Rio de Janeiro, quarta-feira, 22 de novembro de 2017 - 19h57min
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DEMOCRACIA BANGUENSE REBATE VARELA

José Carlos Moura (E), ex-diretor do clube e Peri Cozer (D),
líder da Democracia Bangüense.

A entrevista do presidente do Bangu Atlético Clube, Jorge Varella, ao FutRio, causou indignação em representantes da Democracia Bangüense, movimento que representa um grupo de associados que teriam sido arbitrariamente eliminados do quadro social da agremiação da Zona Oeste. O grupo exige reintegração e o resgate das tradições do alvirubro.

Na entrevista, Varela afirma que os associados foram excluidos por não pagarem taxas extras e mensalidades, além de terem perdido na Justiça todas as ações de reintegração. Empresário de 62 anos, atuante no ramo de comércio exterior, o líder do movimento, Peri Cozer, e José Carlos Moura, de 68 anos, funcionário aposentado da Petrobrás, professor de Educação Física e ex-diretor do clube contestam as declarações em entrevista exclusiva.

» O que é a Democracia Bangüense?

Peri Cozer: Constituimos um grupo de 30 associados arbitrariamente excluídos do quadro social e exigimos nossa reintegração ao mesmo, com o mesmo status quo que tínhamos quando fomos excluídos. Infelizmente foi preciso realizar uma ação judicial para que se resolvesse esta questão, pois amigavelmente não foi possível e todas as tratativas foram esgotadas.

José Carlos: Apesar de termos esta ação contra o clube, não somos inimigos da administração. Somos apenas adversários e queremos ajudar o Bangu. Somos pessoas com muita história e identificação com o clube. Sou filho do Vivi, campeão carioca de 1933 com a camisa do Bangu, no primeiro título da era profissional do futebol. Fui campeão brasileiro infanto-juvenil de vôlei pelo Bangu, em 1956. Joguei ainda tênis de mesa e basquete e fui diretor de esportes. Não somos um grupo de arruaceiros, como querem fazer crer.

» E por que Democracia Bangüense?

Peri Cozer: Muita gente imagina que tenha alguma relação com a Democracia Corintiana. Não tem nada a ver. O Bangu foi na verdade o primeiro clube verdadeiramente democrático, e a resposta está nas suas origens. É um clube fundado a partir de uma fábrica, em um espaço onde convergiam os diretores ingleses e funcionários brancos, negros e mulatos. No futebol do Bangu, todos eles jogavam. Diretor e operário, negros e brancos. Não é à toa que o Bangu teve o primeiro jogador negro da história do futebol carioca.

José Carlos: O primeiro jogador negro foi Francisco Carregal, que jogou em 1905, embora se atribua este pioneirismo ao Vasco. Basta pesquisar que se comprovará.

» Como está a ação de reintegração de posse dos títulos?

Peri Cozer: Ele (Varela) disse que perdemos em todas as instâncias e só ganhamos agora, mas não é verdade. Vencemos em todas as instâncias, e o Bangu sempre recorria. Agora não tem como. Eles terão que nos reintegrar, o processo já transitou em julgado e eles não terão outra alternativa, senão nos reintegrar, com todos os direitos, nas mesmas categorias e com os mesmos títulos que possuíamos até a exclusão. Ofereço até mesmo o número do processo, para que o leitor possa conferir o que digo no site do Tribunal da Justiça: 2004.204.001107-5. Lá (no site) o leitor pode ver e constatará que não perdemos em momento algum. Rubens (Lopes) dizia que era mais fácil ele se tornar Presidente da República do que nós retornarmos ao Bangu. Ele não será presidente jamais, mas nós estamos retornando ao Bangu.

» Como o clube reagiu à decisão judicial?

Peri Cozer: Eles têm que cumprir, mas continuam fazendo gracejos. Por exemplo, o advogado deles está enviando para alguns associados interpelações extra-judiciais, sem valor jurídico algum.

José Carlos: Eles não entendem que não somos inimigos, apenas adversários.

» E qual o objetivo dos dirigentes em excluí-los?

Peri Cozer: Não consigo vislumbrar qualquer vantagem que isso traga para o clube ou para a comunidade, então, tudo me leva a crer que seja alguma espécie de interesse pessoal, que para mim ainda não está claro qual.

» Todos os associados na mesma situação aderiram ao movimento?

José Carlos: O nosso processo foi pioneiro e envolve 30 associados, mas há um grupo de 150 associados que já está organizado e assim que formos reintegrados, eles entrarão com o processo deles, pois assim já se terá criado uma jurisprudência, afinal, é a mesma situação.

» Como e quando se deu a exclusão?

Peri Cozer: A partir do momento em que o grupo que está no poder chegou a ele, em 1995. Fomos excluídos por um processo ilegal, no arrepio da lei. Muitos estavam em dia. Outros, como eu, foram pagar e a secretaria não recebeu. Para que fossemos excluídos, deveríamos ter sido notificados e deveria haver a publicação de um edital. O clube é uma entidade pública! Eles também alegam ter enviado as cobranças pelo correio, mas ninguém recebeu. Se eram cobranças judiciais, deveria haver um aviso de recebimento, e alguém teria como comprovar o envio e o recebimento, mas ninguém recebeu. Como os endereços estariam desatualizados se todos são moradores da região? No grupo, há quem resida em Bangu há mais de 25 anos na mesma residência, portanto, não mudaram de endereço.

José Carlos: Ao mesmo tempo, foram realizadas inúmeras mudanças no estatuto, para atender aos interesses do grupo político que se apoderou do clube. Hoje, para que se registre uma chapa para concorrer as eleições, é preciso ter a aprovação de um dos grandes beneméritos do clube. O Bangu, até pouco tempo, tinha três sócios nesta condição, era um triunvirato. Um deles faleceu recentemente, então, só restam Rubens Lopes e Sérgio Saraiva.

» Qual é a identificação do bairro com o clube?

Peri Cozer: É muito grande. O morador de Bangu tem orgulho do bairro em que reside. É um bairro planejado, onde as ruas terminam em praça. Tudo organizado para bem atender à Companhia Progresso Industrial de Bangu, dona da Fábrica Bangu de tecidos. Por isto, apenas Bangu e Tijuca têm nomes específicos para rotular seus moradores: Bangüense e Tijucano. Apesar disso, é preciso oferecer opções para que o morador se associe ao clube. A sede social nada oferece, e por isto tem tão poucos sócios.

José Carlos: Hoje não moro mais em Bangu, mas todos nós temos um elo com o bairro, e é um elo muito forte, nossas histórias estão aqui, e o Bangu precisa voltar a ser o clube da comunidade.

» Quais os projetos para o clube?

Peri Cozer: Fomos alijados do Bangu e nosso primeiro objetivo é conquistar formalmente a reintegração, nas mesmas condições que estávamos no momento da exclusão. Reintegrados, retomaremos o convívio com o clube e conheceremos sua real situação, e a patir daí, a batalha será outra. Precisamos ser reintegrados para conhecer a situação real do clube, já que não há transparência. A Democracia Bangüense não é um grupo político, um grupo homogêneo ou um clube. É a reunião de um grupo de associados que busca reaver seus direitos. Aguardamos o cumprimento da decisão judicial que nos reintegra.


Fonte: FutRio (Da Redação), 27/11/2007.

     
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