Bangu Atlético Clube: sua história e suas glórias
FutFanatics - Bangu 2023

2018

O Bangu de 2018 no Engenhão
O Bangu no Engenhão: Anderson Penna, Oliveira, Marcos Júnior, Nilson e Célio, em pé. Primeira fila: Rodney, Valdir, Magno, Guilherme, Almir e Éverton Sena.

Três fatos suspeitos marcaram a trajetória do futebol profissional do Bangu em 2018 e prejudicaram imensamente o time, embora, em momento algum nada ficasse comprovado. Parecendo tudo obra de um azar incrível ou de “armações ilimitadas”, que condizem muito bem com o esporte no século XXI.

No início do ano, o Boavista de Bacaxá deu-se ao luxo de fazer sua pré-temporada nos Emirados Árabes. Convidou para ser o chefe da delegação ninguém menos do que o presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro. O dirigente até mesmo posou segurando uma camisa do clube verde nas arquibancadas de um estádio em Dubai.

No Campeonato Carioca, o Bangu – que não fez pré-temporada internacional – apelou para uma velha fórmula: trouxe de volta o técnico Alfredo Sampaio, que já comandara o time nos anos 90.

O elenco estava todo reformulado e, logo na estreia, contra o Vasco, em São Januário, com portões fechados à torcida, o Bangu fez uma grande partida. O meia Rodney, estreante, abriu a contagem no 1º tempo e o atacante Anderson Lessa, outro estreante da noite, consolidou a vitória na etapa final: 2 a 0 sobre um dos grandes favoritos ao título.

Na sequência do Campeonato, o Bangu empatou com o Volta Redonda em casa (2 a 2), perdeu para o Flamengo (0 a 1), tropeçou no Nova Iguaçu (0 a 0) e precisava vencer a Cabofriense, fora de casa, para se classificar às semifinais da Taça Guanabara, o 1º turno do Estadual.

Jogando bem melhor na casa dos adversários do que em Moça Bonita, o zagueiro Michel fez 1 a 0 no 1º tempo e, novamente, Anderson Lessa concretizou a vitória, fazendo 2 a 0 na etapa final. Num grupo em que o Flamengo sobrou, alcançando 13 pontos, o Bangu consolidava a segunda posição, com 8 pontos, à frente do Vasco – eliminado -, que somou apenas 7.

Em São Januário, as arquibancadas vazias foram testemunhas da vitória do Bangu sobre o Vasco por 2 a 0
Em São Januário, as arquibancadas vazias foram testemunhas da vitória do Bangu sobre o Vasco por 2 a 0.

Dessa forma, as semifinais da Taça reuniam: Flamengo x Botafogo e Boavista x Bangu.

Por ter sido o líder de seu grupo, o Boavista tinha a vantagem do empate na partida única realizada no Engenhão, em 8 de fevereiro.

No 1º tempo, o Boavista impôs seu ritmo e, com dois gols de Felipe Gabriel, parecia acabar com as esperanças dos mais de 2 mil banguenses que foram ao estádio apoiar o time.

Na etapa final, tudo mudou. Alfredo Sampaio – normalmente adepto da “retranca” -, colocou o Bangu para frente e os gols foram saindo. Nilson e Almir, em duas cabeçadas, igualaram o placar: 2 a 2.

Mas, o árbitro Pathrice Corrêa Maia iria beneficiar o Boavista num lance capital aos 43 minutos do 2º tempo. O ótimo atacante Anderson Lessa entra na área e é derrubado pelo goleiro Rafael. Seria lance para expulsão do arqueiro do Boavista e para o respectivo pênalti. “Sua senhoria”, no entanto, ignorou solenemente a falta que poderia dar o terceiro gol ao Bangu e a fatal eliminação do Boavista da decisão contra o Flamengo.

Foi um lance tão claro, visto por todo o estádio, que o juiz ter deixado o jogo prosseguir, pareceu muito mais do que um simples erro em si. O Boavista, clube “amigo” do presidente da Federação, ficou agradecido com o empate e foi para a decisão.

