Rio de Janeiro, quinta-feira, 31 de julho de 2014 - 20h38min
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"UMA VEZ JOGADOR, SEMPRE JOGADOR"

 
Marcelinho, ex-ponta do Bangu

Vivendo em Guarapari, no Espírito Santo, Marcelinho, ex-ponta esquerda do Bangu, nos anos 80, bateu um papo conosco repassando sua carreira e abordando diversos aspectos relacionados aos estados onde jogou. Aos 48 anos, este carioca, que começou a carreira nas categorias de base do Cruzeiro, de Belo Horizonte, relembra com saudade os duelos com o lateral Leandro, do Flamengo, que incendiavam a torcida no Maracanã, e admite as dificuldades em aceitar o fim da carreira profissional mesmo depois de tantos anos sem jogar “o tempo é implacável”. No final ainda nos faz uma revelação. “Ainda pretendo ser treinador”.

» Certa vez Zico disse "Ás vezes acordo no meio da noite depois de sonhar que estava marcando um gol, com o Maracanã lotado. Acho que Deus deve estar brincando comigo quando me faz sonhar assim” . Essa saudade intensa dos velhos tempos é muito comum entre vocês, ex-jogadores?

Sim, quando se gosta daquilo que faz é difícil que se passe um dia sem ter saudades do que se passou. Até hoje me considero um jogador de futebol, na verdade não concordo com o título "ex-jogador", uma vez jogador, sempre jogador.

» Quando você começou no Cruzeiro no fim dos anos 70, o clube já não tinha Dirceu Lopes, Piazza, Zé Carlos, Nelinho e Tostão. Mesmo nas categorias de base, você observava que nos profissionais havia dificuldade para se montar o time depois de perder tantos craques?

Com certeza, porque os técnicos não confiam muito em colocar jogadores novos para repor o elenco, hoje em dia é pior porque existem poucos craques e esses poucos saem cedo para outros países.

» Quando o Bangu ganhou o Torneio Comitê de Imprensa, em 1980, você já estava na equipe?

Sim, eu já estava na equipe, o Bangu já tinha ganho esse torneio, em 1943.

» Vocês foram campeões da XIV Copa do Presidente, na Coréia do Sul, em 84. Um torneio onde estiveram as seleções de Tailândia, Guatemala e Coréia do Sul, e mais o Sporting Cristal, do Peru, o Cercle Brugge, da Bélgica e o Bayer Leverkusen, da Alemanha. Quais as principais lembranças que você tem daquela viagem e claro, como foi esta conquista?

Foi uma viagem maravilhosa, ganhamos todos os jogos e aproveitamos bem, até hoje tenho fotos tiradas por Paulinho Criciúma, que além de jogar era o nosso fotógrafo oficial.

 
Bangu em excursão na Coréia

» O Cláudio Adão tem que te agradecer muito pela artilharia dele no Carioca de 84? Se recorda de algum passe que você deu para ele marcar?

Sim, um drible que dei no lateral e fiz um cruzamento na cabeça dele, e ele, como ótimo cabeceador, colocou a bola no ângulo do goleiro.

» O Arturzinho, figura chave no vice-campeonato brasileiro de 85 pelo Bangu, era um jogador inteligente e você já percebia que ele teria potencial para se tornar treinador ou foi uma surpresa quando ele parou de jogar e se lançou numa carreira de técnico de futebol?

Não foi surpresa porque Arturzinho dentro de campo já se mostrava um líder comandando as ações do jogo.

» Ter saído do Bangu pouco antes do time conseguir o vice-campeonato brasileiro e participar da Libertadores foi algo que te deu arrependimento?

Não. Eu ainda participei de alguns jogos do vice-campeonato.

» Como eram os clássicos regionais contra o Campo Grande? Se recorda de algum em especial?

Era praticamente um clássico do subúrbio, em 1980 ganhamos a taça Euzébio de Andrade em cima deles, por 1x0. Foi um grande jogo.

» Quem mais te encantou: o Flamengo de Zico, o Vasco de Roberto Dinamite ou o Fluminense de Washington e Assis?

Todos foram ótimos times, mas o time do Flamengo era espetacular, e eu tive a oportunidade de travar grandes duelos contra o Leandro, que na época era o melhor lateral do Brasil.

» Você ainda tem contato com seus ex-companheiros de Bangu? Quantas vezes por ano vocês se falam?

Quando vou ao Rio tenho sempre encontrado com o Marinho (ponta direita) e converso com Mario e Jair pela internet, os outros faz tempo que não tenho contato.

 
O time do Bangu nos anos 80

» Quando você foi jogar o Paulistão 82 pelo Internacional de Limeira, você notou alguma diferença entre o futebol carioca e paulista?

Naquela época o futebol paulista era de pegada, principalmente jogos no interior, apesar de ter craques como Sócrates, já o carioca era mais técnico, tinha mais espaços, principalmente no Maracanã.

» Depois de tantos anos no Rio, você parece que queria experimentar coisas novas e jogou no Espírito Santo, Amazonas, e Minas Gerais. Em 86 quando você chegou no Rio Branco, dava para imaginar que o futebol capixaba estava tão decadente a ponto de chegar na situação que está hoje, ou a realidade na época era animadora?

Na época parecia que o futebol capixaba ia deslanchar, mas no finalzinho dos anos 80 e começo dos 90 começou a cair de tal maneira que chegou a esse ponto.

