Segundo
o ex-jogador Eloy, empresários não
querem mais saber de clubes com dívidas
JS/arquivo
Avaliação
sombria O ex-jogador Eloy, hoje
técnico do Bangu, teme pelo futuro
dos pequenos do Rio com o surgimento
de novos clubes
A
quatro rodadas do fim, se o Campeonato Carioca
da Segunda Divisão terminasse hoje,
equipes tradicionais como Bangu, São
Cristóvão, Olaria e Bonsucesso
estariam fora da segunda fase. Dos oito times
que se classificariam, nenhum jamais disputou
a Primeira Divisão.
Um retrato sombrio de clubes com títulos
expressivos, como o São Cristóvão,
campeão Carioca de 1926; o Olaria,
campeão Brasileiro da Taça de
Bronze em 1981; Bonsucesso, sétimo
clube com maior número de participações
(57) na primeira divisão carioca; e
o bicampeão Carioca Bangu, em 1933
e 1966, além do vice Brasileiro de
1985.
O atual técnico do Bangu é Eloy,
que fez história no futebol carioca
jogando por América e Vasco, nos anos
80. Ele explicou o porquê dos times
tradicionais não estarem bem na competição.
"É muito fácil explicar.
Os times que estão se classificando,
são comandados por empresários.
Eles pegam ou montam times que não
possuem dívidas, colocam lá
os melhores jogadores. Funciona como uma vitrine
por três, quatro meses, e pagam excelentes
salários", comentou Eloy, acrescentando.
"Já as equipes tradicionais, em
geral, possuem dívidas e os dirigentes
não aceitam a interferência dos
empresários no controle do comando
do futebol".
O treinador não mostrou otimismo numa
melhora a médio prazo para os clubes
pequenos, mais tradicionais do Rio.
"Infelizmente vejo um caminho difícil
para esses clubes com um passado de histórias.
A solução é que eles
compreendam que sem planejamento não
conseguirão retornar à elite
do futebol carioca", alertou.
Eloy citou como exemplo a preparação
física feita nos clubes da Segundona.
"Quando assumi, o time não tinha
realizado um treino físico. Na minha
estréia no comando, quatro jogadores
jovens, tiveram câimbras. É preciso
rever para que uma história tão
bonita não acabe dessa forma",
analisou.
Fonte: Jornal dos Sports, 13/05/2006.
Repórter: Sérgio Mello.