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24/07/1904 - BANGU 0 x 5 RIO CRICKET

FICHA TÉCNICA
Competição:
Amistoso
Local:
Icaraí, Niterói
Árbitro:
Mr. Moreton
Thomas Hellowell, James Hartley e John Stark; Luiz Gaspar, Clarence Hibbs e William Hellowell; Andrew Procter, William Procter, Thomas Donohoe, Frederich Jacques e Augusto Alvarenga.
A. Couto, Tate, Wright (Captain), Turner, V. Etchegaray, F. Walter, Matheson, F. Moraes, Ginns, Santos e Conrado.
No 1º tempo: Santos e Ginns. No 2º tempo: Conrado, Eurico e Tate.

. . . . . . . . . . . . . . .

Detalhes do primeiro jogo da história do Bangu
Fonte: Jornal do Commercio

O texto abaixo não foi atualizado, mantendo-se a escrita original da época.

Realizou-se domingo passado, no campo do Rio Cricket & Athletic Associativo (Icarahy), um interessante match de football, entre esse e o novel club do Bangu.

Com prazer registramos o progresso com que, lenta, porém firmemente, vai caminhando entre nós a propaganda deste interessante e utilíssimo ramo de sport. Há três anos, quando um grupo de rapazes, todos vindos de escolas suíças ou inglesas, promoveram o primeiro jogo de football, em Icarahy, para o qual, com grande dificuldade, conseguiram arranjar dois elevens, havia talvez uma dúzia de espectadores, e esses mesmos, apreciando do jogo apenas os tombos, os empurrões, etc., desconhecendo por absoluto os rudimentos mais elementares do jogo; chegou-se mesmo a registrar, na crítica da imprensa esportiva, os tombos como feitos de maestria. Hoje abalam-se famílias da Tijuca, da Gávea, para assistir a um match em Icarahy, enchem-se as pelouses de apreciados ("bacharéis", como os chamam no sport náutico), que acompanham todas as peripécias com entusiasmo ruidoso, discutem as decisões do referee com fogo, com o Código na mão citam autores. Lombroso, o diabo... Vêm teams de todos os cantos da cidade encontrar-se ora no Paysandu, ora no Icarahy, ou no Fluminense. Vão teams daqui a S. Paulo sustentar lá a glória de seu pavilhão em lutas memoráveis de três dias a mais. Vêm teams de S. Paulo aqui, etc.

O team do Club do Bangu, todo composto de empregados da fábrica de tecidos, que tomou o nome dessa localidade, é um eleven simpático de homens de trabalho, fortes, alegres, bons companheiros, verdadeiros sportsmen. Em todo o correr do jogo manteve-se a maior harmonia, não se ouviu uma observação menos delicada, conquanto houvesse, como sempre há, fouls involuntários, muitos dos quais, como foul-throws, carrying the ball, etc., o referee com muito bom senso, deixou passar desapercebidos. Não se pode dizer que fosse um jogo equilibrado, pois quase todos os jogadores do Bangu ressentiam-se visivelmente da falta de training, falhando inúmeros kicks, fazendo o que se chama da gíria footbóllica "furos" dos quais naturalmente, o outro pessoal, malandro e traquejado, aproveitava-se a cada passo, vindo a pagar o pato o pobre do goal-keeper, que não tinha mãos, nem pés, a medir, o que, seja dito de passagem, é um excelente jogador, sem o que, muito maior teria sido o score.

Descrevamos o jogo:
Do lado do Bangu estavam: T. Hellowell, Hartley, Stark (Captain), Gaspar,
Hibbs, W. Hellowell, A. Procter, W. Procter, Donohoe, Jacques e Alvarenga.
Do lado do Rio Cricket estavam: A. Couto, Tate, Wright (Captain), Turner, V. Etchegaray, F. Walter, Matheson, F. Moraes, Ginns, Santos e Conrado.

Coube o kick-off ao Rio Cricket, que partiu logo varando a defesa
adversária, e fazendo um bonito rush, prejudicado por um mal shot. Poucos minutos depois faziam outro rush idêntico, marcando Santos o 1º goal, de um bom centro de Conrado. Esse goal, a muitos pareceu offside, e houve alguns protestos, porém confiamos inteiramente na retidão do referee: Mr. Moreton, um dos melhores Juizes que temos tido aqui; o fato foi o seguinte: o jogador Santos estava offside, quando a bola foi centrada, mas não estava quando shootou, porque já então o goal-keeper adversário tinha tocado na bola, procurando rebate-la, o que não conseguira. Pouco depois, foi marcado o 2º goal, por Ginns, com um bom shot, posto bem no canto do goal; um bonito passe de Eurico Moraes. Continuaram a suceder-se os rushes do Rio Cricket, muitos perdidos por maus shots, alguns bem parados pelo goal-keeper Hellowell, e pelos full-backs Hartley e Stark. Houve diversos corner-kicks, que não foram aproveitados, entre eles um, magistralmente tirado por Turner, e quase no fim do half-time Conrado fez um goal, que foi com toda a justiça, dado off-side. No 1º half portanto, resumiu-se o jogo em ataques do Rio Cricket e defesas do Bangu, tendo o goal-keeper Couto parado uma ou duas bolas apenas.

No 2º half, Etchegaray foi jogar em goal, e Santos full-back, passando Couto para center-half, e Tate para forward, inside Wright, tornando-se o jogo mais interessante, fazendo Stark (que então estava jogando forward), com Donohoe, alguns bonitos rushes, mas, mesmo assim, pouco modificou-se a feição do jogo, continuando o Rio Cricket a atuar sempre, tendo marcado na hora do apito final, mais três goals, um shootado por Conrado, outro por Eurico, outro por Tate, este último, num agrimmage medonho, em que goal-keeper, bola e três forwards, rolaram todos pelo goal a dentro.

O resultado final foi, portanto, Rio Cricket 5-0.

É de justiça salientar no team do Bangu o captain Stark, que mostrou ser um jogador de fibra que, com um pouco mais de ensaio, se tornará um jogador perigoso, o full-back Hartley e o goal-keeper Hellowell; todos, porém, sem excepção, brigaram até o último instante, com uma tenacidade e uma firmeza admiráveis, sem sombra de desanimo, verdadeiros sportsmen!

Do team do Rio Cricket é inútil falar: era aquela firmeza de costume (homens de 3 metros de altura, como Tate e outros), aliada a malandragem do Fluminense (Etchegaray, Santos, Conrado, etc., que também pertencem ao club de lá), capitaneados pelo malandrão-mor Wright; não é preciso dizer mais.

Foi um bom ensaio (de que aliás alguns deles precisam bem, para enfrentar o Paulistano, que vem ai, armado até os dentes, em 14 e 15 de agosto) e foi, além disso, um incentivo, um estímulo, para futuros jogos que teremos aqui, ou no Bangu mesmo, e quiçá, com clubs formados por outras fábricas, que nos permitirão, talvez, para o nano, instituir a nossa Taça de Campeonato, como já a têm os nossos vizinhos da Paulicéa.

     
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