Rio de Janeiro, sábado, 23 de setembro de 2017 - 06h21min
Clube
História
Estádios
Símbolos
Presidentes
Futebol
Jogos
Títulos
Atletas
Técnicos
Competições
Informação
Livros
Crônicas
Reportagens
Por onde anda?
Estatísticas
Gerais
Confrontos
Campanhas
Ranking CBF
Competições
Multimídia
Fotos
Áudios
Vídeos

» 1ª Página » Informação » Reportagens

AMÉRICA E BANGU: DESAFIO NO ANO DO CENTENÁRIO

O apito da fábrica de tecidos, sinal da fase áurea do bairro de Bangu, calou-se nos anos 90. Na Zona Norte do Rio, os anos dourados já não brilham mais. O aprazível Andaraí hoje é cenário de novela. Parte da elite tijucana migrou para outras regiões. O América continua lá, mas seu futebol agora mora na Baixada. Na Zona Oeste, o Bangu resiste ao tempo. Os dois clubes, que foram fundados por ingleses e celebram seu centenário este ano, têm glórias no passado e uma dúvida quanto ao futuro.

Na última temporada os dois times foram praticamente dissolvidos em março e remontados em setembro para a Série C do Brasileiro. O calendário, ingrato com os chamados pequenos, não lhes permite manter um elenco em atividade o ano todo. A incerteza dá lugar ao otimismo efêmero sempre que o Estadual vai começar. O América, dono de sete títulos (1913/16/22/28/31/35/60), estréia hoje contra o Friburguense, às 16h, em Édson Passos. E o Bangu, campeão em 33 e 66, enfrenta o Americano, em Campos, no mesmo horário.

— É muito difícil montar e manter um bom time hoje. Com o fim do passe, qualquer jogador que se destaca no América está livre para ir embora, não temos recursos para fazer contratos longos — reconhece Amaro, apoiador do último título estadual conquistado pelo clube em 1960.

— O Bangu vai existir por mais 300 anos, clubes não acabam. Agora, o destino do futebol do Bangu é outra história — admite o presidente de honra do clube, Rubens Lopes.


América, sem parceria, tenta voltar a ser quinta força

O América parece mais promissor desde a escalação do time, que começa com o goleiro Carlos Germano, principal contratação do centenário do clube, em 18 de setembro. O presidente americano, o ex-juiz de futebol Reginaldo Mathias, ainda tenta trazer Robert, Leandro Ávila e Léo Inácio, para o time dirigido por Renê Weber:

— Queremos voltar a ser a quinta força do Rio, terminamos em sétimo no ano passado, atrás do Bangu.

A folha salarial do América é de cerca de R$ 100 mil mensais. O clube vai receber R$ 400 mil da Rede Globo e R$ 80 mil de um patrocinador. Boa parte dos jogadores tem contrato de apenas três ou quatro meses. O clube acaba de recusar proposta de uma empresa que oferecia R$ 90 mil mensais para gerir o futebol.

— Não estamos à venda, seremos sempre comandados por americanos.

Como o ex-presidente Giulite Coutinho, que dá nome ao Estádio de Édson Passos, a principal conquista desde a Copa dos Campeões, em 82.

— Nos últimos 30 anos, nosso estádio foi o único a ser construído no Rio — afirmou o presidente, que não vê rivais no horizonte. — Fluminense e Flamengo têm terrenos baldios, o estádio do Botafogo é arrendado. Estamos melhores do que qualquer outro em termos de patrimônio e dívidas.

No Bangu, o time, com média de idade de 20 anos e dirigido pelo técnico Marcelo Cabo, é bem mais modesto do que a história do clube, fundado em 17 de abril. De 37 a 49, quando era presidido por Guilherme da Silveira Filho, dono da fábrica, o time excursionava para o exterior em eventos do setor têxtil e levava peças de algodão como brindes para seus adversários.

Sob o comando do bicheiro Castor de Andrade, os pagamentos eram fartos, feitos em dinheiro vivo. Agora, não há mais um grande provedor e o clube se ressente da prisão dos empresários Reinaldo Pitta e Alexandre Martins, parceiros no futebol profissional.

