Rio de Janeiro, segunda-feira, 24 de novembro de 2014 - 22h17min
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LEMBRA DELE? MARINHO, O XODÓ DO BANGU, DE CATADOR DE LIXO ÀS OLIMPÍADAS DE 76

Ex-atacante troca esbórnia por vida regrada ao lado da terceira esposa, em Realengo. Número de filhos coincide com a camisa 7, que vestia na ativa

Reprodução/Arquivo Pessoal
 
Marinho brinca com a fama de boêmio, mas garante que hoje leva vida regrada

As marcas no rosto são sinais da infância sofrida. Mas os cabelos grisalhos indicam a conquista da harmonia. Caneca de vinho numa mão, cigarro na outra, Marinho não abandonou a boêmia. No entanto, o ponta-direita que marcou época em Atlético-MG, Botafogo e Bangu "está em paz com a família". Trocou os carros importados, as mulheres a granel e as drogas por uma vida regrada no bairro de Realengo, Zona Norte do Rio de Janeiro.

- Ganhei muito dinheiro com o futebol. Cheguei a ter oito carros na garagem. Fazia sexo todos os dias. Mas mudei radicalmente de vida. Hoje em dia não agüento nem a minha mulher direito. Só fico na velocidade número 1 do 'Créu' - brinca o ex-atacante, de 51 anos, que, da época de jogador, só não perdeu a mania de colecionar perfumes. E conta com uma fragrância para cada dia da semana.

Treinador dos times infantil e juvenil do Ceres (clube acanhado carioca), Marinho aconselha os garotos a terem responsabilidade fora de campo. Compara a profissão de jogador de futebol à de funcionários de uma fábrica. Quem não produz com qualidade é mandado embora e dificilmente consegue espaço em outro clube.

- Sou o exemplo vivo de quem errou muito na vida. Não quero que os meus meninos caiam nas mesmas armadilhas. Para convencê-los da minha experiência nos gramados, mostro um DVD da época em que jogava. Não tem nenhum lance extracampo - diverte-se.

Reprodução/Arquivo Pessoal
 
Marinho (primeiro agachado da esquerda para a direita) integrou a seleção brasileira de 74 a 86

Lançado pelo Atlético-MG em 76, Marinho já se destacava, há dois anos, nas categorias de base da seleção brasileira. Foi puxado dos juniores pelo então técnico Telê Santana. E, no mesmo ano, convocado para disputar as Olimpíadas de Montreal, no Canadá.

- Sou da geração de Reinaldo, Paulo Isidoro e Toninho Cerezo. Não esqueço da minha primeira convocação, em 74. Era o início de um ciclo com a camisa amarelinha que durou até 86. Com o desgosto de ter ficado de fora das Copas do Mundo de 82 e 86. Essa é a minha grande mágoa com o Telê. Ele extinguiu os pontas direita e esquerda no Brasil - afirma o ex-camisa 7, que em setembro, com o nascimento de Micail, chega à mesma quantidade de filhos do número que o consagrou, com três mulheres diferentes (Tânia, Laisa e Valda).

Reprodução/Arquivo Pessoal
 
Marinho com a esposa Valda e as filhas Mirela e Micaela ( no colo) na sua casa, em Realengo

Vice-campeão brasileiro com o Bangu (85) e bi estadual (89 e 90) vestindo a camisa do Botafogo, Marinho nem sempre teve motivos para celebrar a vida. Filho de uma família pobre em Belo Horizonte, passou fome, morou num terreno baldio e quase enlouqueceu.

- Minha mãe teve sete filhos, criou mais seis primos e ainda recolhia crianças abandonadas que via nas ruas. Minha casa era bem pequena. Sem geladeira, luz e fogão. Mas abrigava 18 pessoas. Nos alimentávamos de restos colhidos em uma lixeira central de BH. Só fui beber água gelada, na concentração do Atlético-MG, aos 14 anos. Aos 24, jogando pelo América de São Paulo contra o Santos, vi o mar pela primeira vez. Guardei aquela água salgada numa garrafinha para mostrar lá em casa - conta Marinho, que só aprendeu a ler e escrever aos 22 anos, graças aos ensinamentos da ex-esposa Tânia.

Xodó do bicheiro Castor de Andrade, Marinho confessa que recebia dinheiro extra até nos treinos do Bangu. A cada pênalti convertido no coletivo, ele ganhava do dirigente o equivalente a R$ 2 mil. Fez fortuna, mas admite que não estava com a cabeça preparada para a fama. Por isso, perdeu tudo: amigos, apartamentos e quase foi-se embora a dignidade.

- Queria ganhar o dinheiro de antes com a cabeça que tenho agora. O jogador desequilibrado deu lugar ao homem responsável. Agora, tenho um carro popular e moro de aluguel. Só que sou muito mais feliz assim - garante o avô do João Vitor, que por três meses morou no próprio carro, pois não sentia vontade de voltar para casa. Entretanto, nos dias de hoje, pede para sair na foto ao lado da família.

Reprodução/Arquivo Pessoal
 
Marinho divide flashs com Cláudio Adão, Paulinho Mclaren e Ado. Time base do vice brasileiro em 85

Fonte: GLOBOESPORTE.COM (Fabrício Costa), 11/06/2008.


GLOBO VÍDEOS:

. Ex-jogador Marinho diz estar bem, mas lamenta atual situação do Bangu.
     
Depois de deixar o emprego no clube onde foi ídolo, ex-atacante trabalha no Ceres e está prestes a ser pai pela sétima vez.

. Ex-atacante Marinho comenta os altos e baixos de sua carreira.
     
Vice-campeão brasileiro em 1985, com o Bangu, atacante fala sobre sua relação com o técnico Telê Santana e 'seu patrono' Castor de Andrade.

. Ex-atacante Marinho manda um recado para os jovens jogadores de futebol.
     
Ex-jogador se diz exemplo vivo e alerta para determinação que um jogador de futebol tem que ter para ser bem-sucedido na carreira.

     
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