O
ano de 1933 marca finalmente a adoção
do profissionalismo. Houve a reunião
de 32 e num novo encontro em janeiro de 33
América, Bangu, Fluminense e Vasco
decidem assumir o que já vinha se delineando
há tantos anos. O Botafogo era contra
e conseguiu convencer Flamengo e São
Cristóvão. Assim, o futebol
ficou dividido em duas associações:
a AMEA (amadora) e a LCF (profissional).
Mas logo Flamengo e São Cristóvão
mudariam de lado e o Botafogo ficaria sozinho.
Mas se sentiu bem. No fundo, não queria
mudar nada. Era o melhor time e, tendo sido
campeão em 30 e 32, teria tudo para
repetir a dose. E de fato repetiu. Mas apenas
contra os chamados times pequenos. Para isso,
contou com a resistência de muitos jogadores,
sobretudo os brancos e de boa família,
que tinham vergonha de se tornarem profissionais.
Perderiam privilégios e a cobrança
e a responsabilidade seriam muito maiores.
Assim, apenas cinco jogadores deixaram o time.
No entanto, os melhores ficaram, como, por
exemplo, os artilheiros Nilo e Carvalho Leite.
Assim, jogando contra adversários sem
a mesma categoria, o Botafogo não teve
dificuldades em conquistar o título.
No fim, tinha cinco pontos de vantagem sobre
o segundo colocado, o Olaria, apesar de sofrer
duas derrotas: para o próprio Olaria
e para o Engenho de Dentro.
Já na liga profissional, surpreendendo
a todos, o Bangu levantaria a taça.
O campeonato foi disputado por apenas seis
equipes (Fluminense, Flamengo, América,
Bangu, Vasco e Bonsucesso), o que não
diminuía as dificuldades. Afinal, praticamente
todo jogo era clássico.
Patrocinado pela Companhia Progresso Industrial
Brasil, com um esquema de concentração
e treinamento intensos, o Bangu, sob a supervisão
de Luís de Vinhaes, que já havia
feito o mesmo tipo de trabalho com o São
Cristóvão, campeão de
1926, foi longe. Seus jogadores eram só
músculos, mesmo os mais pesados, como
Camarão, Santana, Médio e Ladislau.
Com um time de bravos, muito bem preparados
fisicamente, o Bangu chegou à penúltima
rodada precisando de uma vitória sobre
o Fluminense nas Laranjeiras para conquistar
o título. O bairro parou para esperar
o resultado. E ninguém se decepcionou.
Os gols saíam um atrás do outro.
O placar de 4 a 0 (dois gols de Tião
e Plácido) foi a consagração.
A festa em Bangu invadiu a madrugada. Os estoques
de cerveja dos botenquins das redondezas foram
todos consumidos. No dia seguinte, nada menos
que 500 funcionários da fábrica
faltaram o trabalho. Mas não houve
nenhum problema: o presidente do Bangu era
o mesmo da companhia.
Assim, aquele time do Bangu, que tinha apenas
três brancos, faria história
como o primeiro campeão da era profissional.
A campanha foi impressionante. Em dez jogos,
venceu sete, empatou duas e perdeu apenas
uma. A média de 3,5 gols por partida
(35 gols em 10 jogos) também chamou
a atenção. Para se ter uma idéia
da relevância desse feito basta dizer
que Fluminense e Vasco, 2º e 3º
colocados, fizeram a metade do número
desses gols. Por tudo isso, essa conquista
do Bangu ocupa um lugar de destaque na história
do Campeonato Carioca.
Fonte: Jornal dos Sports, 20/12/2005.
Especial: 1º centenário - 100
anos de campeonato carioca (1906-2006).
Reportagem: Anos 30 - Início da era
profissional.
Repórter: Roberto Sander.