— A empresa deles, a Gortin, paga os salários de alguns jogadores. Claro que a parceria fica prejudicada, mas vão ficar o tempo que quiserem — disse Rubinho, que é sobrinho de Castor e braço direito de Eduardo Viana na Federação.


Bangu tenta se livrar das ligações com a contravenção

Apesar de o futebol ser gerido como empresa, separado do clube, os números são obscuros. Rubinho não revela para evitar ações de credores. Ele diz que, assim como a atividade social, o futebol dá prejuízo. No passado, o Bangu aglutinava toda a população do bairro, com festas, bailes e shows. O carnaval, com salão repleto por cinco mil foliões, garantia o pagamento de despesas por cinco meses. A festa acabou num bairro em que o lazer passou a ser patrocinado pelo governo, com lonas culturais e vilas olímpicas.

Restam os personagens da história, como o ponta Marinho, vice-campeão brasileiro de 85 que vive em Bangu e o lateral Neco, reserva na conquista do último título em 66.

— Ninguém assume, mas eu digo que tomava remédio para correr mais. Também acho que fui gato, meu pai me registrou quando eu já tinha 12 anos e meu horóscopo sempre dá errado, não bate nunca — conta Neco, posando ao lado do busto de Castor. — Se balançar é capaz de cair uma nota.

A estátua seria o troféu da Taça Guanabara de 98, mas sua entrega foi proibida pelo governo estadual por tratar-se de apologia ao crime. Rubinho esclarece que o clube não tem mais vínculo com a contravenção e lembra os problemas do passado com a legalidade. O clube não foi punido por isso, é passado. A maior ameaça, também para o América, está no futuro.


Em Moça Bonita, a presidenta pioneira

O Bangu foi reconhecido com a Medalha Tiradentes da Assembléia Legislativa do Rio como o primeiro clube a abrir suas portas a jogadores negros, com Manoel Maia, em 1906. O clube, em seu site, também reivindica para o bairro a primazia na realização de um jogo de futebol no país, que teria ocorrido em em abril de 1894 pelos pés do escocês Donohoe. Mas, inegavelmente, o Bangu é pioneiro ao ser comandado por uma mulher. Rita de Cássia preside o Conselho Diretor, responsável pelo futebol, com boa aparência, mas não se dá tanta importância:

— Não sei se sou a primeira, devem haver outras. Quem responde pelo clube é o Rubinho mesmo — disse, referindo-se ao presidente de honra, Rubens Lopes.

Fátima se lembra dos bailes, dos shows de Renato e Seus Blue Caps, mas admite não ter na cabeça o time de 66.

— Deveria saber, mas não sou a única. Nem o técnico sabe qual o time vai pôr em campo minutos antes.

No América, a força feminina vem da torcida. A ex-nadadora Margaret Dawes lembra o tempo em que os jogadores moravam na pensão de seu pai, perto da rua Campos Sales, que ela freqüenta até hoje. Ruth Aragão Rodrigues, a Tia Ruth, não esquece as cores do clube ao se vestir, nem a data de aniversário de seus eternos ídolos:

— Ligo para todos, o seu é no dia três de outubro, né? — diz, antes de abraçar Luisinho Lemos, maior artilheiro do clube, com 392 gols, campeão da Taça Guanabara em 74, da Copa dos Campeões em 82 e terceiro no Brasileiro-86.

— Eu era um peladeiro. Em 86, a gente jogava de manhã pelo Brasileiro e à tarde já estava na pelada em Icaraí.

Fonte: Jornal O Globo (Repórter: Pedro Motta Gueiros), 25/01/2004.

     
Livros
 
Estatísticas
 
Jogos 4.133
Vitórias 1.728
Empates 979
Derrotas 1.426
Gols Pró 7.305
Gols Contra 6.332
Saldo de Gols 973
Artilheiros
 
Ladislau 231
Moacir Bueno 203
Nívio 152
Menezes 137
Zizinho 125
Luís Carlos 119
Paulo Borges 109
Décio Esteves 98
Arturzinho 93
Marinho 83