LEMBRA
DELE? MARINHO, O XODÓ DO BANGU, DE
CATADOR DE LIXO ÀS OLIMPÍADAS
DE 76
Ex-atacante
troca esbórnia por vida regrada ao
lado da terceira esposa, em Realengo. Número
de filhos coincide com a camisa 7, que vestia
na ativa
Reprodução/Arquivo
Pessoal |
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| Marinho
brinca com a fama de boêmio, mas
garante que hoje leva vida regrada |
As
marcas no rosto são sinais da infância
sofrida. Mas os cabelos grisalhos indicam
a conquista da harmonia. Caneca de vinho
numa mão, cigarro na outra, Marinho
não abandonou a boêmia. No
entanto, o ponta-direita que marcou época
em Atlético-MG, Botafogo e Bangu
"está em paz com a família".
Trocou os carros importados, as mulheres
a granel e as drogas por uma vida regrada
no bairro de Realengo, Zona Norte do Rio
de Janeiro.
- Ganhei muito dinheiro com o futebol. Cheguei
a ter oito carros na garagem. Fazia sexo
todos os dias. Mas mudei radicalmente de
vida. Hoje em dia não agüento
nem a minha mulher direito. Só fico
na velocidade número 1 do 'Créu'
- brinca o ex-atacante, de 51 anos, que,
da época de jogador, só não
perdeu a mania de colecionar perfumes. E
conta com uma fragrância para cada
dia da semana.
Treinador dos times infantil e juvenil do
Ceres (clube acanhado carioca), Marinho
aconselha os garotos a terem responsabilidade
fora de campo. Compara a profissão
de jogador de futebol à de funcionários
de uma fábrica. Quem não produz
com qualidade é mandado embora e
dificilmente consegue espaço em outro
clube.
- Sou o exemplo vivo de quem errou muito
na vida. Não quero que os meus meninos
caiam nas mesmas armadilhas. Para convencê-los
da minha experiência nos gramados,
mostro um DVD da época em que jogava.
Não tem nenhum lance extracampo -
diverte-se.
Reprodução/Arquivo
Pessoal |
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| Marinho
(primeiro agachado da esquerda para
a direita) integrou a seleção
brasileira de 74 a 86 |
Lançado pelo Atlético-MG em
76, Marinho já se destacava, há
dois anos, nas categorias de base da seleção
brasileira. Foi puxado dos juniores pelo
então técnico Telê Santana.
E, no mesmo ano, convocado para disputar
as Olimpíadas de Montreal, no Canadá.
- Sou da geração de Reinaldo,
Paulo Isidoro e Toninho Cerezo. Não
esqueço da minha primeira convocação,
em 74. Era o início de um ciclo com
a camisa amarelinha que durou até
86. Com o desgosto de ter ficado de fora
das Copas do Mundo de 82 e 86. Essa é
a minha grande mágoa com o Telê.
Ele extinguiu os pontas direita e esquerda
no Brasil - afirma o ex-camisa 7, que em
setembro, com o nascimento de Micail, chega
à mesma quantidade de filhos do número
que o consagrou, com três mulheres
diferentes (Tânia, Laisa e Valda).
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Pessoal |
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| Marinho
com a esposa Valda e as filhas Mirela
e Micaela ( no colo) na sua casa, em
Realengo |
Vice-campeão
brasileiro com o Bangu (85) e bi estadual
(89 e 90) vestindo a camisa do Botafogo,
Marinho nem sempre teve motivos para celebrar
a vida. Filho de uma família pobre
em Belo Horizonte, passou fome, morou num
terreno baldio e quase enlouqueceu.
- Minha mãe teve sete filhos, criou
mais seis primos e ainda recolhia crianças
abandonadas que via nas ruas. Minha casa
era bem pequena. Sem geladeira, luz e fogão.
Mas abrigava 18 pessoas. Nos alimentávamos
de restos colhidos em uma lixeira central
de BH. Só fui beber água gelada,
na concentração do Atlético-MG,
aos 14 anos. Aos 24, jogando pelo América
de São Paulo contra o Santos, vi
o mar pela primeira vez. Guardei aquela
água salgada numa garrafinha para
mostrar lá em casa - conta Marinho,
que só aprendeu a ler e escrever
aos 22 anos, graças aos ensinamentos
da ex-esposa Tânia.
Xodó do bicheiro Castor de Andrade,
Marinho confessa que recebia dinheiro extra
até nos treinos do Bangu. A cada
pênalti convertido no coletivo, ele
ganhava do dirigente o equivalente a R$
2 mil. Fez fortuna, mas admite que não
estava com a cabeça preparada para
a fama. Por isso, perdeu tudo: amigos, apartamentos
e quase foi-se embora a dignidade.
- Queria ganhar o dinheiro de antes com
a cabeça que tenho agora. O jogador
desequilibrado deu lugar ao homem responsável.
Agora, tenho um carro popular e moro de
aluguel. Só que sou muito mais feliz
assim - garante o avô do João
Vitor, que por três meses morou no
próprio carro, pois não sentia
vontade de voltar para casa. Entretanto,
nos dias de hoje, pede para sair na foto
ao lado da família.
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| Marinho
divide flashs com Cláudio Adão,
Paulinho Mclaren e Ado. Time base do
vice brasileiro em 85 |
Fonte:
GLOBOESPORTE.COM (Fabrício Costa),
11/06/2008.
GLOBO VÍDEOS:
. Ex-jogador
Marinho diz estar bem, mas lamenta atual
situação do Bangu.
Depois
de deixar o emprego no clube onde foi ídolo,
ex-atacante trabalha no Ceres e está
prestes a ser pai pela sétima vez.
. Ex-atacante
Marinho comenta os altos e baixos de sua
carreira.
Vice-campeão
brasileiro em 1985, com o Bangu, atacante
fala sobre sua relação com
o técnico Telê Santana e 'seu
patrono' Castor de Andrade.
. Ex-atacante
Marinho manda um recado para os jovens jogadores
de futebol.
Ex-jogador
se diz exemplo vivo e alerta para determinação
que um jogador de futebol tem que ter para
ser bem-sucedido na carreira.