A
advogada Rita de Cássia, comandante
do Bangu, espera entrar para a história
do futebol
Rita
de Cássia espera que o time do
Bangu faça um bonito papel no
Estadual, no ano que o clube da Zona
Oeste festeja o seu centenário
Quem
disse que mulher não entende de futebol?
A história prova o contrário.
O esporte, antes praticado só por homens,
não pára de ganhar a presença
feminina. Elas começaram calçando
chuteiras, logo disputaram campeonatos e,
em pouco tempo, ganharam destaque em Olimpíadas
e até se tornaram árbitras.
Agora, elas mandam. Quem não se lembra
de Marlene Matheus presidindo o Corinthians
de 91 a 93? No Bangu, o poder está
nas mãos da advogada Rita de Cássia,
de 50 anos.
Como
você vê, as mulheres estão
tomando conta, brinca a presidente,
recém-empossada, este mês, por
unanimidade.
Rita chegou ao Bangu por acaso. Um anúncio
no jornal oferecendo emprego na secretaria
do clube lhe chamou a atenção,
em 91. O Carnaval na região bombava
(a vizinha Mocidade de Padre Miguel que o
diga) e ela se inscreveu, atrás de
trabalho nos bailes de Moça Bonita.
Não demorou e logo foi transferida
para o departamento social. Até que,
em 93, foi chefiar do departamento técnico
de futebol.
Em 2001, foi nomeada vice-presidente pelo
Conselho Deliberativo. E, no ano seguinte,
foi mantida no cargo desta vez, através
do voto. Trabalho sem preconceito. Até
hoje não tive problemas, garante
a cartola.
A rigor, Rita deve ter agradado em suas tarefas
administrativas. Caso contrário, não
teria sido a escolhida de Rubens Lopez
cartola afastado, entre aspas, depois de assumir
a vice-presidência da Federação.
Mesmo como testa-de-ferro de Rubinho, ela
promete arregaçar as mangas para defender
os interesses banguenses.
Irei a todas as reuniões do conselho
arbitral. Não vou me intimidar,
garante a presidente, orgulhosa por governar
o clube justo no ano do seu centenário.
Rita não tem a mesma receita de Florentino
Perez no Real Madrid. Dentro dessa realidade,
seus planos para o Estadual são modestos.
O time conta com um elenco formado por jogadores
e técnico (Marcelo Cabo) desconhecidos.
A esperança é a última
que morre. Quero ser campeã. Mas, diante
de nossas dificuldades, uma quinta colocação
ia bem. Ser Bangu é torcer na vitória
e na derrota, apela a presidente.
Em casa, o marido é avesso a futebol.
Assim como ela, até antes de 91, quando
era uma discreta torcedora do Botafogo. Mas,
em casa, não lhe falta apoio. Saio
às 9h e só volto depois das
22h. O futebol mexe com minha vida particular.
Mas a família entende.
Se tivesse os milhões investidos no
Real Madrid, alguns nomes seriam certos no
clube de Moça Bonita. Para treinador,
Carlos Alberto Parreira. Quanto aos reforços,
Júlio César, Edmundo, Ronaldo
e Ronaldinho Gaúcho. E Romário?
Não. Ele é cobiçado
por todos os clubes, mas não o contrataria,
não, responde Rita, moradora
de Padre Miguel.
Fonte:
Jornal O Dia (Repórter: Hilton Mattos),
25/01/2004.