Mas
é só fora do campo - A presidência
do clube é ocupada por uma mulher
Foto:
Daryan Dornelles (Revista Placar)
O
Bangu abriu suas portas sob a bandeira do
pioneirismo: foi o primeiro clube do país
a escalar um jogador negro, Francisco Carregal,
e juntar no campo operários e patrões
da fábrica local. No ano do centenário,
o alvirrubro inovou mais uma vez e pôs
uma mulher na presidência - fato inédito
no Rio de Janeiro. A advogada Rita de Cássia
Trindade, 50 anos, foi eleita para gerir o
Conselho Diretor - divisão que cuida
do futebol. Casada e mãe de dois rapazes,
Rita iniciou sua trajetória no Bangu
há 13 anos, quando resolveu atender
a um anúncio que procurava secretárias.
Desde então, passou pelo departamento
pessoal, técnico e chegou à
vice-presidência de futebol em 2001.
Mas confessa que começou a freqüentar
estádios à beira dos 40 anos
e toma suas decisões em comum acordo
com a firma Gortin, dos empresários
Reinaldo Pitta e Alexandre Martins - recentemente
envolvidos no escândalo do propinoduto,
que os fez passar algumas semanas na prisão.
"Eles são parceiros. Propõem
alguns nomes e nós escolhemos. Foi
assim com a comissão técnica
e os jogadores. A palavra deles pesa, claro",
diz. Se algum jogador for vendido, a Gortin
leva uma parte do dinheiro.
A falta de autonomia da presidente é
a principal reclamação da oposição.
"É um grande circo", diz
Peri Cozer, do movimento Democracia Banguense.
"Como o Rubens (Lopes, presidente de
honra) não pode exercer o cargo porque
é vice da Federação de
Futebol do Estado do Rio de Janeiro, ele pôs
seus ventríloquos", afirma. A
presidenta não nega a influência
do poderoso cartola. "A gente aceita
muito a palavra dele".
Rita afirma que não sofreu qualquer
preconceito. Mas já enfrentou saias-justas
nas reuniões da federação.
"Sou obrigada a ouvir muito palavrão.
Teve um dia que a secretária até
me convidou para dar uma saidinha quando esquentou,
mas tenho que ficar para representar o Bangu",
diz.
Fonte:
Revista Placar (Repórter Patrick Moraes),
março de 2004 - nº 1268.