Se era impossível vencer o Fla – que realmente ganhou a finalíssima por 2 a 0 -, pelo menos, a divisão da renda da decisão da Taça Guanabara foi proveitosa para os cofres do Boavista.

No 2º turno, o Bangu decaiu bastante no Campeonato e, logo ficou claro que a equipe não tinha como chegar às semifinais da Taça Rio: derrota para o Fluminense (0 x 4) e Botafogo (0 x 1), empates contra Macaé (2 x 2) e Portuguesa (1 x 1), uma vitória de pura vingança sobre o Boavista, em Bacaxá, por 2 a 0, com gols de Marcos Júnior e do colombiano Peralta; até chegar à última rodada contra o Madureira, em Moça Bonita.

Há que se entender como estava a tabela de classificação naquela ocasião, principalmente quanto ao rebaixamento. O Bangu, livre de qualquer risco, era o 8º colocado geral, com 13 pontos. O Madureira, “lanterninha”, tinha apenas 5 pontos. O Volta Redonda era o 10º colocado com 7 pontos. E o Nova Iguaçu, o 11º colocado com 6 pontos.

O Nova Iguaçu perdeu para o Macaé por 2 a 0 e foi logo rebaixado. O Madureira, então, necessitava vencer o Bangu e torcer para que o Volta Redonda perdesse para o Boavista.

Atacante Anderson Lessa
O goleiro Rafael, do Boavista, derruba o atacante Anderson Lessa dentro da área. O juiz ignora a falta, não expulsa o goleiro e, erroneamente, não dá o pênalti a favor do Bangu.

Em Moça Bonita, o técnico Alfredo Sampaio (que também tinha sido treinador do Madureira) fez tudo errado. Adiantou os dois laterais e os dois volantes e deixou a defesa desprotegida. O “Tricolor Suburbano” que não tinha vencido ninguém no Campeonato Carioca, fez um, dois, três gols com extrema e desconfiável facilidade.

Três gols de vantagem sobre o Bangu era justamente o que o Madureira precisava para sobrepujar o Volta Redonda no saldo de gols, caso a equipe da “Cidade do Aço” empatasse sua partida contra o Boavista.

Atuando em casa, o Volta Redonda emparelhava com o Boavista em 2 a 2, até que teve um jogador expulso e acabou perdendo por 3 a 2.

O “acaso” fez tudo dar certo para os interesses da Federação. Na classificação final, o Bangu ficou mesmo na 8ª posição. O Macaé foi o 9º. O Madureira, outro clube “amigo”, se salvou em 10º lugar, com 8 pontos e uma única vitória em onze jogos. O Volta Redonda caiu para o 11º lugar, com 7 pontos e fez companhia ao rebaixado Nova Iguaçu, lanterna, com 6 pontos.

Sem conseguir se classificar para o Campeonato Brasileiro da 4ª Divisão, o Bangu ficou inativo de março a agosto de 2018. Alfredo Sampaio deixou de ser o técnico e o ex-jogador Mário Marques ocupou o cargo.

O último fato estranho daquele ano ocorreu durante a disputa da Copa Rio, organizada em sistema de “mata-mata”.

Coube ao Bangu enfrentar a Friburguense nas oitavas-de-final. Na primeira partida, no estádio Eduardo Guinle, empate em 0 a 0. No jogo de volta, em Moça Bonita, as duas equipes continuaram sem nenhuma imaginação.

Até que, nos acréscimos do 2º tempo, com o placar ainda em 0 a 0, Jefinho cobra um córner para a Friburguense. O goleiro banguense Bruno se atrapalha todo e acaba colocando a bola dentro de sua própria rede: 1 a 0. Gol olímpico? “Frango” do goleiro?

Os 205 torcedores que foram a Moça Bonita naquela tarde desconfiaram de que havia muito mais do que um simples “azar” nos terríveis lances que cercaram o Bangu no ano de 2018 e vaiaram os jogadores que deixavam o campo eliminados.

Nada nunca foi provado. Mas, os jogos contra Boavista, Madureira e Friburguense foram manchas na história do Bangu...