Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias

SEM PRESSA PARA MUDAR

Como os clubes pequenos do Rio enxergam a SAF e o exemplo que vem do futebol mineiro

Foto: Caio Almeida / Bangu AC
Jogadores do Bangu treinam para o Estadual: sem grandes movimentos em torno da SAF, clube observa os avanços dos outros enquanto tenta se reequilibrar
Transição lenta. Jogadores do Bangu treinam para o Estadual: sem grandes movimentos em torno da SAF, clube observa os avanços dos outros enquanto tenta se reequilibrar

Bangu e Athletic, adversários de Botafogo e Cruzeiro neste domingo, já tiveram olhares mais parecidos quanto ao modo certo de se fazer futebol. Ambos foram casa efêmera de Loco Abreu nos últimos anos da então interminável carreira do atacante uruguaio, hoje aposentado. Fizeram daquelas contratações que se justificam mais pelo impacto midiático do que pelo aspecto técnico. Hoje, entretanto, pensam diferente. Os de São João Del Rey (MG) aderiram ao modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF) em dezembro passado.

Entre os times de menor expressão do futebol fluminense, o que inclui o alvirrubro de Moça Bonita, as discussões sobre a SAF estão em um estágio inferior. Um dos que mais se aproximam da pauta é o Volta Redonda. O clube recorreu ao Regime Centralizado de Execuções (RCE), ferramenta criada pela Lei da SAF que permite o pagamento programado de dívidas trabalhistas e cíveis com 20% das receitas mensais, livrando os clubes do risco de penhora.

A curto prazo, o flerte do Volta Redonda deve parar por aí, afirma Flávio Horta Júnior, vice-presidente:

— Nós já temos empresas grandes nos procurando. Mas não temos hoje a necessidade de ser uma SAF. Se nos apresentarem algum modelo que pode ser mais interessante sendo uma SAF, levamos para o conselho, analisamos.

O ritmo dos pequenos é outro quanto ao assunto, não se compara à necessidade de Botafogo, cujo futebol pertence ao bilionário John Textor, e nem à pressa do Vasco, que tenta adiantar a questão ao longo de 2022. Tanto pela capacidade mais limitada de estudar a pauta, quanto pela urgência menor. Um dos mais tradicionais do Rio, o América disputou a primeira divisão do Rio pela última vez em 2016. Alegando que o clube tem patrimônio imobiliário que quita as dívidas existentes, diferentemente de Botafogo e Cruzeiro, o presidente Sidney Santana, em live com torcedores no último dia 22, disse que o clube estuda a SAF, mas sem pressa. O espelho é o homônimo de Belo Horizonte.

— A sociedade anônima não é uma fórmula pronta, cada clube tem sua especificidade. Conversarei com o Marcos Salum (coordenador do projeto da SAF do América-MG) para ter uma noção do formato que eles estão adotando.

Referência mineira

Está no interior mineiro e não na capital um exemplo que se encaixa melhor nos clubes menores do Rio. O Athletic aproveitou a Lei da SAF para estreitar os laços já existentes com empresários que investiam no clube.

— Já havia o interesse de intensificar a a parceria. Após a lei, as conversas cresceram. Vislumbraram que a transformação do departamento de futebol do clube em empresa seria a melhor forma de gestão — afirmou Felipe Fazzion, advogado da SAF do Athletic.

Esportivamente, a meta agora é fazer com que o time se classifique regularmente para a Série D e a Copa do Brasil, dando a ele um calendário anual completo. Em termos de infraestrutura, sonham em reformar o estádio e construir um novo centro de treinamento.

Sem grandes movimentos

Diferentemente de Botafogo e Cruzeiro, o Athletic manteve 51% das ações da SAF, o que dá ao clube o controle da empresa. Para Jorge Varela, presidente do Bangu, essa característica deve se repetir em outras SAFs de clubes menores.

— Quando envolve muito dinheiro, o investidor quer o controle — acredita.

Sem grandes movimentos em torno da SAF, o Bangu observa os avanços dos outros de longe enquanto tenta se reequilibrar financeiramente. A situação é delicada atualmente.

O Bangu, como boa parte dos clubes menores do Rio, é gerido por grupos que costumam ficar muito tempo no poder. Varela é presidente desde 2007. No Madureira, outro tradicional clube menor da cidade, Elias Duba é o homem na cadeira desde 1993. Nestes casos, a conversão para SAF pode significar o rompimento com figuras históricas.

— Não sei se um clube como o Madureira possa atrair investidores desse tipo de SAF — afirmou: — Não acredito que um clube sem torcida atraia interesse.

Fonte: Jornal O Globo, por Bruno Marinho e Vitor Seta, publicada em 30/01/2022.