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03/02/2017 -
O Vasco é o cemitério dos goleiros do Bangu
Fonte: Carlos Molinari

O bisonho gol de escanteio sofrido pelo goleiro Márcio contra o Vasco, na última quinta-feira, não foi uma exclusividade do camisa 1 banguense. Outros goleiros alvirrubros já falharam feio contra o time cruzmaltino desde o primeiro confronto entre as duas equipes, em 1919.

Porém, algumas vezes os erros custaram caríssimo: os “frangos” significaram também o afastamento definitivo de cada um desses goleiros da meta alvirrubra. José de Mattos (em 1929), Rey (em 1940), João Alberto (em 1944) e Luiz Borracha (em 1951) foram execrados e dispensados do clube após “entregarem o ouro” para o Vasco. Numa época ainda sem televisão para reprisar o lance várias vezes, foram os jornais os grandes carrascos dos goleiros banguenses.

15 de junho de 1919 – Bangu e Vasco se enfrentam pela primeira vez na história. Um amistoso no campo do América, à rua Campos Sales. O Bangu ganha fácil por 4 a 1. Porém, o gol de honra do Vasco foi uma falha bisonha do goleiro banguense José de Mattos, de apenas 17 anos:
“O goal do Vasco foi marcado pelo keeper do Bangu numa pegada infeliz” - sintetizou a Gazeta de Notícia.

7 de abril de 1929 – Dez anos depois, José de Mattos, bem mais experiente, agora com 27 anos, ainda era o goleiro alvirrubro. O jogo entre Bangu e Vasco, em São Januário, valia pela 1ª rodada do Campeonato Carioca. Os vascaínos foram implacáveis. Enfiaram uma goleada de 9 a 1 – só o atacante Russinho fez cinco gols – e Mattos jamais teria outra chance. Levou sozinho a culpa pelo massacre e teve que encerrar sua longa carreira naquele dia.
“O seu guardião, o veterano Mattos, foi um fracasso, deixando passar bolas perfeitamente defensáveis. Afora a sua má colocação, Mattos foi moroso, pouco seguro” - crucificou-o o jornal A Noite. No jogo seguinte, contra o Fluminense, o Bangu apresentava o goleiro Nelson Conceição, ex-jogador do próprio Vasco.

5 de maio de 1940 -  Bangu e Vasco vão jogar na rua Campos Sales pela 2ª rodada do Campeonato Carioca. O goleiro banguense Rey – famoso na época por namorar a cantora de rádio Aracy de Almeida – já tinha defendido a meta vascaína nos anos 30 e prometia uma bela atuação contra seu ex-clube. “O Bangu passará um susto no Vasco. Pretendo fazer uma grande partida contra o meu antigo clube” - declarou orgulhoso ao Diário da Noite.
Para simplificar a história. O Vasco venceu por 3 a 0 e o próprio Diário da Noite não poupou o goleiro: “Rey foi uma das causas primordiais da derrota banguense. Falhou muito e foi o responsável pelos 1º e 3º tentos do Vasco”. No terceiro gol, então, “o ponta-esquerda vascaíno cobra o escanteio magnificamente e o keeper banguense puxa a pelota para dentro do seu próprio arco”.
Depois deste fracasso, Rey ainda defendeu a meta banguense em outros nove jogos, mas não ficou no clube até o final do Campeonato, perdendo a posição para Atlante.

22 de janeiro de 1944 – No início de 1944, os dirigentes banguenses estavam em dúvida se renovavam ou não com o goleiro João Alberto, que tinha o passe preso ao Fluminense. Até que, o Bangu vai jogar um amistoso contra o Vasco, em São Januário. Os vascaínos golearam por 9 a 2. E a culpa recaiu justamente no goleiro.
“João Alberto atuou de modo a merecer as maiores críticas. Pulando atrasado e engolindo arremessos de meio do campo, deixou patente que não está em condições de permanecer guarnecendo a meta do Bangu. Aliás, causou surpresa a tantos quantos assistiram o match-treino, ter a direção técnica conservado João Alberto até o fim, pois a sua performance comprometeu seriamente o conjunto” - resumiu A Manhã. Resultado de sua desastrosa atuação: João Alberto fez naquela noite sua última partida pelo Bangu e foi devolvido ao Fluminense.

11 de março de 1951 – Bangu e Vasco voltam a se enfrentar, pelo Torneio Rio-São Paulo de 1951. O Bangu, repleto de craques, vencia por 3 a 2, até que o goleiro Luiz Borracha falha seguidamente e Ademir faz dois gols para o Vasco, que vence por 4 a 3.
“O seu arqueiro, sempre inseguro, permitiu o empate, graças a uma falha, para abrir, em consequência, o caminho da vitória do campeão da cidade. Luiz, como se vê, comprometeu o seu onze, falhando no lance do primeiro tento e do terceiro, em cuja jogada saltou com as mãos e não conseguiu impedir que ainda assim Ademir lhe arrebatasse o couro e o concretizasse em goal” - sentenciou O Globo.  O mesmo jornal noticiou: “Em consequência de suas falhas no match de ontem com o Vasco, Luiz Borracha foi afastado imediatamente do team após o quarto gol cruzmaltino. E ao que apuramos, não voltará à equipe titular”.
A revista “O Globo Sportivo” foi crudelíssima logo na manchete: “Borracha derrotou o Bangu” e colocou uma foto do goleiro vendo a bola entrar nas suas redes.
De fato, Luiz Borracha nunca mais teve outra chance de se redimir e o Bangu o dispensou para o São Cristóvão.

E agora? Haverá futuro para Márcio em Moça Bonita? Ou o jogo contra o Vasco será seu cemitério?

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