Rio de Janeiro, sábado, 01 de novembro de 2014 - 00h58min
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MEDALHA PEDRO ERNESTO PARA TORCEDOR-SÍMBOLO DO BANGU A. C.

Foto: Palanque Livre

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro, por iniciativa do mandato do Vereador Pedro Porfírio, juntou-se às comemorações do centenário Bangu Atlético Clube (17 de abril), um dos mais tradicionais clubes de futebol brasileiro, e no dia 30 de abril recebeu torcedores para a solenidade comemorativa. Rubem Melido, 86 anos, torcedor-símbolo da agremiação, foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto. Também foram homenageados integrantes do Movimento Democracia Banguense, presidido por Peri Cozer, com 150 Moções de Louvor e Reconhecimento. "Alcançar o comando do Bangu para reerguê-lo a elite do futebol carioca e restaurar-lhe a dignidade é a meta que nós desejamos", ressaltou Porfírio em discurso durante o evento.

Cerca de 200 torcedores estavam presentes na Câmara Municipal. Eles ornamentaram o Plenário Teotônio Vilela com bandeiras vermelhas e brancas, as cores do clube. A entrega da Medalha Pedro Ernesto ao torcedor Rubem Melido foi o momento mais emocionante do evento. Enquanto os torcedores cantavam o hino do Bangu, Rubem Melido exibia as honrarias que acabara de receber. Coube a mulher, Maria de Lurdes, a tarefa de agradecer aos presentes. "Eu posso morrer hoje que morreria feliz. Hoje se consolidou o reconhecimento de uma vida inteira dedicada ao Bangu", disse ela. Finda a cerimônia, Melido comentava com os torcedores: "Depois de ganhar esta Medalha não preciso de mais nada. Vou até dar o meu carro para o meu neto".


A seguir, principais trechos fala do vereador Pedro Porfírio na cerimônia:

Foto: Palanque Livre

"Alcançar o comando do Bangu para reerguê-lo a elite do futebol carioca e restaurar-lhe a dignidade é a meta que nós desejamos."

"Tenho 61 anos de idade. Sou cearense. Cheguei ao Rio com 16 anos. Torcia pelo Ferroviário, no Ceará. Vim sozinho para o Rio de Janeiro. Aí eu disse: "vou escolher um time que tenha a ver com a minha alma, com meus sonhos, porque com 16 anos eu já sonhava muito, muito longe". Sonhava com um mundo melhor e mais justo, onde todos tivessem acesso à educação, saúde. Sonhava e sonho até hoje. E a minha alegria é que o sonho de menino se conserva até hoje, aos 61 anos de idade. Assim, como eu conservo meus sonhos, conservo minha fidelidade ao Bangu e a meu partido. Sou trabalhista do tempo de João Goulart. Convivi com juventude trabalhista. Sempre segui minhas idéias, fui sempre muito combativo e contundente como jornalista, teatrólogo e escritor. Passei dois anos na prisão na época do regime ditatorial e mantive a fidelidade. Quando veio a democracia nós tentamos reconstruir o trabalhismo e o caminho que nós encontramos foi o partido que infelizmente, hoje, não tem a projeção que poderia ter. Isso, por erros cometidos, pela pressão da mídia, principalmente, em cima de sua liderança (Leonel Brizola). Ainda assim, me mantive fiel ao meu partido, ao meu clube e aos meus sonhos.

Eu acompanhei o Bangu com a minha mulher em todos os jogos, em todos os estádios, em todos os momentos e situações, enquanto o Bangu era administrado e passava a idéia de que ali estavam pessoas que gostavam do Bangu. Depois de 1985, quando o Bangu começou a cair, e começamos a ver que perderam a responsabilidade moral no comando do Bangu, é claro que me retirei, auto-exilei-me como torcedor do Bangu. E falei para mim mesmo: "Vou esperar o momento de voltar a sofrer pelo Bangu". Sofrer não dói. Sofrer pelo clube que você gosta é amor. Futebol é amor. E torcer pelo Bangu é muito mais amor.

O futebol deixou de ser um instrumento de alegria e de satisfação dos bairros. Tornaram o futebol um espetáculo de mercenários. Mercantilizaram o esporte, e o futebol em primeiro lugar. A ponto de que se vê dirigente de um clube, como é o caso do Bangu, sem ser banguense, não ser torcedor do Bangu. Como é que uma pessoa pode ser presidente de um time e ser torcedor de outro. Torceram os valores. Eu acho que o privilégio de você ser sócio, dirigente, é ser torcedor daquele time.

