Rio de Janeiro, quarta-feira, 22 de novembro de 2017 - 20h01min
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UM OLHAR SOBRE O PASSADO

O Bangu de Primeira

O emocionante reencontro em Moça Bonita do time campeão em 1966

DA ESQUERDA PARA a direita: Ubirajara Motta, Ênio, Paulo Borges, Luiz Alberto, Cabralzinho, Fidélis, Jaime, Ocimar e Aladim revivem a emoção de vestir a camisa do Bangu, campeão carioca de 1966

De longe, a impressão era de uma família reunida. Quem visse de perto concluía que era mesmo. Eles não têm parentesco, mas realmente formam até hoje uma família que se respeita e se adora. Uma família que em 1966 conquistou o ambicionado título do Campeonato Carioca com um 3 a 0 sobre o Flamengo e que se reuniu em Moça Bonita para lembrar, agora que o clube festejará cem anos dia 17 de abril, como era bom o Bangu de Primeira. Do time campeão, faltavam Mário Tito, falecido, além de Ari Clemente e Ladeira. A ausência dos três foi lamentada, mas não ofuscou o clima de tietagem mútua, de camaradagem e de emoção que a todo instante envolvia um grupo verdadeiramente amigo.

Personagens do momento mais marcante da história do modesto clube, eles contaram casos, riram muito, mas também se indignaram com o quadro atual do clube, rebaixado para a Segundona e dependendo de uma virada de mesa em 2005 para não cair. Entre uma risada e outra, volta e meia surgiam críticas à forma insensível como alguns heróis do título foram tratados recentemente.

- Tentei entrar num jogo e me barraram. Peguei o porteiro pelo braço, levei para perto da nossa foto do campeonato de 66 e perguntei: "Você sabe quem é aquele goleiro ali"? Entrei mas nunca mais voltei - contou Ubirajara Motta, o ex-goleiro e ex-capitão do time campeão.

Um bate-bola de emoções no estádio do Bangu

Campeões de 66 visitam Moça Bonita e relembram os tempos em que o clube reunia a nata do futebol carioca

Foto: Arquivo do Bangu/18-12-66
O TIME CAMPEÃO EM 66 posa antes da decisão do Campeonato Carioca contra o Flamengo: (em pé, da esquerda para a direita) Mário Tito, Ubirajara Motta, Luiz Alberto, Ari Clemente, Fidélis e Jaime; (agachados) Paulo Borges, Cabralzinho, Ladeira, Ocimar e Aladim
 
OS CAMPEÕES EM 2004, em sua visita a Moça Bonita repetem a formação da finalíssima, sem Mário Tito, falecido, além de Ari Clemente e Ladeira, que não puderam viajar: Ubirajara Motta, Luiz Alberto, Fidélis e Jaime; Paulo Borges, Cabralzinho, Ênio, que era reserva de Ladeira, Ocimar e Aladim

O mundo da tecnologia foi cruel com uma infinidade de gerações de craques do futebol brasileiro, não poupando nem Pelé e Garrincha. É por isso que o torcedor que hoje cultua Ronaldo, Zidane, Figo & Cia. e revê as façanhas de Maradona, Platini e outros não tem a dimensão de uma geração fantástica que levou o modesto Bangu ao título de campeão carioca em 1966. Um esquecido mas animado grupo de veteranos que, reunidos pelo GLOBO em Moça Bonita duas semanas antes do centenário do clube, relembrou, com carinho e em clima de camaradagem, os melhores momentos de um passado glorioso. Um Bangu de Primeira, que contrasta com o atual Bangu, rebaixado para Segundona do Estadual do ano que vem.

Nessa viagem no tempo, a constatação é de que muita coisa mudou. As dificuldades e a correria da vida fazem com que o passado seja pouco cultivado a ponto de a glória quase ter sido ignorada pelo clube numa data tão importante. Mas, para amigos que não se viam alguns há 37 anos, como o caso de Ubirajara Motta e Fidélis, outros que não se encontravam desde 1986, o encontro em Moça Bonita era mais para festejar do que se lamentar. Mas a saudade não impediu que o extrovertido Paulo Borges reclamasse:

- Ué, cadê o nosso retrato? - perguntou o ex-velocista, artilheiro do Carioca de 1966 com 16 gols, à presidenta Rita de Cássia Trindade assim que entrou no bar, na porta principal, e não viu a fotografia do time campeão na parede.


