Rio de Janeiro, domingo, 28 de maio de 2017 - 07h20min
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AMÉRICA E BANGU: DESAFIO NO ANO DO CENTENÁRIO

O apito da fábrica de tecidos, sinal da fase áurea do bairro de Bangu, calou-se nos anos 90. Na Zona Norte do Rio, os anos dourados já não brilham mais. O aprazível Andaraí hoje é cenário de novela. Parte da elite tijucana migrou para outras regiões. O América continua lá, mas seu futebol agora mora na Baixada. Na Zona Oeste, o Bangu resiste ao tempo. Os dois clubes, que foram fundados por ingleses e celebram seu centenário este ano, têm glórias no passado e uma dúvida quanto ao futuro.

Na última temporada os dois times foram praticamente dissolvidos em março e remontados em setembro para a Série C do Brasileiro. O calendário, ingrato com os chamados pequenos, não lhes permite manter um elenco em atividade o ano todo. A incerteza dá lugar ao otimismo efêmero sempre que o Estadual vai começar. O América, dono de sete títulos (1913/16/22/28/31/35/60), estréia hoje contra o Friburguense, às 16h, em Édson Passos. E o Bangu, campeão em 33 e 66, enfrenta o Americano, em Campos, no mesmo horário.

— É muito difícil montar e manter um bom time hoje. Com o fim do passe, qualquer jogador que se destaca no América está livre para ir embora, não temos recursos para fazer contratos longos — reconhece Amaro, apoiador do último título estadual conquistado pelo clube em 1960.

— O Bangu vai existir por mais 300 anos, clubes não acabam. Agora, o destino do futebol do Bangu é outra história — admite o presidente de honra do clube, Rubens Lopes.


América, sem parceria, tenta voltar a ser quinta força

O América parece mais promissor desde a escalação do time, que começa com o goleiro Carlos Germano, principal contratação do centenário do clube, em 18 de setembro. O presidente americano, o ex-juiz de futebol Reginaldo Mathias, ainda tenta trazer Robert, Leandro Ávila e Léo Inácio, para o time dirigido por Renê Weber:

— Queremos voltar a ser a quinta força do Rio, terminamos em sétimo no ano passado, atrás do Bangu.

A folha salarial do América é de cerca de R$ 100 mil mensais. O clube vai receber R$ 400 mil da Rede Globo e R$ 80 mil de um patrocinador. Boa parte dos jogadores tem contrato de apenas três ou quatro meses. O clube acaba de recusar proposta de uma empresa que oferecia R$ 90 mil mensais para gerir o futebol.

— Não estamos à venda, seremos sempre comandados por americanos.

Como o ex-presidente Giulite Coutinho, que dá nome ao Estádio de Édson Passos, a principal conquista desde a Copa dos Campeões, em 82.

— Nos últimos 30 anos, nosso estádio foi o único a ser construído no Rio — afirmou o presidente, que não vê rivais no horizonte. — Fluminense e Flamengo têm terrenos baldios, o estádio do Botafogo é arrendado. Estamos melhores do que qualquer outro em termos de patrimônio e dívidas.

No Bangu, o time, com média de idade de 20 anos e dirigido pelo técnico Marcelo Cabo, é bem mais modesto do que a história do clube, fundado em 17 de abril. De 37 a 49, quando era presidido por Guilherme da Silveira Filho, dono da fábrica, o time excursionava para o exterior em eventos do setor têxtil e levava peças de algodão como brindes para seus adversários.

Sob o comando do bicheiro Castor de Andrade, os pagamentos eram fartos, feitos em dinheiro vivo. Agora, não há mais um grande provedor e o clube se ressente da prisão dos empresários Reinaldo Pitta e Alexandre Martins, parceiros no futebol profissional.

— A empresa deles, a Gortin, paga os salários de alguns jogadores. Claro que a parceria fica prejudicada, mas vão ficar o tempo que quiserem — disse Rubinho, que é sobrinho de Castor e braço direito de Eduardo Viana na Federação.


Bangu tenta se livrar das ligações com a contravenção

Apesar de o futebol ser gerido como empresa, separado do clube, os números são obscuros. Rubinho não revela para evitar ações de credores. Ele diz que, assim como a atividade social, o futebol dá prejuízo. No passado, o Bangu aglutinava toda a população do bairro, com festas, bailes e shows. O carnaval, com salão repleto por cinco mil foliões, garantia o pagamento de despesas por cinco meses. A festa acabou num bairro em que o lazer passou a ser patrocinado pelo governo, com lonas culturais e vilas olímpicas.

Restam os personagens da história, como o ponta Marinho, vice-campeão brasileiro de 85 que vive em Bangu e o lateral Neco, reserva na conquista do último título em 66.

— Ninguém assume, mas eu digo que tomava remédio para correr mais. Também acho que fui gato, meu pai me registrou quando eu já tinha 12 anos e meu horóscopo sempre dá errado, não bate nunca — conta Neco, posando ao lado do busto de Castor. — Se balançar é capaz de cair uma nota.

A estátua seria o troféu da Taça Guanabara de 98, mas sua entrega foi proibida pelo governo estadual por tratar-se de apologia ao crime. Rubinho esclarece que o clube não tem mais vínculo com a contravenção e lembra os problemas do passado com a legalidade. O clube não foi punido por isso, é passado. A maior ameaça, também para o América, está no futuro.


Em Moça Bonita, a presidenta pioneira

O Bangu foi reconhecido com a Medalha Tiradentes da Assembléia Legislativa do Rio como o primeiro clube a abrir suas portas a jogadores negros, com Manoel Maia, em 1906. O clube, em seu site, também reivindica para o bairro a primazia na realização de um jogo de futebol no país, que teria ocorrido em em abril de 1894 pelos pés do escocês Donohoe. Mas, inegavelmente, o Bangu é pioneiro ao ser comandado por uma mulher. Rita de Cássia preside o Conselho Diretor, responsável pelo futebol, com boa aparência, mas não se dá tanta importância:

— Não sei se sou a primeira, devem haver outras. Quem responde pelo clube é o Rubinho mesmo — disse, referindo-se ao presidente de honra, Rubens Lopes.

Fátima se lembra dos bailes, dos shows de Renato e Seus Blue Caps, mas admite não ter na cabeça o time de 66.

— Deveria saber, mas não sou a única. Nem o técnico sabe qual o time vai pôr em campo minutos antes.

No América, a força feminina vem da torcida. A ex-nadadora Margaret Dawes lembra o tempo em que os jogadores moravam na pensão de seu pai, perto da rua Campos Sales, que ela freqüenta até hoje. Ruth Aragão Rodrigues, a Tia Ruth, não esquece as cores do clube ao se vestir, nem a data de aniversário de seus eternos ídolos:

— Ligo para todos, o seu é no dia três de outubro, né? — diz, antes de abraçar Luisinho Lemos, maior artilheiro do clube, com 392 gols, campeão da Taça Guanabara em 74, da Copa dos Campeões em 82 e terceiro no Brasileiro-86.

— Eu era um peladeiro. Em 86, a gente jogava de manhã pelo Brasileiro e à tarde já estava na pelada em Icaraí.

Fonte: Jornal O Globo (Repórter: Pedro Motta Gueiros), 25/01/2004.

     
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