Bem, aí surgiu a Democracia Banguense. Queria agradecer as pessoas que estão promovendo o renascimento do Bangu. Resgatando a nossa auto-estima de banguense. Nesse momento eu quero dizer que a minha avaliação é que o Bangu pode voltar a ser, em pouco tempo, um dos clubes principais do futebol carioca. Quem é que decidiu em São Paulo o campeonato paulista? Não foi nenhum dos timões da mídia, porque houve administração. Seriedade, cuidado com a gestão. A Bangu chegou ao ponto que a quadra de esportes virou estacionamento. Mas se nós pegarmos o passivo do Bangu é muitas vezes menor que o passivo do Flamengo. Então é muito fácil um movimento honesto, sério, apaixonado, ir fundo e recuperar o Bangu. E nós temos tudo para isso.

Eu estava conversando com o Peri (Presidente do Movimento Democracia Banguense) sobre o andamento do processo, e o primeiro passo é exatamente o resgate do direito de ser sócio. Até isso foi cassado, o direito do ser sócio! Pessoas tradicionais, como fizeram com o ex-vice-presidente do Bangu quando o clube foi campeão em 1966. Acho que não há outra alternativa daquele grupo que está ainda usando indevidamente as instalações do Bangu se não passar as chaves para os banguenses.

Temos o dever social de entregar o Bangu a quem gosta do Bangu. Nesse sentido quero colocar o meu mandato à disposição desta causa. Vocês talvez não entendam como um vereador de tantas causas nacionais, locais e comunitárias coloca a posição de torcedor do Bangu no mesmo patamar. Por uma razão muito simples: "Eu fui duas vezes secretário municipal de desenvolvimento social e eu sei a importância da atividade esportiva para a juventude, para o adolescente". Boa parte dos problemas que agente enfrenta hoje é por falta de vida esportiva, de vida social. Eu tenho um filho de 11 anos e não vejo com bons olhos o futuro que se apresenta a ele. As pesquisas dizem que os nascidos nos anos 90 e 2000 estão fadados ao desemprego, mesmo tendo faculdade mestrado, doutorado, porque não vai ter emprego.

Sou responsável por um projeto da prefeitura na comunidade do Jacarezinho. São nove modalidades esportivas e várias atividades. Mais de 900 crianças praticam as modalidades. Se as pessoas que têm poder nas mãos tivessem mais sensibilidade para as atividades associativas, para o fortalecimento do clube de bairro, certamente a sociedade seria não só menos problemática como também seria mais feliz. Infelizmente, nós vivemos de políticas compensatórias no campo social, e não de desenvolvimento, de formação.

Nós (Movimento Democracia Banguense) vivemos um desafio muito importante que precisa ser encarado por todo mundo, do mais jovem ao mais idoso. Eu digo pra vocês que têm mais idade, que não aceitassem a aposentadoria da vida. Que haja brasileiros, idosos ou não, que acreditem no Brasil e no Homem brasileiro. Qualquer que seja o espaço que nós estivermos ocupando nós podemos contribuir para que as coisas fiquem melhores. Para que a vida seja melhor. Eu digo pra vocês: "Tudo pra nós depende da nossa capacidade de procurar ver as coisas além do nosso próprio espaço".

O Pedro Porfírio não está aqui apenas para dizer aos banguenses que ser Bangu é emocionante. Estou aqui para dizer que por ser banguense, por viver a paixão por um clube como o Bangu, eu vivo nesta Casa uma paixão pelo povo brasileiro, as suas derrotas, os seus sofrimentos e as suas humilhações. Vivo junto, passo por elas e com elas me solidarizo. Quero estar com vocês. Quero ser um tarefeiro, que vocês me confiem tarefas, para eu, como vereador, jornalista, me colocar a disposição desta causa tão justa e que tem todas as condições de ostentar a belíssima bandeira do Bangu Atlético Clube."

Fizeram parte da mesa de honra, junto do Vereador Pedro Porfírio, as seguintes personalidades: Roberto Bittar, Subsecretário de Estado de Ação Social; Dr. Roberto Ramos, Delegado da 34ª DP (Bangu); Mônica Ramos, jornalista do jornal O Dia; Peri Cozer, presidente do Movimento Democracia Banguense.

Fonte: Palanque Livre (Repórter Ivan da Silva Jr.), 06/05/2004.

     
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