Paulo
Henrique, do Fla, e Ladeira, do Bangu,
que iniciaram a confusão na
decisão do Campeonato carioca
de 1966
"A
torcida reunida até parece a do Fla-Flu".
Trecho do hino do Bangu ficou próximo
da realidade no domingo ensolarado de 18
de dezembro de 1966, quando o tradicional
clube do subúrbio do Rio de Janeiro
conquistou seu segundo Campeonato Carioca,
derrotando o Flamengo por 3 a 0 na decisão,
diante de 143.978 pagantes.
Foi dos jogos mais tumultuados da história
do Maracanã. No comecinho, o lateral
Ari Clemente atingiu o ponta Carlos Alberto,
que permaneceu apenas "fazendo número",
como se dizia, pois não eram permitidas
substituições. O Rubro-Negro
ficou com dez.
Com 15 minutos, Nelsinho sofreu estiramento
e passou a jogar "no sacrifício".
O Flamengo estava praticamente reduzido
a nove homens. Logo, Ocimar abriu o placar
aos 23 minutos, em chute longo, num frangaço
de Valdomiro. Na seqüência, Aladim
meteu 2 a 0.
No intervalo, o polêmico atacante
Almir "Pernambuquinho" teria prometido
ao dirigente Flávio Soares de Moura:
"Eles vão ganhar, mas não
darão a volta olímpica".
Mal começou o segundo tempo e Paulo
Borges marcou o terceiro gol, após
jogada espetacular, restando ao Flamengo
evitar o pior.
Aos 25 minutos, Paulo Henrique e Ladeira
desentenderam-se na lateral e Almir partiu
para cima do centroavante do Bangu, que
correu em círculos, sendo atingido,
porém, na seqüência da
confusão, pelo zagueiro Itamar, provocando
a intromissão dos outros 18 jogadores
no conflito, obrigando o árbitro
Aírton Vieira de Moraes a encerrar
a partida.
´Taxa três´ mostrou
a superioridade alvirubra
O árbitro, conhecido como Sansão,
fez jus ao apelido, expulsando cinco jogadores
do Flamengo - Valdomiro, Itamar, Paulo Henrique,
Almir e Silva - e quatro do adversário
- Ubirajara, Luis Alberto, Ari Clemente
e Ladeira. Mas depois que os ânimos
foram serenados, o Bangu contrariou a previsão
do "Pernambuquinho", dando a volta
olímpica no Maracanã, aplaudido
por cerca de 15 mil pessoas, a tal "torcida
reunida que até parece a do Fla-Flu"
de que fala o hino. É necessário
destacar que o time suburbano era superior
ao Rubro-Negro no conjunto, tanto que no
segundo turno, embalado, meteu quatro no
Bonsucesso e estabeleceu a "taxa três":
3 a 1 no Olaria, 3 a 0 no Botafogo, 3 a
2 no América, 3 a 0 no Vasco, 3 a
1 no Fluminense e 3 a 0 no Flamengo. Melhor
impossível. Na decisão, Sansão
teve como auxiliares Guálter Portela
Filho e José Teixeira de Carvalho.
O Bangu jogou com Ubirajara, Fidélis,
Mário Tito, Luis Alberto e Ari Clemente;
Jaime e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho
e Aladim. O Flamengo com Valdomiro, Murilo,
Itamar, Jaime e Paulo Henrique; Carlinhos
e Nelsinho; Carlos Alberto, Almir, Silva
e Osvaldo. A campanha rubro-negra: 12 vitórias,
cinco empates, uma derrota, 31 gols pró
e 12 contra.
Curiosidades
A campanha do Bangu: 15 vitórias,
dois empates, uma derrota, 50 gols pró
e oito contra, saldo de 42. Marcaram: Paulo
Borges (16), Cabralzinho (11), Aladim e
Jair (5), Ênio (4), Ladeira (3), Jaime
(2), Norberto, Ocimar e Zé Carlos
(1), além de um gol contra.
Houve um curioso duelo de técnicos
argentinos na decisão, ambos ex-jogadores
radicados no Brasil desde a década
de 1940: Alfredo Gonzalez (11/3/15) dirigiu
o Bangu e Armando Renganeschi (10/5/13),
o Flamengo.
Time só ficou duas vezes
em branco
Os jogos, no primeiro turno: 5 x 0 Madureira
(11/9, Conselheiro Galvão), 5 x 0
São Cristóvão (18/9,
Maracanã), 4 x 1 América (21/9,
Maracanã), 3 x 0 Campo Grande (25/9,
Moça Bonita), 3 x 0 Olaria (28/9,
Maracanã), 2 x 1 Portuguesa (2/10,
Maracanã), 1 x 0 Fluminense (9/10,
Maracanã), 0 x 0 Vasco (16/10, Maracanã),
0 x 0 Botafogo (20/10, Maracanã),
2 x 0 Bonsucesso (23/10, Moça Bonita)
e 1 x 2 Flamengo (30/10, Maracanã).
No segundo turno: 4 x 0 Bonsucesso (6/11,
Teixeira de Castro), 3 x 1 Olaria (14/11,
Moça Bonita), 3 x 0 Botafogo (20/11,
São Januário), 3 x 2 América
(27/11, Maracanã), 3 x 0 Vasco (4/12,
Maracanã), 3 x 1 Fluminense (12/12,
Maracanã) e 3 x 0 Flamengo (18/12,
Maracanã). Também foram campeões:
o lateral Cabrita e os atacantes Ênio,
Jair Santos, Luisinho Boiadeiro, Norberto,
Tonho e Zé Carlos.
Fonte:
Jornal Lance! (Roberto Assaf – Memória
do Futebol), 19/12/2006.