CAMPEÕES,
SIM SENHOR!
Sem
contar com os quatro grandes, América,
Bangu e São Cristovão são
os únicos clubes do Rio que foram
campeões cariocas — o Paysandu,
que conquistou o título em 1912,
também faz parte dessa elite, mas
já não existe mais. Era uma
época em que, principalmente América
e Bangu, duelavam de igual para igual com
os poderosos Flamengo, Vasco, Fluminense
e Botafogo. Época em que o Campeonato
Carioca tinha o peso de um Brasileiro, pois
aqui estava a nata do nosso futebol. Muito
diferente dos tempos atuais em que nossos
craques estão em sua maioria no futebol
europeu. Para começar a série
“Grandes decisões do Campeonato
Carioca”, o JORNAL DOS SPORTS, como
é de sua tradição,
convida o leitor para uma viagem no tempo,
na qual vamos relembrar as mais importantes
decisões que deram os títulos
a esses três tradicionais clubes do
futebol do Rio. Confira nas matérias
abaixo.
1933 - Era profissional é com o Bangu
Patrocinado
pela Companhia Progresso Industrial, com
um esquema de concentração
e treinamentos intenso, o Bangu estava preparado
para os tempos de profissionalismo que começavam.
Sob a supervisão de Luis Vinhaes,
que havia feito um trabalho semelhante no
São Cristóvão em 1926,
foi formado um time com jogadores que eram
só músculos. Assim sendo,
chegou à penúltima rodada
precisando de uma vitória sobre o
Fluminense para garantir o título.
O Bairro parou para esperar o resultado.
E não houve decepção.
O Bangu fez uma partida impecável
e goleou o Tricolor dentro das Laranjeiras
por 4 a 0 (três gols de Tião
e um de Plácido). A festa em Moça
Bonita invadiu a madrugada e os estoques
de cerveja dos bares das redondezas foram
todos consumidos. No dia seguinte, nada
menos que 500 funcionários da fábrica
faltaram ao trabalho. Mas não teve
problema, pois o presidente do Bangu era
também presidente da Progresso Industrial.
No dia seguinte, o JORNAL DOS SPORTS noticiava
a conquista do primeiro campeão da
era profissional: "Quatro bolas na
rede de Armandinho, o resultado que sagrou
o Bangu campeão da cidade"
Ficha
técnica
Fluminense 0 x 4 Bangu
Data: 12 de novembro de 1933
Local: Laranjeiras
Árbitro: Alderico S. Ribeiro
Fluminense: Armandinho, Ernesto e Cabrera
(Mariz); Marcial, Brant e Ivan; Álvaro,
Vicentino, Tintas, Russo (Cabrera) e Válter.
Bangu: Euclides, Mário e Camarão;
Ferro, Santana e Médio; Paulista,
Ladislau, Tião, Plácido e
Orlandinho.
Gols: Tião (três) e Plácido.
1966 - Moça Bonita volta a sorrir
A
campanha de 15 vitórias, dois empates
e apenas uma derrota era a maior credencial
do Bangu para aquela final contra o Flamengo.
Mas o Rubro-Negro também vinha embalado
sem ter perdido um jogo sequer e sendo o
responsável pelo único insucesso
do adversário. Mas no tira-teima
decisivo só deu Bangu. No primeiro
tempo, com gols de Ocimar e Aladim, o time
de Moça Bonita praticamente decidiu
o jogo. E logo aos 3 minutos de segundo
tempo, Paulo Borges - artilheiro do time
com 16 gols - fez 3 a 0. Foi a senha para
que o atacante Almir armasse uma grande
confusão. Enfurecido, passou a agredir
os jogadores do Bangu e uma briga se generalizou.
Mas nada foi capaz de ofuscar a conquista
de Paulo Borges & Cia. Um título
que fez Bangu sorrir.
Na sua coluna no JORNAL DOS SPORTS, Nelson
Rodrigues, com a característica genialidade,
escreveu sobre a conturbada decisão:
"O sururu tem alguma coisa antiga,
espectral, fantasmagórica. E há
muito tempo não se via dois times
engalfinhados em campo, como em 1917, ou
18, ou 19 (...) Eu vi um sujeito depois
da partida arrancando os cabelos e gemendo:
"Vergonha, Vergonha!" (...) É
preciso não exagerar, amigos. Futebol
é um jogo feito de paixão.
Onde entra a paixão humana tudo é
possível, tudo (...) Uma coisa, porém,
me parece uma evidência total: a justiça
da vitória do Banguense. Sejamos
justos com o Bangu, é um grande campeão.
Ficha
técnica
Bangu 3 x 0 Flamengo
Data: 18 de dezembro de 1966
Local: Maracanã
Árbitro: Aírton V. de Moraes
Bangu: Ubirajara, Fidélis, Mario
Tito, Luis Alberto e Ari Clemente; Jaime
e Ocimar; Paulo Borges, Ladeira, Cabralzinho
e Aladim.
Flamengo: Valdomiro, Murilo, Itamar, Jaime
Valente e Paulo Henrique; Carlinhos e Nelsinho;
Carlos Alberto, Almir, Silva e Osvaldo.
Gols: Ocimar, Aladim e Paulo Borges.
Fonte:
Jornal dos Sports, 21/12/2006
Repórter: Roberto Sander.