Time
de Moça Bonita supera até a
fúria de Almir em 1966
Barra
pesada — O banguense Jaime vai
com tudo numa dividida com Almir,
que usa o cotovelo para deslocá-lo.
Não era fácil enfrentar
o impetuoso atacante rubro-negro
Nos
últimos três anos que antecederam
1966, o Bangu bateu na trave, duas vezes em
cheio e uma de raspão. Em 63, o time
de Moça Bonita ficou com a terceira
colocação e nos dois anos seguintes
com o vice-campeonato. Em 1966, chegara a
hora de marcar o seu grande gol. A base era
parecida com a de três anos antes. Ubirajara,
Mário Tito, Ocimar e Paulo Borges formavam
a espinha dorsal de uma equipe que, então,
já jogava por música. Além
deles, Cabralzinho, Parada, Aladim davam o
toque de categoria ao time.
E foi só o campeonato começar
para que ficasse evidente a sua força.
Nas cinco primeiras rodadas, o Bangu só
venceu de goleada (5 a 0 no Madureira; 5 a
0 no São Cristóvão; 4
a 1 no América; 3 a 0 no Campo Grande;
e 5 a 0 no Olaria).
Depois foram mais duas vitórias (2
a 1 na Portuguesa; e 1 a 0 no Fluminense).
Naquela altura, não havia qualquer
dúvida de que os banguenses eram os
maiores favoritos para conquistar o título.
Nem a derrota para o Flamengo no último
jogo do primeiro turno mudou esse panorama.
No segundo turno, sempre com o comando seguro
do técnico Alfredo Gonzalez, o Bangu
prosseguiu sua trajetória de vitórias.
Foram cinco até a grande final contra
o Flamengo.
No primeiro tempo, o time abriu vantagem de
dois gols - Ocimar e Aladim marcaram. Quando
Paulo Borges fez o terceiro, aos três
minutos do segundo tempo, a festa estava completa.
O problema é que do outro lado estava
um certo Almir. O atacante rubro-negro não
se conformava com o placar. Já havia
avisado no intervalo que o Bangu não
daria volta olímpica. Quando agrediu
Ladeira se iniciava um das maiores pancadarias
da história do Maracanã.
Amir, justificando a fama de encrenqueiro,
corria como um possesso atrás dos jogadores
do Bangu. A briga foi generalizada e nove
jogadores (Ubirajara, Luis Alberto, Ari Clemente,
Ladeira, Valdomiro, Itamar, Paulo Henrique,
Almir e Silva) acabaram expulsos pelo árbitro
Airton Vieira de Moraes, conhecido como 'Sansão'.
Nem toda essa confusão ofuscou o título
do Bangu. Foi uma grande campanha (18 jogos,
com 15 vitórias, dois empates e uma
derrota), na qual vários jogadores
se destacaram. Um especialmente: o ponta-direita
Paulo Borges, artilheiro do time com 16 gols.
O 'Risadinha' era o cara do futebol carioca
em 66. Sem nenhuma marra, ele esbanjava simpatia.
Bons tempos que não voltam mais.
Fonte: Jornal dos Sports, 10/01/2006.
Especial: 1º centenário - 100
anos de campeonato carioca (1906-2006).
Reportagem: Anos 60 - Só o Vasco não
festejou.
Repórter: Roberto Sander.