Rio de Janeiro, sexta-feira, 12 de março de 2010 - 15h08min
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DE VOLTA À ELITE E SEM DINHEIRO DO BICHO, BANGU TENTA SE RECONSTRUIR

Diretoria alvirrubra pensa em fazer o clube grande outra vez, mas tudo em seu tempo

RIO DE JANEIRO - Quatro anos após a queda, o regresso. O período na Segunda Divisão foi longo e doloroso, mas enfim o Bangu está de volta à elite do futebol carioca - se sagrou campeão da Segundona no último sábado, ao bater o Aperibeense por 2 a 0 e assegurar o primeiro lugar do Quadrangular. Clube tradicional e que carrega uma história de 104 anos, o Alvirrubro já ocupou o hall dos grandes no país, mas passou por período de decadência e chegou à beira da falência. Na verdade, a vida banguense se resume em antes e depois de Castor de Andrade, considerado o eterno "patrono" do clube de Moça Bonita.

Sob o comando do ex-bicheiro, morto em 1997, após infarto fulminante, o Bangu viveu tempos de Glória na década de 1980 e se firmou na primeira divisão nacional. O grande momento do clube foi em 1985, quando ficou com o vice-campeonato brasileiro ao ser derrotado pelo Coritiba na final, em disputa de pênaltis. O golpe pela perda do título foi arrebatador e a fase nunca mais foi tão positiva.

Em 1988, o Bangu encerrou o Brasileiro em 21º (ao todo eram 24 clubes) e acabou rebaixado. Em 1990, já estava disputando a Série C e o desmoronamento de uma rica história parecia inevitável. A esta altura, Castor já não injetava dinheiro como antes. Em 1993, o "patrono" alvirrubro, assim como toda a cúpula do bicho, acabou preso. Desde então, o Alvirrubro não viu mais um centavo do dinheiro da contravenção que o fizera brilhar na década anterior.

A queda em âmbito nacional se estendeu, aos poucos, à esfera estadual. Em 2004, a queda sacramentou a decadência. Entretanto, uma diretoria "pés no chão", comanda pelo atual presidente Jorge Varela, assumiu em 2007. Sem "mala-preta", nem "mala-branca", o Bangu renasceu.


Reprodução
Zózimo começou a carreira no Bangu e disputou as Copas de 58 e 62 pela seleção

"Na época do Castor, ele chegava com a mala cheia de dinheiro e, pronto, resolvia todos os problemas. Mas hoje não é assim. As dificuldades são muito grandes e os recursos escassos. Tenho de correr atrás de patrocinadores, senão a coisa não funciona. Existe uma serie de dificuldades. Na segunda divisão deste ano, tivemos de buscar novamente parcerias com clubes (Resende, Madureira, Cabofriense e Friburguense), por exemplo, para montar o time", afirma Varela.

A partir de 2009, porém, o caminho será outro. A diretoria banguense já corre atrás de um patrocinador forte, que dê o suporte necessário ao clube. Mas a ousadia não ultrapassa barreiras. O primeiro objetivo é formar com as "próprias forças" um time capaz de manter o Bangu na Primeira Divisão para que, com o tempo e readaptado à elite, possa pensar em vôos mais altos no futuro.

"A partir de agora as cosias vão tomar outro rumo. Estamos renegociando algumas coisas e conversando com alguns possíveis patrocinadores, que devem nos dar a condição financeira de suportar um campeonato do porte do Estadual. Com certeza será um time para ficar na primeira divisão. Depois, vamos pensando em coisas maiores. Tudo tem seu tempo", avaliou, complementando.

"Mas é lógico que o time será montado de acordo com aporte financeiro que conseguirmos. Contudo, uma coisa é certa: não vamos mais atuar com jogadores de outros clubes. Todos os emprestados, ou ao menos a maioria deles, voltarão para seus respectivos clubes", emendou o presidente, que tem mandato em vigor até o fim de 2010.


Primeira mudança


A diretoria alvirrubra pretendia manter Roy como técnico do time para a próxima temporada. Mas o treinador voltará mesmo para o Resende, assim como toda sua comissão. Desta forma, Ademir Fonseca - ex-volante de Botafogo, Ituano, Santa Cruz, Vitória-BA e Atlético-PR entre os anos 80 e início dos anos 90-, será o responsável por reconstruir a história alvirrubra na Primeira Divisão estadual.

O novo comandante terá uma missão complicada. Afinal, o time será praticamente desmanchado. Apesar das promessas de patrocínio, não será injetada nenhuma quantia milionária. Assim, Fonseca terá de ter paciência e precisão cirúrgicas para encontrar bons e promissores valores. Sem Castor, terá de usar faro canino.

NOME: Bangu Atlético Clube
FUNDAÇÃO: 17 de abril de 1904
ESTÁDIO: Proletário Guilherme da Silveira Filho (Moça Bonita)
TÍTULOS: Estaduais de 1933 e 1966 e Taça Rio de 1987 (invicto)
ÍDOLOS: Domingos da Guia, Zizinho, Zózimo, Ubirajara e Marinho


Repórter: Bruno Rousso
Fonte: Pelé.Net, publicada em 21/11/2008.
     
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