BANGU
RACHA ATÉ NA HORA DE COMEMORAR
Diretoria
e dissidentes programam festas separadas
no centenário do clube de Moça
Bonita
Rebaixado
para a segunda divisão do campeonato
estadual, o Bangu vai passar o aniversário
do centenário, no próximo
sábado, em crise não só
dentro do campo, mas também fora
das quatro linhas. Não convidem
para a mesma mesa a diretoria e os ex-sócios
afastados que criaram o Movimento Democracia
Banguense. Cada lado preparou festas
distintas para comemorar a data.
Para marcar o centenário, a diretoria
do Bangu dará um baile de gala
para 300 convidados e sócios
no Le Buffet, no Rio Comprido, sábado.
Foram convidadas personalidades da política
e do esporte, segundo a presidente do
conselho diretor do clube, Rita de Cassia
Trindade, entre eles os jogadores do
time campeão estadual de 1966.
No dia 19, haverá um páreo
no Jockey Club do Rio em homenagem ao
centenário.
Enquanto isso, do outro lado da cidade,
em Bangu, os integrantes do Movimento
Democracia Banguense preparam uma festa,
com jantar, baile na rua e homenagem
ao jogador mais famoso do clube, o mestre
Domingos da Guia. O craque será
lembrado com um busto no calçadão
da Avenida Cônego de Vasconcellos,
que passará a se chamar, simbolicamente,
Calçadão Domingos da Guia.
Origem na fábrica de
tecidos
Fundado em 1904, o Bangu Atlético
Clube tem suas origens ligadas ao final
do século XIX, quando foi iniciada
a construção da fábrica
de tecidos do bairro e chegaram ao Brasil
os primeiros técnicos industriais
têxteis. Eles vieram da Inglaterra
para trabalhar nos novos teares e trouxeram
o futebol, que com o tempo despertou
a paixão dos operários.
O esporte passou a ser uma nova opção
de lazer nos intervalos de serviço
e aos domingos. As primeiras peladas
foram disputadas em um campo improvisado
no terreno da indústria.
Em 17 de abril de 1904, estrangeiros
e banguenses se reuniram numa casa na
antiga Rua Estevão, hoje Avenida
Cônego de Vasconcellos, para fundar
o clube. A estréia aconteceu
em 1906, num amistoso contra o time
do Riachuelo, que perdeu de 2 a 0. Uma
semana depois, o clube estrearia oficialmente
no Campeonato Carioca.
O primeiro campo de futebol funcionou
no Centro de Bangu até 1943,
quando foi vendido pelos proprietários
da fábrica de tecidos. Quatro
anos depois, foi fundado o estádio
de Moça Bonita, em Padre Miguel.
Do divino mestre, Domingos da Guia,
passando pela “Maravilha negra”
da Copa de 1930, Fausto dos Santos,
até Zizinho, o mestre Ziza, o
Bangu sempre teve tradição
de abrir as portas a bons jogadores.
O clube conquistou em 1933 o seu primeiro
título carioca. O segundo viria
33 anos depois. Em 1985, o clube foi
vice carioca e brasileiro. O último
título foi a Taça Rio
de 1987
Fotos
históricas no baile de gala
Os convidados do baile do Bangu no Le
Buffet terão a oportunidade de
ver uma exposição de fotos
que o clube está preparando para
contar seus cem anos de história.
Jogadores e personalidades ilustres
serão homenageados, conta a presidente
Rita de Cássia Trindade.
Ela reclama do fato de ter ficado sabendo
pelos jornais que o Calçadão
de Bangu será rebatizado simbolicamente
como Calçadão Domingos
da Guia. Organizador da festa, o Movimento
Democracia Banguense, formado por cerca
de 500 ex-sócios afastados e
torcedores, está convidando moradores
a participar do evento, que incluirá
a inauguração de um busto
do jogador. A escultura foi feita pelo
artista plástico Clécio
Régis.
— Não fomos convidados
oficialmente para a festa. Eu já
ouvi falar a respeito desse movimento.
Mas ele é formado de pessoas
que não regularizaram a sua situação
financeira com o clube e que só
sabem criticar — comenta a dirigente
do Bangu.
O presidente do Democracia Banguense,
Peri Cozer, salienta que o movimento
pretende dar um caráter público
à festa. Por isso, não
está fazendo convites formais
à diretoria ou a qualquer outra
autoridade:
— Eles não foram convidados
formalmente e nem vão ser. A
festa será pública e não
teremos formalismos. Nós só
enviamos convites aos ex-presidentes
e à diretoria do clube para o
jantar que faremos, aberto à
população, que poderá
comprar os convites.
O movimento tem duas ações
tramitando na Justiça contra
a diretoria do clube: uma pedindo a
reintegração dos sócios
afastados e a prestação
de contas dos gastos dos últimos
dez anos:
— Eles dizem que não estamos
em dia com o clube, mas eu tentei regularizar
tudo e fui informado de que o clube
não tem ciência da existência
de nossos títulos. E eu tenho
título de proprietário
desde 1962.
A
programação
DIRETORIA
SÁBADO: Baile de gala no Le Buffet,
no Rio Comprido, para 300 sócios
e convidados da diretoria do clube.
DIA 19: Páreo no Jockey Club
Brasileiro, na Gávea, em homenagem
aos cem anos de fundação
do Bangu.
DISSIDENTES
QUINTA-FEIRA: O Movimento Democracia
Banguense fará um jantar, às
20h, num salão de festas do bairro.
SÁBADO: Às 10h, inauguração
do busto de Domingos da Guia no Calçadão;
às 21h, baile popular no largo
da igreja.
Fonte:
O Globo Zona Oeste (Repórter
Isabela Bastos), 11/04/2004.