MEDALHA
PEDRO ERNESTO PARA TORCEDOR-SÍMBOLO
DO BANGU A. C.
A
Câmara Municipal do Rio de Janeiro,
por iniciativa do mandato do Vereador
Pedro Porfírio, juntou-se às
comemorações do centenário
Bangu Atlético Clube (17 de abril),
um dos mais tradicionais clubes de futebol
brasileiro, e no dia 30 de abril recebeu
torcedores para a solenidade comemorativa.
Rubem Melido, 86 anos, torcedor-símbolo
da agremiação, foi agraciado
com a Medalha Pedro Ernesto. Também
foram homenageados integrantes do Movimento
Democracia Banguense, presidido por
Peri Cozer, com 150 Moções
de Louvor e Reconhecimento. "Alcançar
o comando do Bangu para reerguê-lo
a elite do futebol carioca e restaurar-lhe
a dignidade é a meta que nós
desejamos", ressaltou Porfírio
em discurso durante o evento.
Cerca de 200 torcedores estavam presentes
na Câmara Municipal. Eles ornamentaram
o Plenário Teotônio Vilela
com bandeiras vermelhas e brancas, as
cores do clube. A entrega da Medalha
Pedro Ernesto ao torcedor Rubem Melido
foi o momento mais emocionante do evento.
Enquanto os torcedores cantavam o hino
do Bangu, Rubem Melido exibia as honrarias
que acabara de receber. Coube a mulher,
Maria de Lurdes, a tarefa de agradecer
aos presentes. "Eu posso morrer
hoje que morreria feliz. Hoje se consolidou
o reconhecimento de uma vida inteira
dedicada ao Bangu", disse ela.
Finda a cerimônia, Melido comentava
com os torcedores: "Depois de ganhar
esta Medalha não preciso de mais
nada. Vou até dar o meu carro
para o meu neto".
A seguir, principais trechos fala
do vereador Pedro Porfírio na
cerimônia:
"Alcançar
o comando do Bangu para reerguê-lo
a elite do futebol carioca e restaurar-lhe
a dignidade é a meta que nós
desejamos."
"Tenho 61 anos de idade. Sou cearense.
Cheguei ao Rio com 16 anos. Torcia pelo
Ferroviário, no Ceará.
Vim sozinho para o Rio de Janeiro. Aí
eu disse: "vou escolher um time
que tenha a ver com a minha alma, com
meus sonhos, porque com 16 anos eu já
sonhava muito, muito longe". Sonhava
com um mundo melhor e mais justo, onde
todos tivessem acesso à educação,
saúde. Sonhava e sonho até
hoje. E a minha alegria é que
o sonho de menino se conserva até
hoje, aos 61 anos de idade. Assim, como
eu conservo meus sonhos, conservo minha
fidelidade ao Bangu e a meu partido.
Sou trabalhista do tempo de João
Goulart. Convivi com juventude trabalhista.
Sempre segui minhas idéias, fui
sempre muito combativo e contundente
como jornalista, teatrólogo e
escritor. Passei dois anos na prisão
na época do regime ditatorial
e mantive a fidelidade. Quando veio
a democracia nós tentamos reconstruir
o trabalhismo e o caminho que nós
encontramos foi o partido que infelizmente,
hoje, não tem a projeção
que poderia ter. Isso, por erros cometidos,
pela pressão da mídia,
principalmente, em cima de sua liderança
(Leonel Brizola). Ainda assim, me mantive
fiel ao meu partido, ao meu clube e
aos meus sonhos.
Eu acompanhei o Bangu com a minha mulher
em todos os jogos, em todos os estádios,
em todos os momentos e situações,
enquanto o Bangu era administrado e
passava a idéia de que ali estavam
pessoas que gostavam do Bangu. Depois
de 1985, quando o Bangu começou
a cair, e começamos a ver que
perderam a responsabilidade moral no
comando do Bangu, é claro que
me retirei, auto-exilei-me como torcedor
do Bangu. E falei para mim mesmo: "Vou
esperar o momento de voltar a sofrer
pelo Bangu". Sofrer não
dói. Sofrer pelo clube que você
gosta é amor. Futebol é
amor. E torcer pelo Bangu é muito
mais amor.
O futebol deixou de ser um instrumento
de alegria e de satisfação
dos bairros. Tornaram o futebol um espetáculo
de mercenários. Mercantilizaram
o esporte, e o futebol em primeiro lugar.
A ponto de que se vê dirigente
de um clube, como é o caso do
Bangu, sem ser banguense, não
ser torcedor do Bangu. Como é
que uma pessoa pode ser presidente de
um time e ser torcedor de outro. Torceram
os valores. Eu acho que o privilégio
de você ser sócio, dirigente,
é ser torcedor daquele time.
