DE
VOLTA À PRIMEIRA DIVISÃO DO
CARIOCA, BANGU TENTA RESGATAR PASSADO VITORIOSO
Duas vezes campeão
do Rio de Janeiro e vice do Brasileirão
em 1985, centenário clube da Zona
Oeste volta a dar alegria a seus fiéis
torcedores
Na
última terça-feira foi divulgada
a tabela do Campeonato Carioca de 2009. E
uma novidade é a presença do
Bangu entre os times da Primeira Divisão
do Rio. Fato que não acontecia desde
2004, ano em que o Alvirrubro foi rebaixado.
Os fiéis torcedores do clube comemoraram
muito o retorno à elite do futebol,
sacramentado após a vitória
sobre o Aperibeense por 2 a 0, no último
sábado. Uma partida que, segundo muitos
banguenses, serviu para compensar duas "injustiças
históricas".
Cezar
Loureiro/AGÊNCIA O GLOBO
O
título da Segunda Divsão
do Rio garantiu a volta do Bangu à
elite do futebol carioca
A
primeira delas remete a um passado recente,
mais precisamente há quatro anos. Em
2004, o Bangu Atlético Clube entrava
para o seleto grupo de clubes de futebol que
atingia a imponente marca de 100 anos de existência.
A expectativa era a de uma temporada especial
e festiva, em que o passado vitorioso do time
seria resgatado ao menos em sua tradicional
competitividade. Mas o centenário alvirrubro
foi marcado por uma grande decepção.
Em 12 partidas no Carioca, apenas cinco pontos
foram conquistados e o rebaixamento foi inevitável.
Poderia se tratar de uma fatalidade passageira,
mas o objetivo de retornar à Primeirona
bateu na trave nos anos de 2005, 2006 e 2007.
Este ano, o Bangu conseguiu dar um basta nos
maus resultados e reinou soberano na Segundona.
Em 30 jogos, venceu 20 e sofreu apenas quatro
derrotas. Foram 52 gols marcados e 21 sofridos.
Para devolver o orgulho do torcedor banguense,
o último triunfo da campanha - e o
título - veio contra um adversário
que também estava engasgado. Não
o Aperibeense, time ainda sem muita tradição
no Rio, mas sim quem estava no comando técnico
da equipe: o ex-atacante Índio. O mesmo
que em 1985, na final do Campeonato Brasileiro,
fez um gol diante do Alvirrubro e ajudou o
Coritiba a conquistar o título nacional
nos pênaltis. Em um Maracanã
lotado por torcedores de todos os clubes do
Rio apoiando o time da Zona Oeste.
Com antigos fantasmas exterminados, o Bangu
agora sonha em resgatar o passado que marcou
de forma positiva a história do clube.
Um século de futebol
Reprodução/Divulgação
Craque
da Copa de 50, Zizinho (centro), ao
lado de Décio e Nívio,
atuou no Bangu de 1950 a 57
Desde
o início, o Bangu teve seu nome vinculado
à classe operária fabril e
ao bairro onde está localizado. Britânicos
que trabalhavam na Fábrica Bangu
de tecidos no final do século XIX
trouxeram bolas e chuteiras em suas bagagens
e apresentaram o esporte a brasileiros.
Estusiasmados com o novo esporte, resolveram
criar o Bangu Atlético Clube no dia
17 de abril de 1904. A primeira partida
foi disputada contra o Rio Cricket and Athletic
Association, em 24 de julho do mesmo ano.
Derrota alvirrubra por 5 a 0.
Apesar desse tropeço inicial, o clube
orgulha-se de conquistas e campanhas importantes
tanto no cenário carioca quanto no
âmbito nacional, além de ter
participado de momentos históricos
do futebol. Suas duas conquistas estaduais
são prova disso. Em 1933, tornou-se
o primeiro campeão profissional de
futebol (antes os campeonatos eram amadores).
E em 66, consagrou-se como o último
a furar a hegemonia de Botafogo, Flamengo,
Fluminense e Vasco no Rio.
Em 1985 esteve muito perto de vencer o Campeonato
Brasileiro. Com o ponta-direita Marinho
como destaque e com o incentivo financeiro
do bicheiro Castor de Andrade, patrono do
clube, a equipe perdeu o título nos
pênaltis para o Coritiba. No mesmo
ano, foi vice carioca, caindo diante do
Fluminense em uma decisão marcada
por um pênalti não marcado
de Vica sobre Cláudio Adão
no lance final do jogo.
Pioneiro na luta contra o racismo
Reprodução/Divulgação
Domingos
da Guia (último à direita)
é homenageado no hino do Bangu
Um
dos maiores orgulhos dos clube é
o de ter revelado Domingos da Guia, considerado
um dos melhores zagueiros brasileiros de
todos os tempos e que disputou a Copa do
Mundo de 1938.
Tanto é que a primeira estrofe do
hino do clube faz menção ao
zagueiro:
"O
Bangu tem também a sua história,
sua glória,
Enchendo seus fãs de alegria.
De lá, pra cá, surgiu o Domingos
da Guia."
Outros
nomes famosos como Zizinho (craque da Copa
de 50), Zózimo (bicampeão
mundial em 58 e 62), Ademir da Guia (filho
de Domingos), Cláudio Adão,
Paulinho Criciúma, Marinho e Mauro
Galvão vestiram o uniforme listrado
vermelho e branco. O que, porém,
carregaria maior importância histórica
seria Francisco Carregal: o primeiro jogador
negro a disputar uma partida de futebol
em território brasileiro. A atitude
pioneira banguense aconteceu em 14 de maio
de 1905 e não foi bem aceita pelos
demais times, que em 1907 proíbiram
oficialmente a participação
de negros na Liga Metropolitana (o Estadual
da época). Como o Bangu não
quis acatar a decisão, foi desligado
da entidade, mantendo-se fiel aos ideais
que acompanhariam o clube até hoje.
Um orgulho eterno para os torcedores banguenses.
Repórter:
Rafael Cardoso
Fonte: GloboEsporte.com, publicada em 20/11/2008.
Baú do esporte
. Em 1985, Bangu chega à
final do Campeonato Brasileiro, mas perde
nos pênaltis para o Coritiba. (Veja
o vídeo)
. Em 1987, altos bichos pagos por Castor
de Andrade eram motivação
extra para jogadores do Bangu. (Veja
o vídeo)