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OS DOIS LADOS DA MOEDA

LIMPANDO A LAMA
Eles sucumbiram às armadilhas da fama e tentam agora reconstruir suas vidas à margem dos holofotes

Sucesso do sambista Noite Ilustrada nos anos 60, a música "Volta por Cima" diz que "um homem de moral não fica no chão, nem quer que mulher venha lhe dar a mão. Reconhece a queda e não desanima. Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Poderia ser a trilha sonora da vida de quatro ídolos do futebol que, nos últimos 20 anos, foram da fama à lama e de lá saíram para recuperar a dignidade. Marinho, de 48 anos, Josimar, de 43, Jorge Mendonça e Nunes, ambos de 51, tiveram seus grandes momentos no futebol, vestiram a camisa da Seleção Brasileira e admitem que não souberam segurar a onda de fama e dinheiro. Perderam tudo o que ganharam em noitadas ou "confiando na pessoa errada", mas foram capazes de se reerguer e, hoje, usam seu exemplo - ou contraexemplo - para ensinar os meninos e meninas que treinam em times juvenis ou escolhinhas de futebol.

MARINHO - Problemas com bebida teriam também colocado o ex-craque do Bangu Marinho à beira de um precipício no qual ele despencou depois de uma tragédia. Em 1988, seu filho Marlon, de um ano, morreu afogado na piscina de casa. Marinho então entrou numa roda-viva de noitadas que o afastou de tudo o que um dia havia importado para ele. "Depois da tragédia morava na minha Mercedes, o porta-malas servia de guarda-roupas, e o banho era de perfume Azzaro. Futebol já não tinha valor, os amigos corriam de mim, a família foi embora. Fiquei só", diz, com os olhos marejados.

A virada de Marinho, há 16 anos, se deve a um desconhecido. "Um dia, sentei num boteco às sete da manhã e comecei a chorar, desabafei com o dono. E ele disse: 'Meu filho, pegue seu carro agora e vá ver sua mãe. Conte tudo para ela'. Obedeci, nem sei bem o motivo. Minha mãe ouviu calada e me pediu o telefone do Emil Pinheiro (presidente do Botafogo, clube do jogador na época). Eu não ia treinar há muito tempo, mas ele me recebeu de volta. Voltei pros trilhos e nunca mais saí".

Hoje, tem uma vida tranqüila ao lado da segunda mulher, Liza Minelli, e dos filhos, Laís de Minelli, 12 anos, e Stevie Wonder, 14, jogador do infantil do Botafogo. "Eles têm esses nomes, mas eu, Mário José, é que sou o artista da família", ri, para logo depois falar sério: "Sou um cidadão trabalhador, respeitável, mais feliz do que quando tinha dinheiro. Trabalho, bebo minha cervejinha, durmo e acordo cedo. Meus quatro filhos se orgulham de mim", afirma, referindo-se também aos dois do primeiro casamento, Marinho e Priscilla. Diz que tirou o "diploma da vida" e que orienta os meninos dos juvenis do Bangu, onde trabalha há nove anos. "Digo para eles fazerem o que eu falo, nunca o que fiz. No meu trabalho tento primeiro formar o homem, para só depois treinar o jogador".

Fonte: Revista Placar, nº 1287, outubro de 2005.
Reportagem: Flávia Ribeiro.
Fotos: Daryan Dornelles e Ricardo Beliel

     
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