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AMOR SEM TAMANHO NA ARQUIBANCADA

O orgulho de ser pequeno de coração

Ascensão da Cabofriense e de outros times “emergentes” leva ao Maracanã fiéis torcedores que, acima dos títulos, se dedicam há anos à sua paixão

 

Não satisfeitos em invadir o gramado do Maracanã em dias de decisão, os pequenos do futebol carioca estão, aos poucos, se sentindo à vontade nas arquibancadas do estádio. Motivados pela ascensão dos times no Estadual - que, desde 2004, disputam com os grandes finais de turno e de campeonato -, os torcedores resolveram tirar a camisa do armário e marcar presença com orgulho nos jogos.

Mas, justiça seja feita: entre as mil pessoas que vieram de Cabo Frio para o primeiro jogo da final da Taça Rio contra o Botafogo - com ingresso e transporte bancados pelo clube e pela prefeitura -, havia fiéis seguidores do Tricolor da Região dos Lagos, como o aposentado Delclécio Augusto Amorim dos Santos, de 47 anos.

Alexandre Cassiano / 26.03.07
 
A TORCIDA da Cabofriense delira:
melhor campanha da história


- Acompanho o time há 23 anos, quando o clube ainda se chamava Associação Atlética Cabofriense. Abandonei o Flamengo e passei a torcer pela equipe que representa a minha cidade. Fico até chateado quando vejo moradores de Cabo Frio que têm outro time de coração. É fácil torcer só quando o time está bem - afirma Delc1écio, que ia aos jogos mesmo quando a Cabofriense estava na Segunda Divisão.

Títulos, portanto, não justificam a dedicação dos torcedores aos times pequenos ou, como preferem alguns, "emergentes". Segundo o professor Maurício Murad, coordenador do Núcleo de Sociologia do Futebol da Uerj, só há uma explicação.

- A relação do torcedor com um time é de paixão. É uma lógica diferente da racional. Por isso, vitórias, títulos e patrimônio não fazem tanta diferença. A lógica da paixão obedece a critérios mais subjetivos, como o vínculo familiar - afirma o sociólogo, que acaba de lançar o livro" A violência e o futebol: dos estudos clássicos aos dias de hoje".

Torcedor do América, o a ator mirim Gabriel Kaufmann, de cinco anos, o Francisco da novela "Páginas da Vida", herdou dos pais, Denise, de 37, e Eduardo, de 40, a paixão pelo clube. Os dois também foram influenciados pela família.

- Meu avô levava meu pai aos jogos. Hoje, nós levamos o Gabriel. É a quarta geração de americanos da família. Só pode ter sido lavagem cerebral - brinca Denise.

Conhecida pelos amigos como Dona Baby, Celecina Vasques França, de 75 anos, não ligava para futebol até conhecer o marido, Ícaro, um americano doente, na sede do clube. Hoje, ela lamenta não poder ir aos jogos, por causa da idade. O amor é tanto que parte da herança deixada por ele foi doada ao América.

- Meu marido ficaria feliz, mas também fiz isso porque sou América de coração. Já fui até a Europa para ver o time jogar - diz Dona Baby, que deu R$ 2 mil ao clube.


O carinho pela vizinhança

Arquivo pessoal
 
VITOR: até o bolo é alvirrubro
Gustavo Azevedo / 18.04.07
 
MURAD: cultura local influencia

Filho de um rubro-negro, Vitor Moniz, de 21 anos, tem outra explicação para sua devoção ao Bangu: o bairro. Isso não quer dizer, porém, que ele precisará ser vizinho do alvirrubro da Zona Oeste pelo resto da vida. O estudante, que nasceu no mesmo ano da última grande conquista do time - o vice-campeonato brasileiro, em 1985 -, promete que não vai virar a casaca.

- Não dá mais para trocar de time - garante ele, que quase arruinou sua própria festa de aniversário por causa de uma derrota para o Juventude-MT, em 1999, pela Série C.

- A casa estava toda pronta. Mesmo assim, fui ao jogo, em Moça Bonita. Com a derrota por 1 a 0, fomos eliminados. Chorei muito. Foi o pior aniversário da minha vida.

De acordo com o sociólogo Maurício Murad, além da influência familiar, a cultura local também pesa na escolha do torcedor.

- Um time pequeno não representa um universo muito grande de torcedores. Toca mais porque expressa a cultura do lugar. Isso cria vínculos, torna a relação mais íntima. É um vizinho dele - explica.

E, como em qualquer vizinhança, torcedores e jogadores se estranham de vez em quando. Mas fazem as pazes, como conta a costureira Marly Estevão, de 39 anos, presidente da Dragões, tradicional torcida do Madureira.

- Uma vez, o Muriqui (atacante) foi vaiado pela torcida e reagiu, falando alguns palavrões. Chamei a atenção dele, que baixou a cabeça - lembra Marly. Faço com eles o mesmo que faria com os meus filhos.



Velho, sim. Pequeno, jamais

Divulgação: Sergio Loureiro Kimmeigs
 

Idade não incomoda. Já o tamanho...

Acostumados a ouvir dos adversários que a torcida do América é velha, torcedores do time encontraram uma maneira bem-humorada de responder às provocações. Um dos responsáveis pela criação da torcida Sangue Velho, o gerente de informática Ricardo Baptista conta que a idéia de reunir os americanos da "melhor idade" nasceu na Intemet.

- A torcida do América tem muitos velhos, sim, mas eles têm muita disposição - brinca Ricardo, de 42 anos.
Chamar de velho não é problema, mas de pequeno... E ofensa grave. Americano que é americano não admite que o time seja chamado de pequeno. E protesta, como os 124 membros da comunidade "O América é grande, sim", no site de relacionamentos Orkut.

- A torcida é muito unida. Já fui cumprimentado na rua por estar com a camisa do time, até mesmo fora do Rio. De repente, alguém grita: "Sangue!" - conta o vocalista do Detonautas, Tico Santa Cruz, que deixou de torcer para o Vasco em protesto a Eurico Miranda.



Fonte: Jornal Extra (Adriana Prado), 22/04/2007.

     
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