Rio de Janeiro, segunda-feira, 13 de outubro de 2008 - 03h50min
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TRADIÇÃO X LUCRO

Segundo o ex-jogador Eloy, empresários não querem mais saber de clubes com dívidas

JS/arquivo
Avaliação sombria — O ex-jogador Eloy, hoje técnico do Bangu, teme pelo futuro dos pequenos do Rio com o surgimento de novos clubes

A quatro rodadas do fim, se o Campeonato Carioca da Segunda Divisão terminasse hoje, equipes tradicionais como Bangu, São Cristóvão, Olaria e Bonsucesso estariam fora da segunda fase. Dos oito times que se classificariam, nenhum jamais disputou a Primeira Divisão.

Um retrato sombrio de clubes com títulos expressivos, como o São Cristóvão, campeão Carioca de 1926; o Olaria, campeão Brasileiro da Taça de Bronze em 1981; Bonsucesso, sétimo clube com maior número de participações (57) na primeira divisão carioca; e o bicampeão Carioca Bangu, em 1933 e 1966, além do vice Brasileiro de 1985.

O atual técnico do Bangu é Eloy, que fez história no futebol carioca jogando por América e Vasco, nos anos 80. Ele explicou o porquê dos times tradicionais não estarem bem na competição. "É muito fácil explicar. Os times que estão se classificando, são comandados por empresários. Eles pegam ou montam times que não possuem dívidas, colocam lá os melhores jogadores. Funciona como uma vitrine por três, quatro meses, e pagam excelentes salários", comentou Eloy, acrescentando. "Já as equipes tradicionais, em geral, possuem dívidas e os dirigentes não aceitam a interferência dos empresários no controle do comando do futebol".

O treinador não mostrou otimismo numa melhora a médio prazo para os clubes pequenos, mais tradicionais do Rio.

"Infelizmente vejo um caminho difícil para esses clubes com um passado de histórias. A solução é que eles compreendam que sem planejamento não conseguirão retornar à elite do futebol carioca", alertou.

Eloy citou como exemplo a preparação física feita nos clubes da Segundona.

"Quando assumi, o time não tinha realizado um treino físico. Na minha estréia no comando, quatro jogadores jovens, tiveram câimbras. É preciso rever para que uma história tão bonita não acabe dessa forma", analisou.



Fonte: Jornal dos Sports, 13/05/2006.
Repórter: Sérgio Mello.

     
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