105
ANOS DE GLÓRIAS
Bangu
festeja mais um aniversário com muitas
e ricas histórias para contar
Rio
de Janeiro - “O Bangu tem também
a sua história a sua glória,
enchendo seus fãs de alegria”.
O trecho do hino retrata bem o Bangu Atlético
Clube, que completa nesta sexta-feira, 105
anos de muitos triunfos. Na casa nº.
12 da Rua Estevão (depois Rua Ferrer
e atualmente Avenida Cônego Vasconcelos),
após uma reunião o clube foi
fundado no dia 17 de abril de 1904, por
técnicos ingleses, que trabalhavam
na Fábrica Bangu.
O bicampeão carioca (1933 e 66),
o Bangu esteve presente no primeiro Estadual
de 1906. Para poder ter o seu estádio,
foi feita em linha paralela ao terreno da
Fábrica Bangu pelo diretor da Companhia
e Presidente Honorário do Bangu,
João Ferrer, em tempo recorde. O
sacrifício valeu à pena e
o Bangu inaugurou com vitória, em
jogo amistoso (13/05/06), Riachuelo FC por
2 a 0. Uma semana depois (20/05), estreou
no 1º Estadual vencendo o Football
& Athletic por 3 a 1, na ‘cancha
encantada da Rua Ferrer’, como dizia
na época o locutor Ary Barroso.
Coincidência ou não, o fato
que a entrada de Castor de Andrade, em 1926
no Bangu foi o divisor de águas na
história do clube. Antes disso, a
melhor campanha foi em 1916, com um terceiro
lugar. Sete anos depois, o Bangu conquistava
o seu primeiro título. Com vitórias
marcantes sobre o Flamengo (3 a 1) e Fluminense
(4 a 0 e 2 a 0), o Alvirrubro fechou com
16 pontos em 10 jogos: sete vitórias,
dois empates e apenas uma derrota, marcando
35 gols e sofrendo 16.
No dia 17 de novembro de 1947, um novo marco
foi à inauguração do
Estádio Proletário Guilherme
da Silveira, Moça Bonita, com capacidade
para 15 mil torcedores. O primeiro jogo
em cariocas, aconteceu no ano seguinte.
No dia 25 de julho de 1948, pela terceira
rodada, o Bangu goleou o São Cristóvão
por 3 a 0.
Até 1966, o Bangu tinha conquistado
vários torneios, mas o Estadual,
nada. Então, neste ano o Bangu arrasou!
Foram 32 pontos em 18 jogos (15 vitórias
dois empates e apenas uma derrota, com 50
gols pró e apenas oito contra, saldo
de 42). Apesar da brilhante campanha, o
título só chegou à
última rodada. Precisando apenas
de um empate contra o Flamengo, o Banguzão
não fez por menos e goleou por 3
a 0, no Maracanã. Ocimar abriu o
placar aos 23 minutos e Aladim ampliou três
minutos depois. No segundo tempo, Paulo
Borges marcou o terceiro, logo aos três
minutos, levando o segundo caneco para Moça
Bonita. A relação de Castor
de Andrade com o Bangu durou mais de meio-século
até 1997. Em homenagem ao patrono,
Castor virou mascote do clube.
Verdadeiros
‘Escretes de ouro’ banguenses
Rio de Janeiro - Ubirajara, Zanata, Domingos
da Guia, Mauro Galvão (foto ao lado)
e Marco Antônio; Carlos Roberto, Zózimo,
Zizinho e Ademir da Guia (foto à
direita); Paulo Borges e Ladislau. Técnico:
Moisés. Do outro lado: Wagner, Perivaldo,
Mário Tito, Márcio Rossini
e Marinho Chagas; Mário, Arturzinho
e Jorge Mendonça; Marinho, Moacir
Bueno e Aladim. Técnico: Elba de
Pádua Lima, Tim.
Em comum, acima, duas verdadeiras seleções.
Todos estes jogadores tiveram passagem pelo
Bangu, e ainda ficaram de fora Mendonça,
o zagueiro Denílson, Cláudio
Adão, o meia Neto, Paulinho Criciúma,
Renato Gaúcho entre outros. O zagueiro
Domingos da Guia (foto abaixo), que tem
o seu nome no hino do clube, e o seu filho
Ademir da Guia, são alguns gênios
da bola, revelados pelo clube da Zona Oeste.
Alguns jogadores deixaram marcas profundas
no Bangu. Irmão de Domingos da Guia,
o atacante Ladislau, que jogou entre 1922
a 40, até o hoje é o maior
artilheiro da história do Bangu com
217 gols em 325 jogos (média de 0,7
gol por partida). Já o goleiro Ubirajara,
que atuou entre 56 a 69, tem dois recordes:
com o maior número de jogos (538)
e o jogador que mais vezes saiu de campo
com vitória (290).
Já no banco de reservas, ninguém
comandou mais o Bangu do que o Moisés.
O treinador teve três passagens, a
primeira de 83 a 86; depois a segunda em
1989 e a última de 92 a 94, totalizando
301 jogos (148 vitórias, 100 empates
e 53 derrotas, um aproveitamento de 65,8%).
Porém, a melhor média foi
Tim que tem 67,4% em 293 partidas (167 vitórias,
61 empates e 65 derrotas).
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Repórter:
Sérgio Mello
Fonte: Jornal dos Sports, publicada em 17/04/2009.