Na visita a Moça Bonita, o resgate de velhas emoções

UBIRAJARA MOTTA repete em 2004 o ritual de tantos jogos de 1966, puxando a entrada do Bangu em campo

Mas não era momento de cobranças. Os ex-craques iam chegando e qualquer insatisfação ou sentimento de injustiça ia dando lugar à emoção e à alegria de rever os velhos amigos. Nos abraços sorridentes e nos afagos carinhosos, eram evidentes amizade e o respeito que ainda há entre eles. Paulo Borges, Aladim e Cabralzinho, que moram fora do Rio, chegaram juntos. A esperá-los no Aeroporto Santos Dumont, estava o antigo capitão, o ex-goleiro Ubirajara Motta. No trajeto Centro-Bangu, a inevitável resenha.

No velho mas conservado estadinho onde brilharam e surpreenderam os favoritos em 66 com um time de muita qualidade, juntam-se a Jaime e Fidélis. Todos com cabelos brancos, menos um.

- Ih, olha a cor do cabelo do Ocimar - dispara Paulo Borges, referindo-se à tintura preta de cabelos e bigode do ex-meia. - Ô véio, você está com a mesma cara, hein?

Ocimar ri, responde alguma coisa e, sempre em meio às brincadeiras e falatório de Paulo Borges, começa uma animada sessão de fotos. Do time campeão na célebre partida interrompida quando o Bangu vencia por 3 a 0, gols de Ocimar, Aladim e Paulo Borges - por causa de um dos maiores sururus do futebol mundial, quando o falecido Almir protagonizou uma das mais violentas brigas no Maracanã, pisando em Ladeira diante de 143.978 mil espectadores - só não desfrutaram da emocionante visita a Moça Bonita Mário Tito, falecido em 1994, além de Ari Clemente e Ladeira, que não puderam vir ao Rio.

Quando o grupo ia entrando em campo, uma surpresa. Sem ter sido avisado do encontro, aparece Ênio. Nada menos do que o jogador que perdeu a posição para Ladeira no meio do campeonato. A curiosidade de saber quem fazia tanto alarido num dia em que o estádio deveria estar vazio levou-o se unir ao grupo. Quando ele apareceu no portão, Ocimar logo o reconheceu. Não havia dúvidas: Ênio era um deles.

- Eu joguei sete partidas e o Ladeira outras sete. O curioso é que o doutor Castor de Andrade queria que eu saísse porque eu não fazia gols. Pois botaram o Ladeira, que fez três gols. Eu tinha feito quatro.

Logo depois chega o ex-zagueiro Luiz Alberto, também muito festejado. Ubirajara era o capitão, Ocimar comandava o time em campo, mas Luiz Alberto tinha uma função bem específica. Era ele que arranjava o combustível quando o grupo se reunia em seu apartamento para o carteado.

- Tinha um bar embaixo da casa dele, o botequim do seu Joaquim - revela Ênio. - Ele deixava uma corda pendurada e, quando puxava, o seu Joaquim sabia que o engradado ia descer vazio e tinha de subir cheio. Era uma festa...

No meio do campo, já vestindo a atual camisa do Bangu, depois de quase repetirem o antigo ritual no vestiário, Cabralzinho e Paulo Borges comandam a festa. Cabralzinho finge que vai lançar a bola para Paulo Borges, que grita, como fazia em seus tempos:

- Vou partir...

Cabralzinho retruca, depois muda a posição do pé, num fictício passe para o outro lado do campo e ri:

- Vai. Mentira, lancei pro Aladim lá na esquerda.

Enquanto Paulo Borges se acabava de rir, sua marca registrada, Cabralzinho emendava:

- Uma vez fiz isso num jogo. Só que prendi o pé na grama e torci o joelho.

As histórias são muitas, mas cada um tem a mesma e triste constatação de que nenhum time viverá mais esses momentos românticos.

- O futebol acabou, meus amigos. Virou um grande negócio. É triste mas é verdade. Duvido que alguém consiga reunir hoje em dia um grupo tão amigo como o nosso - afirmou Cabralzinho.

Um grupo amigo e altamente eficiente, como provam os números. Para chegar ao título em 66, o Bangu teve o ataque mais positivo e a defesa menos vazada, além do artilheiro do campeonato. O time marcou 50 gols, levou oito:

- O técnico foi o Alfredo González, mas quem armou o time mesmo foi o Tim, né? - conta Ênio. - O González assumiu numa terça-feira e o campeonato começou no domingo com tudo montadinho.

Jaime entra no circuito e diz que a equipe foi uma das pioneiras das mudanças táticas que revolucionaram o futebol nos últimos tempos:

- Naquela época a gente já fazia um quadrado no meio de campo porque Ocimar e eu jogávamos na mesma linha e Cabralzinho e Ladeira mais adiantados. Na frente, o Paulo Borges pela direita e o Aladim pela esquerda jogavam em velocidade. O time era tão bom que o Ari Clemente jogava com 90 quilos. É mole?