Bem, aí surgiu a Democracia Banguense.
Queria agradecer as pessoas que estão
promovendo o renascimento do Bangu.
Resgatando a nossa auto-estima de banguense.
Nesse momento eu quero dizer que a minha
avaliação é que
o Bangu pode voltar a ser, em pouco
tempo, um dos clubes principais do futebol
carioca. Quem é que decidiu em
São Paulo o campeonato paulista?
Não foi nenhum dos timões
da mídia, porque houve administração.
Seriedade, cuidado com a gestão.
A Bangu chegou ao ponto que a quadra
de esportes virou estacionamento. Mas
se nós pegarmos o passivo do
Bangu é muitas vezes menor que
o passivo do Flamengo. Então
é muito fácil um movimento
honesto, sério, apaixonado, ir
fundo e recuperar o Bangu. E nós
temos tudo para isso.
Eu estava conversando com o Peri (Presidente
do Movimento Democracia Banguense) sobre
o andamento do processo, e o primeiro
passo é exatamente o resgate
do direito de ser sócio. Até
isso foi cassado, o direito do ser sócio!
Pessoas tradicionais, como fizeram com
o ex-vice-presidente do Bangu quando
o clube foi campeão em 1966.
Acho que não há outra
alternativa daquele grupo que está
ainda usando indevidamente as instalações
do Bangu se não passar as chaves
para os banguenses.
Temos o dever social de entregar o Bangu
a quem gosta do Bangu. Nesse sentido
quero colocar o meu mandato à
disposição desta causa.
Vocês talvez não entendam
como um vereador de tantas causas nacionais,
locais e comunitárias coloca
a posição de torcedor
do Bangu no mesmo patamar. Por uma razão
muito simples: "Eu fui duas vezes
secretário municipal de desenvolvimento
social e eu sei a importância
da atividade esportiva para a juventude,
para o adolescente". Boa parte
dos problemas que agente enfrenta hoje
é por falta de vida esportiva,
de vida social. Eu tenho um filho de
11 anos e não vejo com bons olhos
o futuro que se apresenta a ele. As
pesquisas dizem que os nascidos nos
anos 90 e 2000 estão fadados
ao desemprego, mesmo tendo faculdade
mestrado, doutorado, porque não
vai ter emprego.
Sou responsável por um projeto
da prefeitura na comunidade do Jacarezinho.
São nove modalidades esportivas
e várias atividades. Mais de
900 crianças praticam as modalidades.
Se as pessoas que têm poder nas
mãos tivessem mais sensibilidade
para as atividades associativas, para
o fortalecimento do clube de bairro,
certamente a sociedade seria não
só menos problemática
como também seria mais feliz.
Infelizmente, nós vivemos de
políticas compensatórias
no campo social, e não de desenvolvimento,
de formação.
Nós (Movimento Democracia Banguense)
vivemos um desafio muito importante
que precisa ser encarado por todo mundo,
do mais jovem ao mais idoso. Eu digo
pra vocês que têm mais idade,
que não aceitassem a aposentadoria
da vida. Que haja brasileiros, idosos
ou não, que acreditem no Brasil
e no Homem brasileiro. Qualquer que
seja o espaço que nós
estivermos ocupando nós podemos
contribuir para que as coisas fiquem
melhores. Para que a vida seja melhor.
Eu digo pra vocês: "Tudo
pra nós depende da nossa capacidade
de procurar ver as coisas além
do nosso próprio espaço".
O Pedro Porfírio não está
aqui apenas para dizer aos banguenses
que ser Bangu é emocionante.
Estou aqui para dizer que por ser banguense,
por viver a paixão por um clube
como o Bangu, eu vivo nesta Casa uma
paixão pelo povo brasileiro,
as suas derrotas, os seus sofrimentos
e as suas humilhações.
Vivo junto, passo por elas e com elas
me solidarizo. Quero estar com vocês.
Quero ser um tarefeiro, que vocês
me confiem tarefas, para eu, como vereador,
jornalista, me colocar a disposição
desta causa tão justa e que tem
todas as condições de
ostentar a belíssima bandeira
do Bangu Atlético Clube."
Fizeram parte da mesa de honra, junto
do Vereador Pedro Porfírio, as
seguintes personalidades: Roberto Bittar,
Subsecretário de Estado de Ação
Social; Dr. Roberto Ramos, Delegado
da 34ª DP (Bangu); Mônica
Ramos, jornalista do jornal O Dia; Peri
Cozer, presidente do Movimento Democracia
Banguense.
Fonte:
Palanque Livre (Repórter Ivan
da Silva Jr.), 06/05/2004.