto, o Fluminense foi multado pela descoberta
de um "gato" de três polegadas
de diâmetro que abastecia a sede das
Laranjeiras. A dívida tricolor chegou
a R$ 306 mil, mas foi equacionada com a companhia.
Hoje, o clube paga R$ 97 mil mensais por contas
de água e esgoto, mais o parcelamento
do débito. Atualmente, é considerado
adimplente.
- A própria Cedae reconheceu que a
instalação irregular era coisa
antiga, não havia sido feita pela nossa
administração. Está tudo
normalizado - explica o superintendente Carlos
Henrique Correia.
O Vasco, curiosamente, está em dia,
mas causou estranheza à Cedae o baixo
consumo em sua sede, que gerava uma conta
mensal de R$ 14 mil a R$ 18 mil. Para acabar
com as dúvidas, técnicos fizeram
uma vistoria-surpresa em São Januário
no última segunda-feira e descobriram
cinco poços artesianos que retiravam
água ilegalmente de lençóis
freáticos de área, onde existe
rede de abastecimento.
Como a perfuração de tais poços
não foi solicitada à Cedae,
como estabelece a Política Nacional
de Recursos Hídricos e o decreto regulador
dos serviços de abastecimento e esgotamento
sanitário realizado pela companhia,
a direção da empresa vai contestar
o Vasco por via judicial.
- O clube está rigorosamente em dia
com a Cedae e essa contestação
é uma prova de que eles não
têm mais o que fazer. Podemos perfurar
o que quisermos, contanto que não haja
passagem fluvial no solo - alegou o assessor
da presidência Ricardo Vasconcelos.
| Editoria
de Arte (O Globo) |
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Fonte:
Jornal O Globo (Repórter: Fábio
Juppa), 05/12/2003.