Contra o América, invasão de campo e pênaltis marotos

O Bangu não perdeu um ponto sequer no segundo turno. E teve de vencer jogos duríssimos, contra América (3 a 2), Botafogo (3 a 0), Vasco (3 a 0) e Fluminense (3 a 1). Contra o América, então, um caso de polícia. Cabralzinho sai jogando:

- Na quinta-feira anterior à partida, avisaram ao Castor que o juiz estava na gaveta do América. Castor riu e disse que não acreditava. Terminamos o primeiro tempo ganhando por 2 a 1. No segundo tempo, o juiz marcou pênalti do Cabrita no Edu. A confusão foi formada e, de repente, o Castor entrou em campo com a mão na cintura, onde estava a arma. Corri e dei um abraço nele, para evitar que ele a puxasse. Isso dentro do campo do Maracanã.

Ubirajara corta e completa:

- Neste momento, o juiz, que estava ao meu lado, pediu "Bira, por favor, segura o homem (Castor)". Sem ninguém perceber, eu, que era o capitão, disse ao juiz: "Seguro, mas você vai ter que marcar um pênalti igualzinho a esse para nós". Não deu outra. Paulo Borges se atirou na área aos 42 minutos do segundo tempo e o juiz marcou pênalti.

A bola volta para Cabral:

- Eu é que bati. O Ari (goleiro do América) falou que eu ia perder, que era o dia dele. Bati tão bem que ele nem se mexeu...

Moça Bonita de glórias, frustrações e histórias

Campeões reverenciam suas raízes, declaram amor ao Bangu e também ficam indignados com o estado do clube

JAIME e OCIMAR, uma das melhores linhas médias da década de 60, no varandão da saudade em Moça Bonita.
O carequinha ALADIM e o ex-zagueirão LUIZ ALBERTO, já no gramado em que viveram grandes momentos.
Mas emoção mesmo tomou conta conta de UBIRAJARA MOTTA e FIDÉLIS, que não se encontravam há 37 anos. Ao fundo, Cabralzinho observa o reencontro de ex-jogadores que, muito mais do que velhos companheiros, continuam sendo amigos.

O Bangu comemora os cem anos de sua fundação no dia 17 de abril com uma festa no Le Buffet, trocando suas raízes na Zona Oeste pelo Rio Comprido, já que sua antiga sede social não está em condições de abrigar uma grande festa. Recém-rebaixado para a Segundona do Estadual e dependendo de uma virada de mesa, o clube contraria a previsão de muitos filósofos de plantão, que ao longo dos últimos anos insistiram numa sombria previsão: que o Bangu acabaria depois que o patrono Castor de Andrade morresse. Não acabou, mas está na UTI.

Uma situação tão difícil que deixou os campeões de 66 indignados. Apesar de profissionais, foi no Bangu que viveram inesquecíveis momentos de glória e alegria.

- Desejo toda a sorte ao meu Bangu querido, meu Bangu do coração, que é a minha antiga casa, onde tive uma das maiores alegrias da minha vida - disse Cabralzinho, emocionado, ao fazer uma saudação oficial de aniversário.

Paulo Borges foi mais radical e esqueceu por alguns segundos o riso fácil.

- Temos que fazer alguma coisa para mudar isso. O Bangu não pode ficar assim! - disse, praticamente aos gritos, ao chegar a Moça Bonita.

Apesar do sentimento de gratidão e amor de alguns, outros campeões viviam a indignação da ingratidão, talvez por sentirem que esforço que culminou com o título em 66 foi em vão. Muitos revelaram que tentaram ajudar.

- Eu me ofereci, mas me disseram que o Ananias e o Neco não me queriam porque eu ia atrapalhar - disse Ubirajara Motta.

- Eu também me propus a tentar passar para as novas gerações o que aprendi no futebol, mas nem me ouviram. E era por uma merreca - revelou Ocimar.

- Pior é que tem gente aqui que nunca teve raízes no clube - completa Paulo Borges.

Vítima da crise financeira que consome grandes e pequenos, o Bangu hoje paga o preço de depender de mecenas. Seja dos Guilherme da Silveira, família até hoje proprietária de Moça Bonita, ou mais tarde do clã dos Andrade, com Euzébio de Andrade, seu Zizinho, pai de Castor, que passou para seu herdeiro os negócios do jogo do bicho e a paixão pela camisa vermelha e branca listrada.

E assim o contraventor foi o combustível dos anos de ouro do Bangu. Ubirajara era um dos mais admirados por Castor. Num jogo no Maracanã, Castor convidou-o para a ir de Moça Bonita ao estádio no seu carro. Experiência que nunca mais repetiu:

- Sempre que um carro emparelhava com o nosso na Avenida Brasil, o Castor, com medo de um atentado, falava para mim: "Abaixa aí, Bira". Na primeira vez, tomei um susto. Nunca mais aceitei carona dele.

