Dois torcedores mantêm site recheado de histórias e números do clube
Arquivo pessoal
O JORNALISTA Carlos Molinari mora em Brasília,
mas não abandona o amor pelo Bangu e o hobby pelas estatísticas do clube da Zona Oeste
Se o presente do Bangu não anima, o passado rico virou hobby para dois torcedores que mantêm há quase 10 anos um site dedicado às estatísticas e à História do clube. Sem motivos para comemorar em campo, o jornalista Carlos Molinari e o técnico de informática Paulo Roberto têm no 'Bangu.net' sua maneira de exaltar a paixão que vem desde criança, quando o Bangu era uma das forças do futebol carioca.
Criado em 2002, o site vai fundo na história do Bangu. É possível descobrir que Ladislau é o maior artilheiro, com 222 gols, ou que o clube disputou 568 jogos no Maracanã. O 'Bangu.net' é confundido por torcedores como o site oficial.
"Parecemos malucos. É um hobby', brinca Paulo Roberto, de 43 anos, responsável pela manutenção e atualização do site. ''A ideia era ter só estatística, mas as pessoas pediram e colocamos as notícias atuais”.
A pesquisa histórica e de estatística fica a cargo de Carlos, de 32 anos. O torcedor começou seu projeto de historiador do Bangu em 1999, quando se tornou diretor de patrimônio. Em dois anos no cargo, vasculhou o passado nos arquivos e nos jornais antigos, e começou a montar seu arquivo pessoal.
"Sempre tive curiosidade e o Bangu não tinha essas estatísticas. Em 99, me candidatei a escrever o livro sobre o Bangu. Comecei a pesquisar e a conhecer as histórias que me surpreendem. As atas das primeiras reuniões são muito curiosas, escritas em português, mas por ingleses. O que me encanta muito são as fotos”, afirmou Carlos, que publicou dois livros por conta própria ('Almanaque do Bangu' e "Nós é que somos banguenses').
Numa dessas pesquisas em 2001, Carlos conheceu o site dedicado a números do Bangu na década de 80, feito por Paulo Roberto com arquivos pessoais como treino para um curso de criação de site. Depois de perderem a disputa para fazer o site oficial, os dois resolveram criar o 'Bangu.net'.
"Não é conhecimento que quero guardar para mim. O legal é disponibilizar para os outros. Tenho mais de mil fotos, é só me pedir”, disse Carlos.
As atualizações são constantes, assim como as pesquisas para descobrir novos jogos e histórias. E tudo feito de longe. Carlos mora em Brasília há quase 10 anos e não deixou a distância acabar com o hobby.
"O divertido é isso, a pesquisa não acaba nunca. Dá para saber tudo sobre Zizinho e Mauro Galvão, mas há outros jogadores que são muito mais difíceis de conseguir informações. É um quebra-cabeça”.
EM 107 ANOS
Pesquisa no passado revela histórias 'difíceis de acreditar'
Em suas pesquisas pelo passado do Bangu, Carlos Molinari teve a oportunidade de conhecer melhor o clube de coração e também descobrir histórias interessantes. Além das tradicionais com Castor de Andrade, o jornalista ficou impressionado com um acontecimento no início do futebol, no primeiro jogo contra o Flamengo.
"Tem cada história doida que não dá para acreditar. Em 1912, o goleiro Heráclito entrou em campo bêbado e levou um monte de frango, segundo os jornais. O jogo terminou 7 a 4 para o Flamengo”, conta Carlos, que também acha interessante a história da herança que sumiu em 1984: "Um professor do IME que não tinha família e era banguense deixou sua fortuna para o Bangu. Dava para comprar a Seleção, mas os cofres do clube nunca viram. A Casa São Luiz recebeu a outra metade da herança, fez obra e melhorou tudo”.
Entre as críticas às últimas administrações do Bangu, Carlos prefere usar suas estatísticas para escolher o ídolo. "Sou fã dos amadores, que não recebiam para jogar. De todos, meu ídolo é o Ladislau. Ele foi artilheiro do Carioca em 1930 e 1935 e é o maior goleador do Bangu com uma média incrível. Nunca o vi jogar, sou fã pelos números”, explicou.
143MIL PRESENTES
O maior público em um jogo do Bangu foi em 66: Bangu 3x0 Fla
533 JOGOS
O goleiro Ubirajara foi quem mais atuou pelo clube: de 56 a 69
18 GOLS
O Bangu fez 18 a 0 sobre um combinado de Manchester, em 91.
Repórter:
Hugo Perruso
Fonte: Jornal Marca Brasil, publicada em
12/02/2012.