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AS LIÇÕES QUE FICARAM DO DIVINO MESTRE

Foto: Arquivo JB
Domingos (D), ídolo no Fla nos anos 30-40, com o filho Ademir, do Palmeiras 60-70. A família Da Guia, de Bangu para o mundo

Inglês lança livro sobre a vida de Domingos da Guia,
o maior zagueiro de todos os tempos

Nessa, os craques nacionais das pretinhas bobearam. Precisou um inglês arregaçar as mangas para fazer justa homenagem a um dos maiores mitos do futebol brasileiro. Em Domingos da Guia: o Divino Mestre, lançado pela Editora Gryphus, Aidan Hamilton consegue como poucos captar a aura que cerca aquele que é considerado o Pelé da zaga. Como Domingos já se foi e hoje há poucas testemunhas que o viram jogar para assinar embaixo, o escritor recorreu a gravações e artigos de jornais e revistas do ídolo e dos que presenciaram a elegância nos gramados.

Deu certo. Nas 280 páginas, o leitor, jovem ou não, tem a exata dimensão do que representou o jogador não só nos campos, e a eterna lição que deixou. O livro chega num momento em que o racismo ressurge com força nas arquibancadas, principalmente da Europa. E mostra que Domingos, acompanhado de outros ídolos como Leônidas da Silva e Fausto dos Santos, foi dos primeiros a sentir na pele o preconceito.

''Um dos exemplos típicos foi o que ocorreu com Leônidas da Silva, o Diamante Negro. Convidado a ir ao Cassino da Urca para contar os feitos da Copa de 1938, em que se sagrou artilheiro, acabou recebido com toda pompa. Quando voltou lá para jogar, foi barrado na porta. Ele e Domingos quebraram algumas barreiras, mas eram de um tempo em que o racismo já ficava mascarado em alguns momentos'', afirmou Aidan Hamilton, desde 1999 pesquisando sobre a vida do ídolo.

O estímulo surgiu das histórias contadas pelo conterrâneo Harry Welfare, que veio da Inglaterra para jogar no Fluminense nos anos 30. Artilheiro de estilo nada refinado, enfrentou várias vezes um gigante que lhe roubava a bola sem jamais dar um pontapé. Sim, Domingos era de um tempo em que o jogador passava, não a bola - antítese do manual embaixo do braço seguido à risca pelos atuais zagueiros-zagueiros.

Foi isso que fez Domingos reverenciado no Brasil e em todo o mundo. Também, pudera. Conquistou rara proeza no meio futebolístico: sagrou-se tricampeão em três países diferentes - Nacional, do Uruguai, em 1933, Vasco, em 1934, e Boca Juniors, da Argentina, em 1935.

Em todos, arrancou aplausos e virou lenda pelo estilo clássico e esguio, olhar fixo na bola, nunca no jogador. A ponto de criar jogada com seu nome, a ''domingada'', que alguns tentaram copiar sem sucesso - roubava a bola com classe, driblava o atacante e saía jogando.

O livro começa com a conquista da Copa Rio Branco, em 1932. Domingos, nascido em Bangu e revelado no clube do bairro do subúrbio carioca, tinha 21 anos quando estourou na seleção brasileira. A vitória de 2 a 1 sobre os uruguaios, campeões mundiais em 1930, em pleno Estádio Centenário - gols do inseparável amigo Leônidas da Silva -, teve direito a desfile de carro aberto na chegada ao Rio.

Esse momento foi considerado por Domingos como um dos mais marcantes. Mas houve outros, tanto no Bangu, clube no qual é citado no hino e lhe ergueu um busto, quanto no Flamengo, para onde se transferiu em 1936, ao retornar de Buenos Aires.

Na companhia dos também negros Leônidas da Silva e Fausto dos Santos, a Maravilha Negra, Domingos ajudou a transformar o Flamengo no clube de maior torcida do país. Foi campeão em 1939, 1942 e 1943 e protagonizou duelos memoráveis, principalmente com Tim nos Fla-Flus.

Foi ídolo também no Corinthians de 1944 a 1948 e voltou ao Bangu para encerrar a carreira. em 1949. Aidan não se esqueceu de nada, pesquisou inúmeros depoimentos de gente como Leônidas, Zizinho, Ary Barroso, Nilton Santos, tudo ali, documentado. O livro termina na Copa de 1938, frustração de Domingos.

''Lamento profundamente o meu gesto, que o juiz puniu com um pênalti'', disse Domingos sobre uma das poucas faltas que cometeu na carreira, sobre o italiano Piola, que causou a derrota de 2 a 1 na semifinal - o Brasil terminou a Copa em terceiro lugar.

Todo herói paga seu preço. Melhor, no entanto, que falar também sobre o Domingos gastador, que trocou a fortuna por jogos e mulheres, seria terminar com a frase do saudoso tricolor Tim, chamado de El Peón, por entrar na área driblando os adversários. Mas parava sempre em Domingos.

''Ele me hipnotizava. Quando eu me aproximava da área rubro-negra, ele ordenava 'Sai!' E eu me desfazia logo da bola (...)''.

Essa foi uma das lições que ficaram do Divino Mestre.

Domingos da Guia: o Divino Mestre
Aidan Hamilton
Editora Gryphus (www.gryphus.com.br)
280 páginas
R$ 43



Fonte: Jornal do Brasil (Márcio Mará), 23/04/2005.

     
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