Cabralzinho era outro jogador que caíra nas graças do todo-poderoso.

- Um dia ele me chamou para acompanhá-lo num sorteio de consórcio. Era um Fusquinha zero. Quado acabou o sorteio, ele me deu as chaves do carro. Quase desmaiei. Na época, eu ganhava pouco, nunca poderia comprar um carro. O único motorizado no time era o Paulo Borges, que tinha uma bicicleta. Depois, fui aumentado e passei a ganhar o equivalente a R$ 2.500.

Cabralzinho conta outras histórias de Castor:

- Fui com ele na Sears em Botafogo, na época do Natal. Fiquei olhando uma lancha no departamento náutico e ele me disse: "Gostou? Ganha o jogo que ela é sua". Ganhamos e ele me deu um cheque. Mas me convenceu a comprar um imóvel.

Ubirajara conta outro caso engraçado:

- Um dia, o Bianchini disse que estava com dor no joelho para não treinar. Castor sentiu que era conversa e puxou a pistola e engatilhou. Nem precisou falar nada. O Bianchini voou para o campo
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Um impulso que o tempo não derrota

Mesmo aposentados, heróis procuram emprego dentro do futebol

Foto: Alexandre Cassiano
Foto: J. F. Diorio
ARI CLEMENTE: ausente na festa
LADEIRA: outro desfalque sentido

Os heróis do Bangu estão em sua maioria aposentados, mas procurando uma renda extra. Ubirajara Motta, aos 68 anos, foi líder de classe ao presidir a Fugap, mas se aposentou como contador, depois de ter jogado no Botafogo e no Flamengo. Fidélis, aos 60 anos com uma filha de 2 anos do segundo casamento, é um técnico à procura de emprego. Jogou no Vasco e no América. Luiz Alberto, 60, dirige o Ceres, da Segundona do Rio. Jogou no Flamengo e como treinador trabalhou no mundo árabe e até no distante Nepal.

- Estava num astral tão baixo que escrevi uma carta para mim mesmo dizendo: "Não desanime. Não abandone".

Jaime, que brilhou no Palmeiras, aos 60 anos é instrutor do projeto Gol de Placa da prefeitura. Ele avisa:

- Eu era nojento em campo. Dizia: aqui sou o melhor e ninguém ganha de mim. Sempre fui marrento mesmo.

Já Paulo Borges (59), com sua velocidade e seus gols, era o destaque do time. Jogou no Corinthians, já foi juiz classista e hoje é um técnico em busca de emprego e de um patrocínio para construir um centro de treinamentos em São Paulo. Cabralzinho, um dos cérebros da equipe banguense, também tem 59 anos. Jogou por Santos, Fluminense, Flamengo, Palmeiras e como técnico dirigiu times no Qatar, Arábia Saudita, Egito e Equador.

Ênio, de 60 anos, quase foi esquecido ao ser substituído na reta final por Ladeira, que aos 62 anos dirige os juniores do Corinthians. O mais velho do grupo é Ocimar, com 74. Aposentado pelo INSS, trabalha como instrutor das escolinhas do técnico Jair Pereira e da Suderj. Também jogou na Portuguesa de Desportos e Monte Alegre (MG) e até hoje se arrepende de ter sido cabo eleitoral de Eurico Miranda.

Aladim é o caçula, com 58 anos. Após se destacar no Bangu, jogou no Corinthians, Coritiba, Atlético-PR, Colorado e hoje é dono de uma panificação em Curitiba. Mas trocaria tudo por uma chance de voltar ao mundo do futebol:

- Claro. Já pensou na emoção de dirigir uma seleção ou um Flamengo?

Fonte: Jornal O Globo, 28/03/2004.
Reportagem: Antonio Nascimento e Márcio Tavares.
Fotos: Ivo Gonzales.

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Não fosse a curiosidade despertada pela oportuna reportagem feita em Moça Bonita pelo Antonio Nascimento e pelo Márcio Tavares, publicada hoje no GLOBO, nem a presidenta do Bangu nem seu presidente de honra, também vice-presidente da Federação do Rio, teriam reconhecido os jogadores campeões cariocas de 1966. À primeira vista, os dirigentes nem sabiam quem eram aqueles respeitáveis senhores que foram bons de bola.

Mas aí estão eles reunidos — os heróis de uma época distante em que o Bangu também disputava título. E até ganhava.

Fonte: Jornal O Globo (Coluna do Fernando Calazans)

     
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