Rio de Janeiro, sábado, 23 de setembro de 2017 - 06h13min
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E SE O BANGU FOSSE CAMPEÃO?

HISTÓRIA - 21 anos após perder título nacional para o Coritiba, clube carioca lamenta o passado e sofre com o presente

 
O atacante Marinho, ícone do Bangu que virou sensação do futebol carioca, impulsionado pelo dinheiro do jogo do bicho

Rio – Os coxa-brancas certamente vão entender a pergunta inusitada e um tanto desagradável. Afinal, a taça em questão está lá muito bem guardada na sala de troféus do Couto Pereira. Mas, e se o caneco de campeão brasileiro de 1985 tivesse sido levantado pelo Bangu? Imagem absurda na cabeça dos alviverdes, um sonho impossível até hoje alimentado por todos os torcedores do Alvirrubro carioca, que há 21 anos sofrem com o pesadelo do vice-campeonato nacional.

As lembranças da madrugada do dia 1.º de agosto de 1985 ainda atormentam o clube da zona oeste do Rio de Janeiro. E não sem razão. Equipe modesta do subúrbio, o Bangu Atlético Clube teve a chance de consagrar-se no futebol brasileiro empurrado por um Maracanã com mais de 100 mil pessoas. Mas ficou no quase, vendo seu conto de fadas desmoronar ao ser derrotado pelo Coxa na decisão por pênaltis.

Jogando a Segunda Divisão do futebol carioca atualmente – comandado pelo técnico Alfredo Sampaio é líder da disputa, com boas chances de voltar à elite em 2007 –, e vendo seu patrimônio ser arruinado dia a dia por conta das dificuldades financeiras, na penalidade chutada para fora do atacante Ado e, posteriormente, na morte do patrono e bicheiro Castor de Andrade em 1997, o clube parece ter ficado aprisionado ao passado de muita tradição, mas poucas glórias (dois estaduais, 1933 e 66), e à amargura pelo revés no jogo da vida.

“Poxa, Marinho! Você tinha de ter metido aquele gol contra o Coritiba”, grita um torcedor ao ver o ex-ídolo do clube, presente na final de 85, passeando pelas arquibancadas de Moça Bonita – o Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, casa do Bangu – para ser entrevistado pela Gazeta do Povo.

Considerado um dos grandes craques brasileiros da década de 80, com passagens pela seleção, a história do ex-ponta-direita confunde-se com a do clube que o projetou. Embora tenha feito sucesso na carreira, Marinho, assim como o Bangu, não consegue tirar o “se” da cabeça.

“Eu sempre falo que se o Bangu tivesse sido campeão estaria mais estruturado. Nós tínhamos um patrono muito bom, que era o Dr. Castor de Andrade. Então ele ia colocar mais dinheiro, seria uma mudança total”, acredita Marinho, hoje coordenador das categorias de base do clube.

Entre os torcedores, a mesma sensação. “A perda do título afetou muito, tenho certeza de que se tivéssemos sido campeões o time não estaria na Segunda Divisão hoje. Mas a morte do Dr. Castor também contribuiu para tudo isso”, comenta José Rodrigues, 59 anos, funcionário da cantina do estádio.

Sentado no concreto do Maracanã na noite fatídica, Fred Inácio da Costa, 56 anos, também relaciona a decadência do Alvirrubro com o falecimento do polêmico Castor de Andrade, sem esquecer de lamentar da sorte.

“Nessa época, o Castor estava na área (ele participou diretamente da vida do Bangu até 1989) e com certeza ia dar um impulso no time”, aponta.


Maldição do pênalti persegue filho de anti-herói

Quando pôs a bola na marca do pênalti, o ponta-esquerda Ado carregava nos ombros todo o Rio de Janeiro torcendo pelo simpático time do subúrbio na final contra o Coritiba. Porém quis o destino que o jovem atacante chutasse para fora e, assim, carregasse para sempre a marca de principal figura do vice-campeonato do Bangu em 85.

Um fardo pesado para carregar que a crueldade típica dos torcedores de futebol aos poucos vai passando de mão. Atleta juvenil do Bangu, Vítor Hugo Souza, 17 anos, filho de Ado e idêntico ao pai na época da decisão, sente na pele a herança familiar maldita. Tormento que o acompanha até quando não deveria.

Convidado pela reportagem da Gazeta do Povo para bater um pênalti para a foto, Vítor Hugo deu a deixa para o goleiro Rodrigo. “Na moral, na moral”, como que pedindo uma ajudinha. Partiu para a cobrança sem muita convicção e... errou. “É genético”, observou na hora um colega de equipe bem-humorado, após a defesa do goleiro convidado que não quis colaborar.

Sendo assim, o garoto resolveu não dar margem para um próximo desastre, e encheu o pé no chute seguinte. Estufou as redes e livrou-se um pouco do peso da história.

“Foi muito marcante. Todo mundo lembra do pênalti que meu pai perdeu, eu entro em campo, sou lembrado. Mas tenho a cabeça pra frente. E se surgirem oportunidades eu vou cobrar e fazer o gol”, disse.


Sede social é ícone do abandono

Desde o início dos anos 80, o Bangu tem a crise como rotina. Sem dinheiro, o time de futebol vai se equilibrando como pode, enquanto o patrimônio centenário do clube acaba sofrendo as conseqüências mais graveis.

A sede social, tombada pelo município em 1990, transformou-se num grande shopping popular acolhido em instalações precárias, com seus espaços alugados para feiras de artesanato, estacionamento, restaurante etc. Do clube mesmo, apenas os azulejos na parede com o distintivo, um painel que lembra as conquistas e a bandeira encardida na fachada.

Do outro lado do bairro, o estádio de Moça Bonita também vive situação parecida. Fundado em 1947, o campo está longe das melhores condições, mas, apesar da falta de pintura, das instalações acanhadas e do gramado um pouco alto e irregular, é capaz de abrigar sem maiores problemas as partidas do Bangu. No bar, localizado abaixo das arquibancadas sociais, uma frase pintada na parede dá bem a medida do que vem acontecendo com o clube: “Culpados são os que se escondem e não aparecem na hora precisa”, Castor de Andrade, junho de 1990.

“A atual situação do Bangu é a mesma de todos os times do Rio, incluindo os grandes”, declara a presidente Rita de Cássia Trindade, à frente do clube desde 2004, com mandato que se encerra em dezembro. “Os clubes do interior estão se sobressaindo, pois têm o apoio das prefeituras das cidades, o que não tem como acontecer na capital”, completa.


Fonte: Gazeta do Povo, 05/11/2006.
Repórter: André Pugliesi – enviado especial.
Foto: Antônio Costa.

     
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