BANGU
DIVIDIDO NO ANIVERSÁRIO
Apitaço
na fábrica de tecidos marca hoje protesto
da Democracia Banguense contra diretoria
Um
clube dividido perto de completar o centenário.
Essa é a situação do
Bangu, campeão carioca em 1933 e 1966,
vice brasileiro de 1985, que teve o primeiro
jogador de futebol negro (Newton Carregal)
e tantos craques consagrados, como Domingos
da Guia, Zizinho, Paulo Borges, Marinho e
Cláudio Adão. Hoje, a Fábrica
Bangu de Tecidos, berço do clube, vai
apitar de novo no aniversário de 113
anos em meio a protesto de grupo de empresários
e gente de tradição do bairro
descontentes com os rumos do clube.
O movimento é chamado de Democracia
Banguense. Os mais de 400 sócios proprietários
eliminados do quadro social dizem ter entrado
com ação ordinária na
Justiça comum para reintegração
imediata e uma outra para prestação
de contas da atual diretoria e do ex-presidente
Rubens Lopes da Costa, atual vice da Federação
de Futebol do Rio.
- Ele jamais justificou por que fomos eliminados,
não há motivo. Age de forma
ditatorial, é afilhado do Caixa d'Água,
um Eurico Miranda do Bangu. Estamos inconformados
com a situação. O clube está
deteriorado. A piscina funciona com água
roubada da Cedae. Além disso, o Bangu
virou uma casa de negócios. Está
nas mãos do Reinaldo Pitta (empresário
condenado a 11 anos de prisão por envolvimento
no escândalo do propinoduto) e do filho
dele - afirmou Peri Cozer, 58 anos, carteirinha
49, sócio proprietário há
42 anos, também expulso do quadro social.
Peri Cozer, empresário que atua no
comércio exterior, afirma que da equipe
de juniores, campeã do último
Estadual, restaram poucos jogadores. A Democracia
Banguense reclama que Rubens Lopes tem poderes
mesmo fora do clube.
- Ele botou lá a mulher dele, a Rita
de Cássia, na presidência do
futebol, e ela não sabe nada do assunto.
O presidente, o João Cristóphoro,
não tem nada a ver com o clube.
Rubens Lopes nega veementemente as acusações.
- Eles podem fazer apitaço ou seja
o que for. Se houve exclusão do clube,
foi por inadimplência. No próprio
site há recomendações
para que os sócios cumpram seus compromissos.
O que estão falando é mentira,
querem é interferir na política
do clube, e estão se aproveitando do
centenário para aparecer.
Além do apitaço de hoje, a Democracia
Banguense organiza para o dia do aniversário
do clube, dia 17 de abril, a inauguração
do Calçadão Divino Mestre Domingos
da Guia, em homenagem ao ídolo, que
começou e terminou a carreira no Bangu,
morando sempre no bairro. A Prefeitura do
Rio já oficializou o nome do calçadão,
na Rua Cônego de Vasconcelos, a principal
do bairro. Ademir da Guia, ídolo do
Palmeiras, filho de Domingos, que também
começou no Bangu, estará presente.
Fonte:
Jornal do Brasil (Repórter: Márcio
Mará), 12/02/2004.