» Ano passado entrevistei o meia Carlos Eduardo, que veio do futebol paulista (Rio Branco, de Americana) jogar aqui no Espírito Santo. Segundo ele, quando falaram que ele viria para o Rio Branco-ES, ele pensou que fosse o Rio Branco do Acre, pois não conhecia nada do futebol capixaba, apesar do Espírito Santo ser bem mais próximo de São Paulo que o Acre. Na sua opinião, existe salvação para o futebol capixaba?

Em muitos lugares que joguei todos conheciam o Rio Branco e a Desportiva mas com a decadência do futebol capixaba, a mídia esqueceu esses times e por causa disso as novas gerações não conhecem nada do futebol daqui. A salvação está numa verdadeira profissionalização dos clubes fortalecendo as categorias de base e só assim a iniciativa privada terá coragem de investir.

» Além de Desportiva e Rio Branco, você atuou no Muniz Freire, nos anos 90. Conte-nos como era a realidade de um clube do interior do ES na época?

Disputei a Copa do Brasil pelo Muniz Freire, que apesar de não ter a estrutura de um grande clube, tinha uma diretoria esforçada e alguns torcedores ajudavam o clube.

» Quando você chegou no Fast, de Manaus, em 94, o time não ganhava o campeonato amazonense há 23 anos (até hoje esse jejum se mantém). Era muito difícil bater de frente contra o Nacional e o Rio Negro, potências estaduais, e mais o Sul América, que era o 'time da moda' no Amazonas?

O Fast clube não ganhava o campeonato, mas era considerado um dos grandes de Manaus, e na época, chegou a contratar o Josimar (ex-Botafogo e seleção brasileira) e outros jogadores, mas não conseguiu ser campeão.

» Descreva para nós como é o futebol praticado no Amazonas? Muita Pegada ou cadenciado?

Era mais cadenciado, pois a maioria dos amazonenses torcem para os times do Rio e assim gostam de um futebol mais técnico.

» Você se recorda qual foi sua última partida como jogador profissional?

Foi um jogo em Manaus, quando estava fazendo faculdade de Educação Física.

» Você teve uma experiência curta como treinador, no Libermorro, do Amazonas, em 1997. Como foi essa experiência e porquê você desistiu da carreira de técnico?

A experiência foi muito boa, pois peguei um time em último lugar e consegui que ele disputasse um triangular final. Não desisti, mas por problemas familiares tive de viajar para o Espírito Santo e aqui as oportunidades não são muito boas. Além disso, sou professor de educação física, o que me dá um retorno financeiro maior do que os clubes daqui do estado (ES) podem oferecer. Mas não é um sonho esquecido, pretendo ainda ser técnico de algum time.

» A posição de ponta-esquerda está desaparecendo no futebol. No Brasil, talvez Denílson e Sávio foram os últimos que jogaram com sucesso. Como você vê essa 'extinção' do ponta-esquerda?

Com tristeza, porque me lembro que os torcedores do Bangu na minha época iam ao estádio só pra me ver jogar nessa posição porque gostavam dos dribles e, hoje em dia, alguns técnicos preferem o futebol monótono ao futebol de espetáculo e ao mesmo tempo objetivo, que os grandes pontas proporcionavam ao futebol brasileiro e mundial.

» O que leva um 'carioca da gema' a querer morar em Guarapari, no Espírito Santo?

Conheci a cidade de Guarapari e adorei, aqui formei família e por conta disso fiz daqui um lugar para morar e criar meus filhos.

» Qual foi o jogo da sua vida?

Foi um Bangu x Flamengo disputado no Maracanã pelo campeonato carioca que fiz um golaço em Raul (goleiro), mas que foi anulado pelo juiz.

» O gol mais bonito?

Foi no Campeonato Carioca contra o Americano, de Campos, que driblei toda a defesa e coloquei a bola no cantinho do goleiro.

» Maior mancada na carreira?

Não ter aproveitado as chances que tive de ter ido pro Fluminense e Palmeiras. No Fluminense, o técnico Nelsinho me queria de qualquer maneira mas eu preferi ficar no Bangu.

» Melhor jogador que viu atuar?

Zico e Pedro Rocha, este último tive a oportunidade de jogar com ele no Bangu, em 81.

» Qual foi o defensor mais difícil de enfrentar?

Leandro, lateral do Flamengo, que tive ótimos confrontos.

» Se não fosse jogador seria o quê na vida...

Não tenho idéia, pois acho que nasci para o futebol e o minha maior tristeza é ter parado de jogar futebol, mas o tempo é implacável com o ser humano!

A FICHA DO MARCELINHO

Nome: Marcelo Trindade dos Santos
Local de Nascimento: Rio de Janeiro
Data de Nascimento: 25/01/1959
Clubes: Cruzeiro-MG (1978 à 79), Bangu-RJ (1980, 81, 84 e 85), Internacional de Limeira-SP (1982), Madureira-RJ (1983), Serrano-RJ (1985), Cabofriense-RJ (1985), Rio Branco-ES (1986), Nacional-AM (1987), Uberaba-MG (1987), Desportiva-ES (1988 à 91), Guarapari-ES (1991), Muniz Freire-ES (1992 e 93), e Fast-AM (1994).
Como treinador: Libermorro-AM (1997)


Fonte: Bola na Área (Renato Andreão), setembro de 2007.

     
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